Pulo do Empreendedor

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Afinado com o franchising

Revista Franquia & Negócios Ed. 50Rede norte-americana School of Rock, que inspirou filme homônimo, chega ao Brasil e procura empreendedores apaixonados por música

Ao andar pela unidade da School of Rock, em São Caetano do Sul (SP), e cruzar o olhar com um aluno de dez anos ansioso para ter uma banda de rock, o sócio e diretor musical da unidade, Ricardo Fernandes, de 23 anos, consegue enxergar a si mesmo com aquela idade. O empreendedor lembra quando assistiu o show da banda Red Hot Chilli Peppers, no início da década passada, e saiu da apresentação decidido: queria tocar como o John Frusciante, guitarrista do conjunto na época.

O tempo passou, Ricardo tornou-se professor de música, lecionou em algumas escolas e ministrou aulas particulares com seu próprio método: ensinava teoria só depois que o aluno tivesse contato com as aulas práticas, o contrário do que era oferecido pela maioria das escolas de música. “Pela minha experiência, percebo que no início todo mundo procura estudar música porque quer aprender a tocar, por hobby. Depois pode virar profissão ou não”, afirma.

Faz dois anos que Ricardo conheceu a School of Rock, escola de música dedicada ao rock’n roll fundada em 1998 na Filadélfia, no estado da Pensilvânia (EUA). Pautada pelo princípio de que o melhor meio de aprender música é tocando música, o professor viu que a metodologia empregada na escola era igual à sua e que havia a possibilidade de trazer uma franquia da marca para o Brasil.

“O reconhecimento e a estrutura da School of Rock fizeram com que meus três sócios e eu optássemos pelo franchising. Tem mais visibilidade. Até por ter surgido o filme em 2003”, explica. O filme a que Ricardo se refere é o Escola do Rock (School of Rock, em inglês), comédia norte-americana estrelada por Jack Black e distribuída pela Universal Pictures, que surgiu depois da fundação da escola, em mais um caso hollywoodiano de ‘a arte imita a vida’.

Franquias

Segundo o CEO global da marca, Chris Catalano, o modelo de franchising foi escolhido por facilitar o contato do proprietário da escola com as necessidades da comunidade local, viabilizando a abrangência do negócio. Atualmente, existem 119 unidades da School of Rock em nove países: Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Estados Unidos, Filipinas, México, Panamá e Reino Unido. “Temos tido grande sucesso em encontrar parceiros empresariais que amam música e negócios e inspiram os outros”, afirma Catalano.

A expectativa do CEO é abrir de 10 a 15 escolas ainda esse ano, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países. Ricardo, o franqueado da única unidade brasileira até o momento, espera inaugurar, com seus sócios, mais quatro franquias na Grande São Paulo nos próximos cinco anos. A unidade de São Caetano do Sul atende atualmente toda a região do ABCD Paulista e mais alguns bairros da capital paulistana. As zonas Sul e Oeste de São Paulo estão no radar do empreendedor.

Outra nova franquia da School of Rock está em processo de instalação no bairro paulista de Moema, mas pelas mãos de outros empresários que constantemente visitam e mantêm contato com a unidade de Ricardo. “A ideia da School of Rock não é funcionar como escolas separadas, todas fazem o festival juntas”.

Catalano estuda a nomeação de máster-franqueados para atender unidades internacionais. Enquanto isso, as dúvidas de Ricardo e de outros franqueados de diferentes países são sanadas com uma supervisora de franquias internacionais que realiza videoconferências semanais. “Eles dão todo o suporte que precisamos. Fizemos treinamento em Los Angeles e na Bélgica sobre como receber visitantes e organizar shows, festivais e métodos de ensino”, conta o franqueado de São Caetano do Sul.

No material de franchising da marca consta uma estimativa de investimento variável de US$ 141,8 mil a US$ 328,6 mil, de acordo com o tamanho da escola e outros itens inclusos no pacote. A taxa de franquia é de US$ 49,5 mil e a taxa de royalties é de 8% mais 3% de fundo de propaganda.

Festivais

Revista Franquia & Negócios Ed. 50Apesar de viver em um país musicalmente diversificado como o Brasil, Ricardo considera que o estilo ensinado por sua escola encontra grande público cativo e que festivais como os que têm sido recorrentes nos últimos anos – Rock in Rio, Lollapalooza, entre outros – servem para reciclar o público.

“O rock sempre vai estar presente. Só por ser um estilo que lota estádios, mostra que ainda está vivo. O Brasil é uma comunidade apaixonada pelo rock’n roll. Nós sentimos que é um mercado maduro para a expansão de nossa abordagem para a educação musical”, afirma.

As turmas na School of Rock são separadas por idade, entre sete e 17 anos, em sua maioria. Todo o material didático é cedido pela franqueadora e tem como base músicas norte-americanas e britânicas, mas Ricardo comenta que tem investido para incluir o rock nacional nos programas de aula. “Estamos fazendo uma adaptação, é um desejo nosso, da franquia. É trabalhoso, pois temos várias regras a seguir”.

A unidade de São Caetano do Sul funciona desde março deste ano e encerra o primeiro módulo, baseado em rock britânico, em agosto com um show dos alunos em um bar da cidade. O segundo módulo terá como foco o rock nacional e inicia após esse ciclo. “Os shows fazem parte do método de ensino. O aluno toca independentemente do nível em que está”. Mais de 30 alunos devem se apresentar no primeiro show promovido pela unidade brasileira.

“Nós inspiramos nossos alunos para o rock no palco e na vida. Desenvolvemos grandes músicos, mas também fomentamos a autoconfiança, ajudando a desenvolver habilidades de trabalho em equipe”, finaliza o CEO da marca.

Nós inspiramos nossos alunos para o rock no palco e na vida. Desenvolvemos grandes músicos, mas também fomentamos a autoconfiança, ajudando a desenvolver habilidades de trabalho em equipe Chris Catalano, CEO global da marca

O Brasil é uma comunidade apaixonada pelo rock’n roll. Nós sentimos que é um mercado maduro para a expansão de nossa abordagem para a educação musical – Ricardo Fernandes, franqueado brasileiro da School of Rock

Festivais como o Rock in Rio e o Lollapalooza ajudam a reciclar o público da School of Rock

O tom da School of Rock

– 119 é o número de unidades da rede

– 9 são os países em que a marca está presente

– US$ 141,8 mil a US$ 328,6 mil é a estimativa de investimento na franquia

– US$ 49,5 mil é a taxa de franquia

– 8% é a taxa de royalties

– 3% é a taxa de fundo de propaganda

– 2,7 mil a 3 mil metros quadrados é a metragem mínima de uma unidade

ATENÇÃO ao comprar uma franquia estrangeira

O presidente da Global Franchise, Paulo Cesar Mauro, acredita que o Brasil ainda é muito fechado para as franquias estrangeiras: elas representam menos de 5% das redes franqueadas, enquanto em países mais desenvolvidos esse percentual chega a 20%. No entanto, na avaliação do executivo – um dos pioneiros em trazer franquias estrangeiras para o território nacional, já tendo implantando mais de 40 em solo nacional – as franquias, assim como os bons negócios, não nascem mais para crescerem apenas no seu país de origem e sim para serem redes mundiais. “É claro que não é um caminho fácil e apenas algumas delas vão conseguir, mas a maioria já nasce pensando grande, principalmente no exterior”, afirma. A seguir, Paulo Cesar Mauro dá algumas dicas para quem pensa em comprar uma franquia estrangeira:

* Entenda as diferenças: existem Franquias Múltiplas (o franqueador vende um determinado número de franquias a serem abertas pelo mesmo investidor num território delimitado) e Franquias Máster (o franqueado vende os direitos da franquia para um investidor implantar o conceito no País ou em parte dele)

* Conheça as vantagens: ao comprar uma franquia estrangeira, o investidor traz um conceito internacional e inédito no País, o que lhe distingue da concorrência. E, no caso das Franquias Máster, o potencial de ganhos a longo prazo é maior.

* Saiba quais são os riscos: ao trazer uma rede de fora para o Brasil, o investidor pode ter dificuldades para implementar o conceito no País, não contar com o apoio do franqueador estrangeiro e não conseguir ser competitivo.

* Na dúvida, atenção: avalie detalhadamente as oportunidades, negocie e planeje com calma a entrada do conceito no País, desenvolva com qualidade e empenho a implantação do negócio – para só depois investir no crescimento da marca – e, principalmente, conte com o suporte técnico de consultores especializados no setor.

Publicado em 08/08/2013

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