Varejo e franchising brasileiros vão à China e viajam para o futuro

China
Painel Franchising reúne André Friedheim(ABF), Andréa Kohlrausch (Calçados Bibi), Luciano Kleiman, Maurício Turquenitch (Arezzo&Co) e Cristina Franco (ABF) e Carla Sarni (Sorridents) - (a partir da dir.)

Ir à China é viajar para o futuro.  Não por acaso, foi este o tema do evento promovido nesta segunda (7/10), pela Cidade Center Norte, ABF e BTR-Varese, no Expo Center Norte, em São Paulo. Realizado após uma missão ao gigante país oriental com dois grupos, reunindo 98 participantes, o evento trouxe os principais insights e experiências vivenciadas do outro lado do mundo para uma plateia de cerca de 400 pessoas, entre elas profissionais e líderes do varejo e do franchising no Brasil.

O evento contou com palestras de Eduardo Terra, fundador da BTR e presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, curadores da missão, e três painéis temáticos.  De acordo com Terra, viajar para a China “é uma oportunidade de conhecer o futuro, voltar a tempo de repensarmos nossas estratégias e caminhos, repensar suas referências, seus modelos de gestão, seus concorrentes, seus modelos de inovação e suas crenças”.

Três elementos arraigados à cultura chinesa explicam o crescimento exponencial dos negócios no país. “Disciplina, pragmatismo e meritocracia em todos os níveis fazem crescer os negócios na China. No Brasil esse é um gap fundamental”, afirmou Serrentino.

No Painel Franchising, moderado por André Friedheim, presidente da ABF, foram evidenciados os pontos-chave da missão aplicados ao franchising brasileiro. O painel reuniu Cristina Franco, ex-presidente e membro do Conselho da entidade, Andrea Kohlrausch, presidente da Calçados Bibi, Carla Sarni, presidente da Sorridents, Maurício Turquenitch, CDO da Arezzo&Co, e Luciano Kleiman, executivo de varejo e franchising.

Andréa destacou que a Bibi exporta para mais de 65 países e opera no e-commerce e com lojas multimarcas da China. A executiva observou que na visita técnica ao Alibaba, um dos maiores grupos de e-commerce do mundo “deixou muito claro que em primeiro lugar está o consumidor, em segundo os colaboradores (gente) e em terceiro o acionista”. Para Andréa, o desafio para as empresas brasileiras é analisar a China, enfocando o consumidor em todos os ecossistemas. “As nossas organizações precisam trabalhar culturas organizacionais mais fortes, mais horizontalizadas (…) com diversos grupos multidisciplinares, diversas áreas (…) para implementar os nossos projetos no Brasil”, defendeu.

Algo aparentemente simples, mas que mostra a forte cultura organizacional do Alibaba, impressionou Kleiman: um tapete com marcas de mãos. Isto porque o fundador Jack Ma estimula seus colaboradores a “plantar bananeira” para enxergar o mundo de outra forma. “Tentar entender a cultura chinesa de coração aberto ajuda a entender a China”, disse. O executivo, ao observar a realidade do franchising brasileiro, afirma que a loja física permanece relevante e o modelo de franquias se perpetua.

Já Turquenitch ressaltou que, em se tratando da China, “é muito importante desaprender, desconstruir para poder construir sob a nossa visão”. Para o executivo, três pontos devem ser destacados no varejo e no franchising chineses: a conveniência como um ponto-chave, o digital como estratégia de crescimento e a execução como grande palavra-chave.

Cristina Franco esteve pela terceira vez na China e entre as lições para o franchising brasileiro, a conselheira da ABF destacou alguns pontos. Lá, a consultoria de campo continua a existir, disse. “Validar a operação do nosso varejo físico, do nosso franchising, continua sendo um sistema de quem tem muita disciplina…  Disciplina e boa execução: isso é algo que o varejo brasileiro pode trazer para si e que já faz bastante”, salientou.

Outra questão observada por Cristina é a cultura lúdica do chinês, que traz para o dia a dia do consumidor o jogo, o colorido, que, segundo ela, também está presente em algumas marcas de franquias do Brasil. A especialista defendeu: “Temos que colocar o nosso jeito de fazer, o nosso ‘borogodó’, a nossa cultura”. Ainda segundo Cristina, o franchising já tem a cultura do compartilhamento, vale agora trazer leveza para as operações físicas. “Da mesma maneira que, na nossa disciplina de frequentar a NRF, de entender o que é tudo o que vem de novo (…) da cultura e da economia americana, a gente tem que mudar o mindset e entender tudo o que é relevante e fazer isso com a China”, completou.

“Foi uma experiencia incrível”, disse Carla Sarni. Um dos principais insights trazidos pela fundadora da Sorridents foi: “Escalar é uma questão de sobrevivência para quem quiser se manter no mercado”, ressaltou. Carla observou também o quanto o foco em se manter a disciplina é fundamental para os chineses, e o quanto os jovens estão mudando a China. “Tudo o que você vê lá tem inovação e tecnologia extremamente avançada”, afirmou.

China
A senadora Kátia Abreu (PDT-TO) e o diretor executivo da ABF, Marcelo Maia, durante o evento

China tem compromisso de Estado
Marcelo Maia, diretor executivo da ABF, no painel com a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) observou aspectos políticos, históricos e culturais da China sob a ótica dos negócios aplicados ao Brasil.

Segundo Kátia, ela decidiu ser uma fazendeira de sucesso, com obstinação e senso de urgência que são muito próprios do povo chinês.

A senadora analisou a questão sobre como superar toda obstinação da China e o sistema político centralizado nas decisões. “Decidiu, descentraliza. E lá não existe promessa de político, de governo, existe compromisso de Estado”, assinalou.

Trazendo sua experiência como líder de 185 parlamentares na bancada ruralista, Kátia explicou que o grupo atua com foco e no sistema “um por todos e todos por um”.

O Senado possui 13 comissões permanentes. A próxima comissão que, disse a senadora, será forte é a de varejo e e-commerce. Segundo ela, será protocolada formalmente e passará por duas comissões para ser aprovada. Em um projeto que definiu como urgente, Kátia pediu o auxílio das entidades na elaboração da regulamentação do e-commerce e das startups.

No painel Varejo, sob moderação de Gabriela Baumgart, coordenadora do Comitê de Estratégia e Inovação da Cidade Center Norte, as lições do setor varejista chinês foram analisadas por Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luíza; Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers; Hector Nuñez, CEO da Ri Happy e Thiago Hering, COO da Cia. Hering.

“Voltei impossível”. “Eu que já era rápida, voltei rapidíssima”, disse Luíza. A executiva havia ido à China em 2007 e retornou agora assustada com tudo que viu. Segundo ela, os chineses deixaram de ser seguidores, copiando tudo, e passaram a ser seguidos. “Eles criam o caos… Vão fazendo… E eu adoro o caos. Depois de criar o caos, eles organizam”, afirmou.

A executiva observou que as empresas brasileiras devem ter uma mudança de mentalidade ao olhar para a China e mudarem rapidamente. Devem agir como startups. “Vai tentando, não deu certo, muda (…). Não fiquem com projetos na gaveta”, advertiu.

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Fotos: ABF/Divulgação