Isak Halfon

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Isak Halfon é de origem turca, atua como vice-presidente de expansão internacional da Alhokair & Co, uma empresa multi-franqueada da Arábia Saudita, e fala português fluentemente. Com sotaque carioca. O plus é o legado de seus 13 anos vividos na capital fluminense. Tão versátil quanto o executivo, que esteve na segunda edição do Congresso Internacional de Franchising ABF, são os negócios da Alhokair, considerado o maior grupo franqueado do mundo. A empresa conta com representação de 84 marcas, entre elas Mango, Desigual, GAP e Zara, otalizando mais de 2,1 mil lojas em 16 países e 12 mil funcionários.

O grupo foi criado em 1989 por Fawaz Abdulaziz Alhokair, Salman Abdulaziz Alhokair e Abdul Majeed Abdulaziz Alhokair e operava apenas duas lojas de roupas masculinas. Agora, a receita anual da empresa é U$ 1,5 bilhão, com média de 14% de crescimento. “Se não tivermos máster-franquia, não fazemos a operação. Nossa política é ter o país inteiro”.

Apesar de serem países sem tradição de varejo, os executivos identificaram potencial de consumo na região devido a fatores como a proibição das mulheres de trabalhar, o que as deixa com tempo livre suficiente para as compras. A não obrigatoriedade de pagamento de impostos foi outro atrativo. Dessa forma, tendo um empreendedor nativo, os outros executivos podem vir de outras nacionalidades.
É desta forma que Halfon foi parar no grupo e marcas de outros países passaram a compor o poderoso guarda-chuva. A Alhokair deu um novo passo no final de 2014: de franqueado passará a franquear marcas. Ao adquirir a rede espanhola Suiteblanco, que já está em 21 países com mais de 200 lojas, a empresa passou a deter os direitos de expansão. Já existem planos de mais 26 novas lojas em três continentes. Confira a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Halfon à Revista Franquia & Negócios ABF, durante sua passagem pelo Brasil.

Por que optaram por ser franqueados?
No mundo árabe não tinha nada de varejo. Então vimos que seria um bom negócio aproveitar marcas inglesas, espanholas ou italianas e abrir esse mercado com muito dinheiro, muito potencial de venda. A mulher não pode fazer nada, não pode dirigir, não tem cinemas, só pode comprar e mostrar a roupa para o seu marido e para as amigas. O consumo é muito alto. Pouco a pouco fomos levando marcas para lá.

Qual foi o ritmo de crescimento do grupo em 2014?
Ano passado abrimos 364 lojas, quase uma por dia.

Vocês também apostam em centros comerciais. Quais os ganhos com isso?
Franchising também é real estate (mercado imobiliário). Construímos estes centros comerciais e os ocupamos 60% a 70% com marcas nossas. Esses países não têm imposto, não têm a burocracia que tem no Brasil para abrir empresa, no entanto precisa contratar gente local. Eu não posso abrir lá, tem que ser com sócio árabe. Eles começaram e viram que tinha uma oportunidade de ouro para fazer as duas coisas: abrir lojas e centros comerciais.

Quantos centros comerciais vocês já têm?
Temos 13, todos na região da Arábia Saudita. Vamos abrir mais sete em dois, três anos. Somos muito rápidos, em dez meses abrimos um shopping ano passado.

Qual o faturamento do grupo atualmente?
Hoje está em U$ 1,5 bilhão. O crescimento mais alto foi entre 2012 e 2013, na média de 14%. Entre 2013 e 2014 não cresceu tanto, foi só 6%, porque nós abrimos muitas lojas nos Estados Unidos e foi um fracasso.

O que aconteceu nos Estados Unidos?
É um país muito bom, muito grande para os americanos. Já para as demais marcas não é fácil entrar. Fomos com redes espanholas e inglesas que não deram certo. Mesmo com a rede Mango, que é da América, é mais difícil. Nós ficamos com algumas lojas na zona de Nova Iorque.

Como vocês conseguem gerir marcas de tantos segmentos diferentes?
Não temos marcas Premium, todas são massificadas, para a classe média. Quando a marca entra no grupo, precisamos ter uma pessoa deles conosco. Quando eu trabalhava na Mango e nós abrimos loja na Arábia, em 1997, eu enviei uma pessoa. Ela ficou dois anos morando lá e cuidando dos negócios para poder ensinar aos outros. E sempre importam mão de obra, pois metade da população, as mulheres, não pode trabalhar.

Quais são os planos de expansão?
Estamos abrindo loja agora no Cazaquistão, Armênia, Geórgia e países que estão ‘mais virgens’ que o nosso. O mercado mais fácil do mundo é o da Arábia Saudita. Se for bem lá, é fácil exportar. Se não decolou, nem adianta mexer. É um país fácil para trabalhar e ganhar negócio. Já como franqueador, abrimos operação recentemente na França, Bulgária e Malásia e vamos abrir em El Salvador, Guatemala, Peru e Cuba. Onde tem mercado para entrar, nós entramos.

O Brasil é um desses mercados?
Percebo que com a população e a indústria que tem, o Brasil poderia ser muito mais exportável, mas não é. Não temos planos de trazer para cá. A questão tributária dificulta empreender no Brasil. Se é para moda, e você não fabrica uma parte aqui, é muito difícil, porque a alfândega é muito cara. Aí fica parado um mês, um mês e meio, e trocam muito rapidamente as leis. Já no Oriente Médio, tudo entra, 5% de alfândega e pronto. Temos aqui também o problema de hemisfério Sul e hemisfério Norte. Você não pode se prender a estações. Quando fabrica na Mango é inverno e aqui é verão.

Se uma marca brasileira quiser se juntar ao grupo para expansão, como faz?
Nós estamos negociando com a Puket. Tem que contatar alguém da nossa equipe. Se for uma marca interessante para nosso mercado, entramos como máster-franquia e levamos a todos os nossos países: Arábia, Jordânia, Egito etc. E tem que ter exclusividade, se não, não levamos.

 

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