Pessoas: a receita para crescer no pós-crise

Como crescer no pós-crise conta Paulo Bertone

Paulo Bertone, consultor e professor de marketing, endomarketing e franquias, fala sobre a importância de capacitar e motivar colaboradores envolvidos em todos os processos da empresa para se diferenciar na retomada econômica

por Paulo Gratão

Pela primeira vez em dois anos, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou resultado positivo novamente, com crescimento de 1% em 2017. Isso sinaliza que o mercado pode passar a sentir a brisa de um cenário pós-crise, muito em breve. Na visão do consultor e professor de marketing, endomarketing e franquias, Paulo Bertone, a aposta para ter melhores resultados nesse período é a gestão eficiente de pessoas. “Hoje o principal diferencial competitivo na indústria, no varejo e na prestação de serviços são pessoas qualificadas, treinadas e comprometidas”, afirma.

De acordo com ele, tudo passa por pessoas em uma rede de franquias, e algumas empresas descuidaram desse ativo nos últimos anos com o propósito de economizar. Confira a visão do especialista e dicas sobre como engajar seus colaboradores em uma nova realidade para ter melhores resultados em 2018.

Os últimos anos foram favoráveis para o empreendedorismo?
A crise econômica levou muita gente a se tornar empreendedor, até por falta de colocação no mercado. Muitas pessoas encerraram suas atividades como empregado para empreender. Então, de certa forma, foram favoráveis sim.

Quais são os desafios desses empreendedores em um cenário pós-crise?
É preciso dar conhecimento de mercado para os micros, pequenos e médios empresários para que eles possam crescer. Todo mundo vai lá fora ver tendências do mercado, mas precisamos olhar para dentro, para o que é adaptável ao Brasil, ainda vivemos a realidade de uma crise. Por isso nossa missão deve ser qualificar o micro e o pequeno empresário para que ele possa solidificar o seu negócio. Só se fala em macronegócio, mas e o micro? Como eles vão ter acesso ao ­omni-channel, por exemplo? Ele precisa consolidar o negócio dele.

Quais são os maiores desafios atuais?
Não adianta trazer tecnologia se as pessoas não estão preparadas para manipular. Qual o padrão que se adota em treinamentos? Os atendimentos não seguem um padrão uniforme e respeitando até mesmo os segmentos do mercado. Será que eu não preciso adaptar os produtos e a forma de atendimento para as diferentes cidades em que atuo? Hoje o mercado é extremamente favorável para franquias. Todos querem comprar, mas o difícil é manter e mostrar resultado. Aí entra o desafio das franqueadoras.

Já que tocamos nesse assunto, qual a importância da gestão de pessoas para o sucesso de um negócio de franquias?
É fundamental. Com crise ou sem crise, é prioritário ter o pessoal mais qualificado para atender, pois na “guerra de preço” não há um vencedor. Desenvolvimento de novos produtos, tecnologia de ponta, decoração perfeita, ambientação moderna e aconchegante, promoções fantásticas, belas campanhas publicitárias e forte presença nas redes sociais, todos poderão ter. Porém, posso garantir que hoje o principal diferencial competitivo na indústria, no varejo e na prestação de serviços são pessoas qualificadas, treinadas e comprometidas. Estamos disputando o mesmo dinheiro do consumidor, se eu der um atendimento diferenciado, eu ganho. Os empresários precisam enxergar isso. Atualmente as redes investem em treinamentos esporádicos, mas, em geral, não têm uma política de capacitação, um cronograma anual de treinamento por etapas, administração de estoque, mix de produto, por exemplo.

Como despertar um sentimento empreendedor nos funcionários das franquias?
A primeira coisa que se tem que pensar é qual o propósito da empresa para angariar esse sentimento no colaborador. Para motivar pessoas é preciso pensar em salário, treinamento, qualidade de trabalho e respeito às diferenças. É positivo transformar o colaborador em alguém que faz parte do seu negócio e quem pensa o contrário vai ter dificuldade para sobreviver nos próximos cinco anos. Quem não se atualizar, não enxergar o caminho por meio das pessoas, não se manterá no mercado. Vamos qualificar o que já existe e aprimorar.

Quais os desafios que as redes têm para esse trabalho?
O franqueador precisa olhar os dois lados da moeda. O sucesso do franqueado é o sucesso dele. O que ele precisa ter de mim para que possa crescer e progredir? Como vou convencer os colaboradores a fazerem parte de um ideal junto ao franqueado? O franqueador precisa ir à franquia, conversar com os colaboradores e mostrar a eles que são tão importantes quanto o gerente da unidade.

Como o franqueador pode inspirar o franqueado a criar soluções para suas equipes?
Tem que ter um programa de treinamento e qualificação para toda a equipe. Não só do franqueador, mas um programa do franqueado. Não adianta fazer um curso esporádico e achar que vai ter resultado. Tem que ter programa de treinamento para todos que estão envolvidos no processo. É preciso ter um cronograma anual de treinamento e ver o resultado disso. Às vezes, o treinamento aplicado na unidade de Recife não vai ser tão eficiente em Porto Alegre. Tem que mudar, regionalizar o negócio. Traga para a realidade do Brasil, em breve estaremos no pós-crise. Agora é a hora da conquista!