Em busca dos anos dourados

Matéria reproduzida da revista Franquia Negócios – Edição 44

O novo máster franqueado da hamburgueria norte-americana Johnny Rockets revela os planos para o mercado nacional: abrir, no mínimo, 30 unidades em dez anos

Por Andréa Cordioli

Depois de quase uma década de batalha judicial no Brasil, a hamburgueria norte-americana Johnny Rockets está prestes a abrir as portas no País, em busca de reviver o clima dos Anos 50, marcado, principalmente, pelo surgimento do rock’n roll e por mudanças culturais e comportamentais na sociedade estadunidense, que incluíam mulheres mais femininas e glamourosas e jovens mais confiantes e rebeldes após a Segunda Guerra Mundial. É nesse clima que o franqueado máster para o Brasil do Johnny­ Rockets, Antonio Augusto Ribeiro de Souza, terá a missão de abrir 30 unidades no País em dez anos.

Engenheiro de formação, Souza não é novato no franchising. De 1996 a 2002, teve cinco unidades do McDonald’s em São Paulo e no Recife. Com a crise econômica em 2002 e o ambiente incerto causado pela chegada do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, Souza optou por voo solo. Decidiu buscar marcas de franquias nos Estados Unidos e fechou contrato de prioridade na negociação da máster franquia com o Johnny Rockets.

Antes de iniciar a operação no País, no entanto, a marca teria pela frente uma longa contenda judicial: provar que um brasileiro havia copiado o seu modelo de negócio e o implantado no País, com o nome de Rockets. No final de 2011, a Justiça brasileira determinou, segundo Souza, que o concorrente deixasse de usar o nome Rockets em sua fachada e concedeu o registro da marca no Brasil à hamburgueria norte-americana.

‘Ele é um clone bacana e não estou preocupado com isso. A minha política não é de confronto’, diz.

Em meio a quase dez anos de batalha judicial, Souza também foi franqueado, de 2004 a 2007, do Joe Leo’s, do Montana Grill e do Big X Picanha. Nesse período, também abriu a sua marca própria, a Well’s Group, que tem dois modelos de negócios de alimentação baseados em shopping centers: o American Well’s Dinner e o Fresh Food Company Well’s Express. ‘Quero fazer um banco de marcas’, almeja o empreendedor.

Antonio Augusto Ribeiro de Souza, máster franqueado do Johnny Rockets para o Brasil

Mas no momento, além da atuação junto à marca própria, Souza concentra os esforços no início da operação do Johnny Rockets. A primeira loja deverá ser aberta até março de 2013 na Zona Sul ou Oeste de São Paulo: ‘Estamos prospectando o mercado imobiliário. A primeira loja deveria ser, idealmente, de rua, mas, devido à dificuldade de ponto e de legislação, uma loja de shopping poderá ser uma alternativa mais viável’, afirma.

Segundo Souza, as unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro serão próprias, mas no restante do País poderão ser feitas parcerias, como joint-ventures, nas quais os sócios terão, no máximo, 35% do capital social. Já a abertura de lojas no modelo de franquia só deverá ocorrer a partir de 2016. Neste caso, a taxa inicial de franquia está prevista em US$ 90 mil, os royalties em 6% e a taxa de propaganda em 2%.

Segundo ele, o valor do investimento é de R$ 2 milhões por loja, perfazendo um total de R$ 60 milhões nas 30 lojas que ele se comprometeu a abrir em dez anos: ‘Mas acho que abriremos mais lojas do que isso. A ideia é termos 50 lojas em vinte anos, com forte penetração no interior de São Paulo, Norte e Nordeste’, afirma.

As unidades do Johnny Rockets podem variar de 50 metros quadrados a 400 metros quadrados, sendo o principal alvo os espaços entre 250 metros quadrados e 300 metros quadrados, com capacidade para 180 a 200 lugares.

Pontos comerciais

Nos Estados Unidos, a marca tem forte presença em pontos não convencionais, como estádios, parques temáticos, aquários, cassinos, portos marítimos, bases militares, strip centers, faculdades, aeroportos e em todos os navios da Royal Caribbean. Souza quer repetir a estratégia no Brasil, expondo a marca em locais de grande fluxo. Mas não com foco em shopping center.

A ideia, diz ele, é fugir do conceito de fast-food e se enquadrar como um casual dinner ou uma hamburgueria gourmet. O executivo reconhece que algumas marcas americanas que vieram ao Brasil para operar na categoria de casual­ dinner não tiveram sucesso em suas operações.

‘O Brasil é um mercado de casual dinner e só não deu certo antes porque não foi operado por pessoas certas. O Friday’s era operado por uma construtora, o KFC era administrado por um banco de investimento e a Pizza Hut era gerida pelo empresário Ricardo Mansur, que não tinha experiência no varejo alimentício. Por que o Outback dá certo? Porque é operado por quem entende. No exterior, o Johnny Rockets é lotado de brasileiros e existem garçons que falam português para atender a demanda’, afirma Souza.

Hoje, o Friday’s procura parceiros para retomar a operação no Brasil, enquanto o KFC e a Pizza Hut acertaram o passo nas mãos do Grupo BFFC, que também comanda o Bob’s, o In Bocca Al Lupo e o Doggis. Outra marca que teria enfrentado problemas quando entrou no País com uma operação não aculturada – vendia, por exemplo, sanduíche de almôndega fria -, e apresentava uma equação financeira deficiente e um máster franqueado inexperiente no setor foi o Subway. Hoje, sob um novo comando, a rede já apresenta bons resultados.

Cardápio nacional

No Brasil, o Johnny Rockets pretende fazer adaptações do cardápio ao gosto local, como oferecer hambúrguer de picanha, e propor diferenciais como o prato sênior, para pessoas com mais de 60 anos: elas terão direito a preços mais atrativos e comida com menor teor de sal.

‘Vamos oferecer uma comida honesta e barata para as classes A, B e C e de todas as idades. Nossos ambientes terão luminosidade baixa e permitirão que A converse com B e B com C. É preciso haver coerência na comunicação. Esses são códigos culturais’, diz. Tudo isso será regido pelo som da tradicional jukebox, máquina que reproduz músicas quando são inseridas moedas e que caracterizou a operação do Johnny Rockets no exterior.

A marca também tem planos ousados para além do território nacional. Segundo o vice-presidente sênior de desenvolvimento internacional do Johnny Rockets, Steve Devine, além dos acordos no Brasil e no Chile, a empresa está finalizando acordos com Equador e Peru.

‘O nosso objetivo é abrir restaurantes em comunidades prósperas na América Latina’, afirma.
Devine se diz entusiasmado com a entrada do Johnny Rockets no Brasil e diz esperar por uma recepção positiva, assim como tem ocorrido em outras regiões como México, Ásia e Oriente Médio. ‘Oferecemos uma experiência não muito diferente de um teatro musical e com uma comida realmente saborosa’, afirma, ao apontar um dos diferenciais da marca: a dança dos garçons.

O Johnny Rockets foi fundado em 1986 em Los Angeles, na Califórnia, e tem grande penetração na Costa Oeste dos Estados Unidos. Tem cerca de 380 unidades em 19 países e sua meta é alcançar 1 mil unidades até 2017. Por ano, serve 17 milhões de hambúrgueres. A marca emprega cerca de 7,5 mil pessoas em todo o mundo e vende mais de US$ 300 milhões por ano.

No Brasil, a expectativa de Souza é faturar cerca de R$ 500 mil por loja: ‘Busquei essa marca por anos. Esse é o negócio da minha vida e sei que será um grande sucesso no País, pois o Johnny Rockets tem o perfil do brasileiro’, diz.

E ele dá os ingredientes para o que considera a receita do sucesso: ‘A atenção é tudo. Se você atende bem o cliente, consegue reverter percepções. O cliente sai de casa para ter uma ótima experiência e não uma boa experiência. Esse é o grande desafio e é difícil porque lidamos com pessoas. Mas aprendi que é preciso treinar 24 horas por dia para o negócio deslanchar’.

Se isso realmente ocorrer, a comunicação indecifrável no Johnny Rockets ficará restrita ao verso ‘a whop bop a loom a whop a lop bam boom’, criado por Little Richard, um dos desbravadores do rock, na música Tutti Frutti, que costuma fazer parte do repertório de máquinas jukebox e que, possivelmente, ecoará pelas unidades da nova hamburgueria.

 

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