Pulo do Empreendedor

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Matéria reproduzida da Revista Franquia & Negócios Ed. 56

 

Foi enquanto surfava na Costa Rica, em 2013, que Gustavo Schifino teve a visão que precisava para finalizar a logomarca que tanto vinha ocupando sua mente nos últimos tempos. Sua onda foi atravessada por um pelicano e isso, na percepção do executivo, queria dizer alguma coisa. A ave era o que tanto procurava, e não sabia, para passar a mensagem que pretendia na comunicação visual de sua marca de franquias, Trópico.

E não haveria forma mais oportuna, uma vez que a loja multimarca vende roupas e materiais próprios para surf e skate. “É uma ave que na dificuldade se corta para dar sangue ao bebê. Então ela tem muito a ver com a maneira como encaramos o negócio”, explica.

No brasão da marca o pelicano está envolto em cores, água e ondas sonoras. “E nesse DNA inspirado por arte, envolvido de água e movido por música, construímos a Trópico, e vamos para 30 anos de história em 2014”, explica.

O empresário que conta essa história e comemora a conquista de mais um Selo de Excelência em Franchising ABF, o que valida a satisfação da rede, em quase nada se assemelha ao jovem vendedor de doces que deu início à jornada há quase três décadas.

História

Em 1986 não tinha nada disso. A Trópico se resumia a uma pequena loja, com dois anos de existência, em um bairro de Porto Alegre, que teve seu destino selado definitivamente com o de Schifino em 16 de dezembro daquele ano. O então vendedor de doces, aos 16 anos, levava suas encomendas a diversos clientes pelas ruas da capital gaúcha e um dia se deparou com uma briga entre os dois sócios do negócio de surf. Foi nesse momento que propôs comprar a loja. Os sócios olharam surpresos para o adolescente que trazia os doces nas mãos e uma proposta ousada nos lábios.

Schifino conseguiu convencê-los de que trocar a Paraty 1984 – recém-comprada com a economia da venda de doces – seria uma boa parte para o pagamento. No entanto, compromissos de estudos e empregos não deixaram que o jovem se dedicasse à loja como queria.

Em 1990, aos 21 anos, Schifino já estava formado em Direito, pediu as contas no emprego e se dedicou inteiramente ao crescimento da Trópico, logo abrindo uma segunda unidade.

Franquias

Dando um salto de dez anos na história, a Trópico inicia, em 2000, sua empreitada no franchising e, de lá para cá, cresce cerca de 30% ao ano em número de lojas. Passados 14 anos, a marca contabiliza 23 unidades em funcionamento, sendo três em Santa Catarina e 20 no Rio Grande do Sul. Para 2014 são esperados mais dois pontos de venda em Santa Catarina e a estreia no Paraná com cinco lojas. “Nosso plano de expansão é em espiral. Completamos a região Sul e a partir do ano que vem vamos para o Sudeste, com lojas em São Paulo e Rio e Janeiro”, afirma Schifino.

O executivo reconhece que o seu mercado atualmente é bem concorrido. Lojas de surf e skate existem aos milhares, ainda mais com foco no público jovem, que é o que mais consome as mercadorias. “O conceito é o que nos diferencia dos demais, temos crescido bastante a venda por metro quadrado”.

Do lado comercial do negócio, o diferencial que corrobora o crescimento da Trópico, na visão de Schifino, é a oportunidade de trabalhar marcas de mais de cem fornecedores homologados.

“Quando vende apenas uma bandeira é obrigado a comprar aquele produto, se o franqueador não acertar na coleção, ou no preço, toda a rede sente. A rede multimarca permite que o franqueado adapte a loja para a cidade em que ele estiver”. Ele exemplifica com as futuras lojas do Sudeste.

“Por exemplo, se a vitrine for em São Paulo, eu vou querer mais itens relacionados a skate, se for no Rio, mais produtos para surf”.

O caminho que Schifino pretende traçar colocará a Trópico no radar de marcas com abrangência nacional. Para tanto, as décadas de experiência na região Sul serão válidas, mas o conhecimento dos novos mercados e suas características, imprescindível. “É importante contar com ampla divulgação, que deverá ser intensa e apresentar um excelente mix de serviços e de fidelização com atividades voltadas ao seu público alvo. Tais medidas cativarão a clientela local. A venda das franquias deslanchará após a marca se tornar referência no segmento nestas regiões”, aconselha o consultor da ba}stockler, Luis Henrique Stockler.

A adaptação do mix do ponto é por conta da necessidade do próprio franqueado, que conta também com um leque de produtos que atinge desde crianças pequenas a idosos. “Vivemos um momento de ouro com o consumidor da Trópico, porque hoje a criança de cinco anos escolhe o que vai usar e se inspira nos adolescentes”.

Filosofia

Quatro dos franqueados da Trópico assinaram o contrato quando tinham apenas 17 anos. Schifino é o responsável ainda por escolher cada empreendedor que prospecta sua marca e cada ponto em que a unidade será aberta. “Procuro identificar se cada um comunga do nosso ideal. O tempo inteiro não aceitamos franqueados, não por não terem o capital, mas porque não vão conseguir passar aquilo para a equipe”.

A qualidade de vida é um pilar valorizado na rede, de acordo com o executivo. “Temos o ‘você vive para quê’ como elemento principal que reúne todo nosso DNA. Assim conseguimos manter vivo o propósito da empresa”. Schifino garante que não permite a nenhum funcionário trabalhar além do seu horário e que a priorização pela qualidade de vida é tratada como regra.

Sustentando os pés em uma areia diferente da que é conhecida pelo varejo regular, Schifino afirma que as práticas culminam em uma maior satisfação da rede, precisamente 97% de acordo com pesquisas internas. “Talvez por isso procuramos crescer apenas 30% ao ano, para ter certeza que o franqueado vai passar essa filosofia adiante, não é apenas relação de compra e venda”. O executivo pensa melhor e refaz a resposta: “Talvez por isso conseguimos crescer 30% ao ano”.

Publicado em 04/08/2014

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