Da indústria para o franchising: como as marcas fazem a transição?

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Empresas que costumam trabalhar apenas com distribuição de produtos escolhem o franchising para adentrar No varejo. Saiba como é feito e quais são os cuidados

Ter uma ligação direta com o consumidor é o sonho de boa parte da indústria.

Com a prerrogativa de passar por distribuidores ou varejistas antes de chegar às mãos de quem realmente vai usar o produto, a marca precisa embutir toda a experiência que quer passar apenas no item.

Muitas têm atravessado esse portal nos últimos anos.

Um exemplo recente foi a Casa Bauducco, que se tornou uma rede de franquias de cafeterias, e oferece panetones durante todo o ano, além de outros tipos de refeições.

Para se diferenciar do que já é vendido em outras varejistas, a fabricante optou por fazer uma linha própria para as cafeterias e criar uma atmosfera que envolva o consumidor.

“Eles souberam respeitar o canal de distribuidores e criaram um novo conceito, uma nova marca, efetivamente dentro do conceito de negócio”, analisa Thaís Kurita, sócia do escritório Novoa Prado e Amendoeira Advogados.

Serviço complementar

Recentemente, quem se aproximou do consumidor final foi a Unilever, por meio da Omo Passa Fácil.

As microfranquias, que antes eram conhecidas como Mania de Passar, têm a missão de complementar a experiência do usuário que já conhece os produtos Omo.

O serviço foi idealizado como um ecossistema, que cuida da entrega e retirada das roupas, para que o franqueado organize seu horário e trabalhe de casa.

“Desenvolvemos um modelo fácil e prático para quem investe na franquia e a experiência é incrível tanto para quem passa, quanto para quem recebe suas roupas com o cuidado de Omo”, comenta o vice-presidente de marketing da Unilever Brasil, Eduardo Campanella.

Franchising é reforço de marca

A Liz Lingerie também optou por fazer lojas próprias da marca, depois de anos apenas como distribuição.

“Enxergamos o franchising, primeiramente, como uma das maiores forças de ‘branding’, o ‘templo’ da marca, com toda a sua experiência”, explica a CEO da marca, Lígia Buonamici.

Por ser uma força de marca, ela acredita que o sistema demanda muita gestão operacional, de relacionamento e financeira.

“Como somos indústria e iniciamos o negócio no varejo multimarca, adaptamos as áreas afins e criamos uma estrutura separada para franquias no que era específico, mas totalmente gerenciado internamente”, explica.

O “saber varejar”

Na transição, a indústria acaba tendo dificuldades por não possuir o know-how de varejo e franquias, de acordo com Thaís Kurita.

No entanto, o setor acaba chamando mais atenção, pois o franqueado é o dono da operação que ele vai comandar, logo pode ser mais eficiente do que um gerente ou a própria indústria.

“Tem um fortalecimento da marca que não tem preço. É algo que a indústria não consegue com os distribuidores”, explica.

Cuidados

Um dos grandes desafios, na visão da especialista, é como ir para o varejo e respeitar a cadeia de distribuidores, que pode fazer parte do negócio há anos.

“Como eu monto um canal respeitando aquele parceiro de tantos anos? Como eu não abalo essa minha parceria?”, comenta a especialista.

Quando não se respeita esses limites, crescem as chances de ter problemas para o franqueado e para a indústria.

“Preciso pensar o que agrega ao produto, o que minha franquia tem de diferente da prateleira do supermercado, por exemplo? O que eu ofereço de diferente para o franqueado?

Eu devo ter esse cuidado de formatar o negócio quando há uma indústria por trás”, afirma.