Eles não tinham nada, só o sonho

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Matéria reproduzida da revista Franquia Negócios – Edição 48

A rede de ensino profissionalizante Evolute teve início precário há cinco anos, mas sobreviveu, cresceu e hoje se destaca no Vale do Paraíba, em São Paulo

Por Paulo Gratão

A rede de escolas de cursos profissionalizantes Evolute tem 22 franquias em fase de implantação em 2013. Se tudo ocorrer como o planejado, o faturamento alcançado no ano passado deve ser triplicado este ano e a centésima loja deve ser aberta. Hoje com faturamento mensal de R$ 1,3 milhão, a rede foi fundada em 2008 com capital baixo e o sonho em comum dos sócios.

Cansado de ter suas ideias podadas por executivos de grandes empresas do ramo, o então gerente de uma escola profissionalizante, Alexandre Loudrade, 31 anos, decidiu que era hora de dar um novo rumo a sua vida profissional. Ao perceber que sendo funcionário sempre enfrentaria dificuldades semelhantes, pensou que criar seu próprio negócio era a única alternativa.

Alexandre conseguiu um capital emprestado de R$ 3 mil, móveis que teria que devolver e oito computadores velhos e alugados. O espaço utilizado para dar início ao seu empreendimento foi o sobrado – também alugado – que servia ainda como sua residência. O empreendedor tinha o objetivo de conseguir 120 alunos com um pró-labore de R$ 2 mil mensais.

Mas o negócio tomou proporções maiores. `Quando entrei para a sociedade iniciamos um projeto de sermos a maior rede de escolas de cursos  profissionalizantes e idiomas do Vale do Paraíba (eixo São Paulo – Rio de Janeiro)`, afirma o sócio de Alexandre, Vinicius Almeida, 34 anos.

Os dois se conheceram em 1999, quando trabalharam em uma escola profissionalizante em São José dos Campos (SP). Apenas vinte dias após a abertura da Evolute, Vinicius comprou metade das ações investidas por Alexandre em dez parcelas de R$ 150. Assim como o sócio, ele não tinha capital, mas isso não era o mais importante no momento. A experiência comercial de Vinicius favoreceu o crescimento e a expansão da rede.

No início, os dois sócios lutavam para que a empresa pagasse suas próprias contas, até que conseguiram enxergar saldo positivo na primeira unidade em Taubaté (SP). Vinicius e Alexandre identificaram que seria o momento de abrir a segunda unidade, dessa vez em Pindamonhangaba, distrito de Moreira César (SP). Para completar o investimento necessário para a empreitada, Vinicius teve que trocar seu Fiat Uno por sete computadores.

Uma nova era de capital escasso para a dupla, mas agora, com a estratégia de marketing aperfeiçoada, o problema financeiro logo foi resolvido. `Poucos meses depois essa mesma unidade que levou meu Fiat Uno me devolveu um Honda Fit. A partir disso, com ainda mais expertise e capital não paramos: abrimos a terceira, a quarta, a quinta unidade, até chegarmos as 13 escolas próprias e 49 franquias que temos hoje`, conta o proprietário da Evolute.

O franchising os procurou

Diferente de outras escolas profissionalizantes que já nascem tendo o franchising como meta, a Evolute queria ter todas as unidades próprias. Tanto é que já possuem 13 e ainda pretendem abrir mais 17. `Chegamos ao franchising por acaso, na verdade ele bateu à nossa porta, não fomos nós que buscamos`, revela Vinicius.

Em menos de três anos de atuação, a Evolute já tinha seis escolas próprias na região do Vale do Paraíba. Um empresário de Lorena (SP) acompanhava a trilha de crescimento dos sócios e queria adequar o seu negócio ao formato da marca. Vinicius e Alexandre não aceitaram a proposta e impuseram condições.

`Ele queria integrar a escola dele à nossa, usar a mesma marca e firmar parceria. Dissemos que não iríamos trabalhar por ele. A escola dele seria formatada no nosso modelo, eu iria treiná-lo e ele aplicaria os conceitos de gestão e marketing lá`. Ele aceitou e se tornou o projeto piloto do modelo de franquias da Evolute.

`Em seis meses, a escola dele, que faturava mensalmente R$ 7 mil, passou a ganhar R$ 32 mil. A partir daí percebemos que o nosso modelo de negócio realmente era franqueável`. Com isso, os sócios resolveram aderir ao modelo de franquias, mas sem deixar as escolas próprias de lado. Além de São Paulo, existem unidades em Palmas (TO) e Cuiabá (MT) que permitem, na visão de Vinicius, sentir as necessidades locais de cada uma e assim auxiliar melhor os franqueados.

A nova fase da Evolute exigiu mudanças estruturais na rede. A sede administrativa funciona em um prédio ao lado da primeira unidade em Taubaté. Cerca de vinte consultores e novos colaboradores foram contratados, bem como funcionários experientes foram promovidos para prestar suporte aos franqueados.

`Desenvolvemos os manuais de gestão e operação do negócio, o programa de treinamentos e por fim fizemos a filiação à Associação Brasileira de Franchising (ABF)`. A Evolute adota três tipos de franquias: Fit (30 metros quadrados), microfranquia (50 metros quadrados) e franquia plena (90 metros quadrados). O investimento varia de R$ 5 mil a R$ 21 mil e o prazo de retorno ao franqueado vai de nove a 16 meses. Quando entrevista os candidatos a franqueado, Vinicius busca identificar no olhar da pessoa algo que lembre suas próprias características ou as de seu sócio. `Procuro pessoas com disposição para ouvir, aprender e aplicar com determinação, foco e estratégia os conceitos do meu negócio, de maneira que se tornem tão bem sucedidas e prósperas quanto eu`.

Persistência

Diante de um negócio promissor, mas sem os recursos necessários para levá-lo adiante, Vinicius admite que chegou a fraquejar e pensou em deixar tudo. `Eu seria leviano se dissesse que nunca pensei em desistir no início, mas não tínhamos o direito de não dar certo, devíamos isso a nossas famílias e a nós mesmos`, lembra.

Se o empenho de Alexandre e Vinicius como funcionários de outras companhias tinha surtido bons frutos, por que seria diferente com um negócio próprio? Essa era a primeira motivação que os levava a persistir com o negócio, mesmo nas adversidades. `Era vencer ou vencer, então superávamos a falta de recursos, com força de vontade, planejamento, estratégia e muita garra`, afirma.

O proprietário da Evolute costuma utilizar a sua experiência, inclusive essa insegurança no início do negócio, para encorajar novos empreendedores que se tornem franqueados de sua marca. `Costumo aconselhar aos meus franqueados que resistam e superem as dificuldades iniciais do primeiro e segundo mês de operação do negócio, pois com estratégia, foco e perseverança as coisas se ajeitam`.

Capital de R$ 3 mil, móveis emprestados e oito computadores velhos e alugados eram o patrimônio da Evolute no início, em 2008
`Chegamos ao franchising por acaso, na verdade ele bateu à nossa porta, não fomos nós que buscamos` Vinicius Almeida, sócio da Evolute

 

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