Pulo do Empreendedor

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Matéria reproduzida da Revista Franquia & Negócios Ed. 57

Biomas genuinamente brasileiros são os ingredientes dos produtos e da comunicação da L’Occitane au Brésil, primeira aposta segmentada do Grupo L’Occitane fora do seu país natal.

Brasil sob o olhar francês

Brasil sob o olhar francêsSe perguntar para os sertanejos, mandacaru é alimento do gado. A não ser quando floresce, aí é aviso de chuva na caatinga, como já cantava Luiz Gonzaga no Xote das Meninas. Mandacaru já foi tema de poemas que retratam a seca e até nome de novela. Tudo isso até que Olivier Baussan, fundador e diretor artístico da marca L’Occitane en Provence, o conhecesse.

Com mais de duas mil lojas em 35 países, a marca contabiliza 38 anos de atividade, sendo 18 no Brasil. Nos últimos dois anos a rede enxergou potencial de desenvolver uma nova bandeira em solo nacional. “Foram feitas muitas pesquisas para entender a extensão territorial e os biomas existentes em várias partes do País. Não existe esse projeto em nenhum lugar do mundo”, afirma o diretor de franquias do Grupo L’Occitane, Sandro Malimpensa. Com isso, nasceu a L’Occitane au Brésil, dedicada exclusivamente à venda de produtos com fragrâncias extraídas dos biomas brasileiros.

A nova marca iniciou as atividades em 2013 e o modelo de gestão adotado foi o de franquias, outra exclusividade atribuída ao mercado brasileiro. Atualmente a rede conta 38 unidades, sendo 25 quiosques, chamados de minimercados, e 13 lojas. O projeto inicial era concentrar a expansão da L’Occitane au Brésil somente nas regiões Sul e Sudeste, mas as propostas chegaram de todas as partes do mapa. “Estamos com negociações acontecendo desde Florianópolis (SC) até Boa Vista (RR). Temos 18 negócios já fechados”, revela o executivo.

Os desafios logísticos que enfrentará para atender todas essas regiões, sem ver seu faturamento comprometido pelo Custo Brasil, já são pautas de reuniões no grupo. “Além de produtos, tem que pensar em promoções, comunicação do mês, equipe comercial que atenda aquele franqueado. Estamos nos estruturando para isso”, afirma.

Foram contratadas três fábricas para a produção dos produtos da L’Occitane au Brésil que passaram pelas adaptações necessárias para atender aos exigentes critérios de qualidade franceses. Com a produção local os produtos se tornaram entre 35% a 40% mais em conta para o consumidor do que os da marca mãe.

Além disso, produtos com extrato de Mandacaru, Vitória Régia, Araucária e outras riquezas do bioma brasileiro são exportadas para mais de 1,5 mil lojas no mundo. “No mês da Copa já tínhamos nos EUA e Europa, desde o Museu do Louvre a Nova Iorque. Uma aceitação muito positiva, as pessoas olham e entendem que é L’Occitane, e ao experimentar veem que é tão bom quanto o produto francês”, afirma o diretor.

Produção e história

Produção Produtos LoccitaneNa leitura dos franceses, o Brasil e a França têm similaridades culturais, climáticas e de extensão territorial, o que permite que a marca tenha inspiração para a criação das fragrâncias e cremes­. De acordo com a gerente de comunicação corporativa do Grupo, Marialice Rocha, a marca tem ânsia por contar histórias por trás de seus produtos e as características brasileiras são ricas em conteúdo inexplorado até mesmo para os nativos.

“Trabalhamos junto com o produtor das matérias-primas nessa relação de incentivo. Temos subsídio para estabelecer essa conta e repartição de benefícios para que ele continue crescendo junto com a gente”.

Foi feito um estudo com os diversos produtos para se certificar de que seria possível manter a produção em larga escala, além de passar longe da biopirataria, alvo de fiscalização do governo. A preocupação desde o início foi contar histórias que permeiam o Brasil sem se ater a estereótipos. “O Sul do Brasil é completamente diferente de um alagado da Amazônia, por exemplo. O Mandacaru por sobreviver na seca e ter alta capacidade de hidratação é um hidratante natural”, explica Marialice.

Adaptação

Até que a L’Occitane au Brésil consiga se diferenciar por completo da marca mãe na concepção do consumidor, móveis de madeira foram desenvolvidos pelo artista Marcelo Rosenbaum para divulgar e comercializar os produtos dentro das lojas L’Occitane au Provence. “Depois não justifica permanecer com os móveis. Queremos mostrar bem o diferencial das marcas. Não é uma linha, é uma rede independente”, explica Marialice Rocha.

Vou te contar

Durante o último Natal, Marialice Rocha acompanhou as vendas em um shopping que tinha as duas lojas, en Provence e au Brésil. Percebeu que o consumidor brasileiro pouco sabe sobre os biomas nativos, principalmente quando relacionados a outras regiões do País. “Explicávamos a história do começo ao consumidor, parecia aula de geografia, ciências e biologia”.

Vendas

Rentabilidade

O modelo de quiosque, ou minimercado, é o que mais cresce na bandeira au Brésil.
De acordo com Sandro Malimpensa, o retorno de investimento divulgado pela marca é de 24 a 36 meses, mas alguns já conseguem entre seis meses a um ano.

Produtos Loccitane

Expansão

A marca agora tem como meta o Rio de Janeiro, por ser uma praça considerada interessante e ainda pouco explorada, com a inauguração da primeira franquia no Shopping Nova América e planos de loja própria que ainda estão sendo desenhados.

Apelo cultural

As lojas da L’Occitane au Brésil foram feitas do zero e têm uma linguagem completamente diferente da L’occitane au Provence. Para ajudar a ilustrar, a marca apostou em cartunistas e artistas famosos em cada região. “Procuramos o filho do Jota Borges, que é característico de cordel, para as embalagens do Mandacaru e o Manassés Borges fez os desenhos em xilogravura com a influência da terra. Marcelo Rosenbaum concebeu os minimercados como se fossem as feiras do Brasil”, exemplifica Marialice Rocha.

Produtos Loccitane

Publicado em 03/10/2014

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