Café da Manhã Jurídico ABF analisa o compliance nas redes de franquias

Compliance
Associados acompanham a palestra de Marcio Barreto (KPMG): compliance em foco

A “Cultura de Compliance nas Redes de Franquias” foi o tema analisado no Café da Manhã Jurídico da ABF deste mês. O evento reuniu associados na sede da entidade em São Paulo na no último dia 21/3.

Márcio Barreto, sócio-diretor da KPMG, e a advogada Vivian Kurtz, diretora jurídica e de compliance da rede DIA%, apresentaram as principais questões que envolvem o assunto. O termo originário do inglês “comply” significa “agir de acordo com” as regras e padrões estabelecidos.

Compliance
Marcio Barreto e Vivian Kurtz durante o Café da Manhã Jurídico ABF

“Tudo é compliance”, afirma Barreto. Na visão do executivo, “o compliance está muito mais acima do que simplesmente um programa em que a gente formaliza as regras, as normas internas da empresa. Ele está na ética de todas as pessoas envolvidas”.

No entanto, apesar da relevância cada vez maior do tema no País, especialmente para as corporações, são necessários avanços. De acordo com uma pesquisa da KPMG sobre a maturidade do compliance no Brasil, 42% das empresas pesquisadas desconhecem ter mecanismos de compliance e 43% delas não possuem investimentos razoáveis na área.

Usado como ferramenta de gestão, o compliance possibilita supervisionar e monitorar os eventos relacionados, além de identificar, avaliar e prevenir riscos à empresa, tanto internos, como de mercado, em sua imagem ou reputação.

A reputação é, aliás, uma das maiores preocupações das empresas na atualidade. “Hoje com as mídias sociais, com todos os escândalos de corrupção levantados nos últimos anos, Lava-Jato, Mensalão, as empresas estão muito preocupadas em mostrar, não só parecer, mas mostrar seriedade,” ressalta Barreto.

O executivo adverte, porém, que o programa de compliance em si não é tudo. Deve haver um aculturamento da organização a ele e, segundo Barreto, este é um processo complexo.

Dentre os principais benefícios na implementação de um programa de compliance, o especialista destaca três: prevenir e detectar riscos de compliance e regulatórios; proteção à marca, à imagem e à reputação das organizações e maior competitividade e atratividade do negócio.

Compliance nas redes de franquias

Vivian Kurtz falou sobre como estruturar um programa e os principais desafios do compliance para as redes de franquias. “Trata-se de uma questão reputacional”, afirma.

De acordo com a executiva, para se estruturar um programa de compliance na rede é preciso conhecer o negócio: estrutura societária, produto, logística, distribuição, clientes e atividades agregadas.

Por se tratar de um processo de aculturação da empresa ao compliance, Vivian observa que a cúpula da organização tem um papel fundamental para que ele seja incorporado e permeie toda a empresa. “Cultura comportamental é implementada através de exemplos, refletidos sobretudo na hierarquia mais alta da empresa. Ela é a guardiã da cultura de compliance na empresa.”

A tríade missão, visão e valores da empresa está relacionada ao programa de compliance. Segundo a advogada, no processo de implementação do compliance na rede, depois de mapear o negócio, deve-se criar a missão, a visão e os valores e estes é que darão sustentação para o cumprimento da missão.

“O compliance tem uma função muito importante na solução dos problemas”, afirma Vivian. Por meio do programa, a rede de franquias tem capacidade de detectar situações críticas e agir preventivamente, em conformidade com seu código de conduta ética, sua missão, visão e seus valores.

Ambos os especialistas ressaltaram que implantar um programa de compliance exige investimentos. Segundo Barreto, em média são gastos de 2% a 5% da folha de pagamentos com a área. “Tem custo, mas também retorno,” garante Vivian.

Fotos: ABF/Divulgação