De portas abertas

Matéria reproduzida da revista Franquia Negócios – Edição 44

Com o crescimento do setor de franquias, processo para a concessão de crédito está menos burocrático

Como muitos brasileiros, Geraldo Amorim, de 62 anos, resolveu ser dono do próprio negócio, quando se aposentou. Com recursos próprios, ele e os filhos investiram na AlphaGraphics, franquia de serviços gráficos. Estava tudo certo no papel. Contudo, os recursos não eram suficientes para colocar a unidade em operação.

Após uma conversa com o gerente do banco, Amorim conseguiu, em cerca de vinte dias, a liberação do crédito para financiar os equipamentos e ter capital de giro inicial.

‘O que mais me surpreendeu é que eu não tinha histórico de receita. O meu negócio não existiria sem esse crédito’, acredita.

Amorim é um dos empresários que tem se beneficiado com a maior abertura do setor bancário ao segmento de franquias. Os bancos estão facilitando os processos e o acesso aos produtos e o resultado é a diminuição da burocracia, avalia o consultor financeiro da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Walter Batista.

‘Antes, os bancos tinham receio de atuar para um sistema que eles não conheciam. Ao longo dos anos, eles perceberam um processo de profissionalização do setor de franquias, que culminou na minimização do risco’, diz.

E quanto menor o risco do negócio, mais fácil fica o processo de obtenção de crédito. Para Batista, a tecnologia também tem a sua parcela de contribuição nesse cenário – ela contribuiu para agilizar os processos de uma maneira geral, e o segmento de franquia só ganhou com isso, ressalta ele.
Processos mais ágeis, com ferramentas de última geração, também são consequências do novo cenário pelo qual os bancos passam, afirmou o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Egydio Setúbal.

‘Os juros estão cada vez menores e não antevejo altas nos próximos anos. Com isso, a pressão por resultados nos bancos é cada vez maior e a tecnologia nos ajudará a conferir maior eficiência aos processos, não apenas operacionais, mas na concessão de crédito’, disse Setúbal, durante apresentação na 22ª edição do Ciab – Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras, realizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo.

A proximidade entre os franqueadores e as instituições bancárias também é parte fundamental na diminuição dos obstáculos, destaca o executivo.

Se antes, um empresário do setor demorava em média 60 dias para conseguir o crédito, hoje, ele o obtém em cerca de 30 dias, de acordo com Batista.

‘Em conjunto com a rede franqueadora, o banco otimiza o processo de análise. Com parceria, o tempo de concessão leva, em média, 15 dias’, afirma.

Dos mais de um mil associados à ABF, cerca de 20% tem convênios com bancos para facilitar a abertura e a operação dos franqueados. Há cinco anos, afirma Batista, esse número não passava de 70 marcas.

Esse tipo de parceria contribuiu para a expansão dos negócios de Acy Pedroso Neto, de 29 anos, dono de uma franquia da inFlux English School. Segundo ele, a abertura da segunda unidade da marca só foi possível com recursos bancários.

‘Eu fiz uma simulação com a minha gerente, mas os juros eram altos e a burocracia era grande. Então, conversei com a minha franqueadora e soube que eles tinham convênio com um banco. Com certeza, eu teria mais dificuldade para obter crédito fora da parceria’, conta o empresário.

Crescimento

‘A parceria com o franqueador simplifica muito o nosso trabalho e a concessão de crédito’, afirma o superintendente de Franquias do HSBC, Wilmer Carreiro. Com ela, diz, o banco faz toda análise da marca e o resultado é um tempo menor de obtenção do crédito por parte do franqueado: em média, são cinco dias úteis para qualquer linha, informa.

Hoje, o banco tem parceria com 58 marcas de franquias e a expectativa é alcançar 80 marcas até o final deste ano. Esses convênios, informa o banco, já beneficiaram três mil franqueados, que buscaram, principalmente, crédito para capital de giro e descontos de recebíveis. ‘Investir em franquias é interessante, porque o setor vem crescendo’, justifica Carreiro.

Para lidar com franqueadores e franqueados, os bancos investem em pesquisa do setor. E, com isso, agilizam ainda mais os procedimentos. Pesquisar e conhecer o setor a fundo é uma das estratégias do Santander para diminuir o tempo de resposta dos processos e criar produtos adequados aos empresários do setor de franquias, afirma a superintendente de produtos para Pequenas e Médias Empresas do banco, Cristiane Nogueira.

‘Com isso, a gente consegue ser mais assertivo na oferta. Nosso trâmite para crédito é normal, mas é na proximidade entre cliente e gerente que tiramos a diferença na resposta’, diz.

De acordo com ela, essa proximidade é um dos diferenciais do banco para os pequenos e médios empresários. O mesmo gerente pode cuidar das contas pessoal e jurídica dele. E, ao abrir a conta, ele já tem crédito pré-aprovado.

‘O limite é de acordo com o volume de faturamento’, explica.

Com as pesquisas, é possível oferecer produtos específicos e personalizar os processos, como ocorre na Caixa Econômica Federal, de acordo com o superintendente nacional de Micro e Pequena Empresa do banco, Dário Castro de Araújo.

‘O modelo de avaliação do Caixa Franquias foi desenvolvido especificamente para atender o setor, que possui características próprias que não estão presentes no varejo em geral, em especial a relação franqueador e franqueado e o repasse de expertise’, afirma.

Na instituição financeira, assim como ocorre em outros bancos, o franqueador passa por um processo de qualificação, simplificando, assim, a burocracia para o franqueado.

‘Após a aprovação na avaliação de risco de crédito e mediante a concordância da empresa com valor passível de contratação e suas condições, o cadastramento da operação pode ser realizada no mesmo dia’, afirma o executivo.

Para Walter Batista, os bancos estão fazendo a lição de casa. ‘O desafio é que as instituições financeiras intensifiquem e facilitem os processos internos’, avalia. Ele acredita que também cabe aos franqueadores investirem mais em parcerias com o setor bancário. ‘Ter uma instituição financeira sendo sua parceira é fundamental para ter sucesso.’

 

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