Para ver de cima

Regulação dos drones motiva inserção da tecnologia na rotina das franquias brasileiras. De linha de produção a marketing: todas as áreas podem ser beneficiadas

Desde a metade do ano, os trabalhadores do Edifício Philadelphia, localizado na Avenida Angélica, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, passaram a ter um elemento diferente em suas rotinas. Um pequeno drone, operado pela franquia da Sterna Café, percorre a área externa do edifício chamando os profissionais para degustar um café.

Se a pessoa não puder se demorar na loja, pode fazer o pedido pelo aplicativo “Hand in Food” por meio do celular e finalizar a compra pelo QR Code, sem pegar filas. “Nossa iniciativa visa a impactar as pessoas do prédio pelo drone, voando na janela”, explica o fundador da marca e idealizador da ação, Deiverson Migliatti. A rede não comentou sobre a expansão do serviço para outras unidades.

Crescimento agressivo

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), existem hoje duas mil empresas e 34 mil pessoas físicas cadastradas para utilizar drones, no Brasil. Segundo um levantamento feito pela feira especializada DroneShow, o setor faturou R$ 300 milhões em 2017. Nisso, entendem-se as receitas obtidas por toda a cadeia, formada por fabricantes, importadores, manutenção, acessórios, softwares, locação, treinamento, processamento das imagens e prestação de serviços para aplicações como filmagens, agricultura, inspeções, mapeamento, mineração, florestal, segurança, infraestrutura entre outros.

A recente regulação colaborou para o surgimento de startups que têm o drone como objeto central. A SMX Systems, por exemplo, desenvolve sistemas aéreos não tripulados para entrega de cargas leves, como medicamentos. O objetivo, segundo eles, é acelerar o transporte e entrega para localidades mais distantes dos grandes centros, como áreas rurais.

Custo e mão de obra ainda são desafios

O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, vê com bons olhos essa modificação e o panorama de atuação no mercado brasileiro. “O Brasil deu um belo passo recentemente e tem uma das melhores regulações sobre o tema. Aqui pode ter um controlador para vários drones. No entanto, ainda há escassez e os custos são altos”, afirma.

Ele acredita que, como qualquer nova tecnologia, o desafio seja o custo e disponibilidade, em um primeiro momento. “É a famosa elasticidade de escala e preço. Se seguir a mesma trajetória, vai cair com o tempo”, explica.

Regulação dos drones motiva inserção da tecnologia na rotina das franquias brasileiras. De linha de produção a marketing: todas as áreas podem ser beneficiadas

Desde a metade do ano, os trabalhadores do Edifício Philadelphia, localizado na Avenida Angélica, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, passaram a ter um elemento diferente em suas rotinas. Um pequeno drone, operado pela franquia da Sterna Café, percorre a área externa do edifício chamando os profissionais para degustar um café.

Se a pessoa não puder se demorar na loja, pode fazer o pedido pelo aplicativo “Hand in Food” por meio do celular e finalizar a compra pelo QR Code, sem pegar filas. “Nossa iniciativa visa a impactar as pessoas do prédio pelo drone, voando na janela”, explica o fundador da marca e idealizador da ação, Deiverson Migliatti. A rede não comentou sobre a expansão do serviço para outras unidades.

Pontos de atenção

Apesar de ser regulado, há várias normas que precisam ser seguidas para a operação de drones. Somente maiores de 18 anos podem operar e não é permitido voar sobre pessoas, a não ser com autorização prévia.

Drones entre 250 gramas e 25 quilos precisam ser registrados na Anac. Pilotos de drones com mais de 25 quilos necessitam de habilitação, certificado médico aeronáutico e registro do voo.

Produção de catálogos e treinamentos

A Orthodontic deve implementar drones em seus projetos audiovisuais entre o segundo semestre de 2018 e o primeiro de 2019, segundo o sócio-fundador, Fernando Massi. Desde a metade do ano passado, a rede tem passado por uma renovação de identidade. “A inserção dos drones no projeto possibilita um impacto visual diferenciado a partir de imagens incomuns para o olho o humano, tanto em perspectiva quanto em mobilidade”, afirma.

A ideia é disponibilizar a tecnologia para toda a rede depois que for testada pela franqueadora. Massi estima que o investimento total gire em torno de R$ 100 mil, incluindo captação de imagens e plano de divulgação.

Da mesma forma, a iGUi Piscinas informou que também adotou a tecnologia para a automatização da produção de seus catálogos, mas não forneceu mais detalhes de como os drones operam.

Igreja vê um horizonte cheio de oportunidades para o uso da tecnologia, principalmente para entregas de produtos mais leves, que são a maioria. Isso já vem sendo testado em países europeus, de acordo com o especialista. “Com isso, será necessário menos frota, menos combustível e menos entregadores. Dá para vislumbrar um impacto gigantesco”, comenta.