Os novos planos para um franchising maior

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Matéria reproduzida da revista Franquia Negócios – Edição 46

Os novos planos para um franchising maior

Acostumada a enfrentar desafios, Cristina Franco chega à presidência da ABF para dar continuidade ao desenvolvimento do setor

Por Gerson Genaro

revista-franquia-negocios-dez-2012A investidura de uma mulher no cargo de presidente nacional da Associação Brasileira de Franchising pode ser considerada histórica por vários motivos. O mais óbvio, por ser a primeira a ocupar a presidência nacional da ABF, um reduto até então masculino. Mas a chegada de Cristina Franco ao topo da entidade representativa do setor – após Fátima Rocha ter assumido o comando da ABF Rio em 2011 – coincide ainda com um momento importante de forte equilíbrio de gêneros no mundo dos negócios.

Já em 2011, entre os empreendedores iniciais, 51% eram homens e 49% mulheres, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, a GEM 2011, divulgada pelo Sebrae, em um universo superior a 30 milhões de empreendedores (somos terceiros do mundo, atrás dos Estados Unidos e China). As grandes corporações ainda conservam os homens nos postos-chaves, mas nas empresas com até cinco funcionários, em média, como acontece nas franquias, as mulheres tendem a ser maioria, por terem habilidades e competências requeridas hoje pelo mercado, como serem mais flexíveis, capacidade para executar diversas tarefas simultaneamente, estabelecer comunicação mais fácil, entre outros ingredientes necessários para fazer o negócio dar certo.

`Os atributos do gestor são colocados à prova todo momento. O fato da mulher trazer a capacidade de ser clara e firme, sem perder a ternura, estabelece uma relação extremamente positiva para viabilizar resultados de equipe`, avalia Cristina. Na verdade, a mulher brasileira é uma das que mais empreende no mundo. A mesma pesquisa indica que as brasileiras respondem pelo quarto maior contingente de negócios iniciais dentre todos os 54 países participantes do levantamento.

Após demolir a tradição, Cristina Franco chega com planos para manter o pé no acelerador, conforme adianta nesta entrevista exclusiva à Revista Franquia Negócios. Sua plataforma de atuação confere prioridade à melhoria das condições de negócio para os empresários do setor. Mas pretende inovar em vários aspectos, como o Ensino a Distância (EaD) para disseminar a qualificação no franchising por todos os cantos do Brasil. `Vamos garantir que os franqueadores tenham acesso às informações e todos os instrumentos disponíveis para qualificar suas equipes`, anuncia Cristina. Outra providência é a negociação em bloco, para garantir preços e taxas menores junto aos fornecedores, entre eles operadoras de cartão de crédito.

O desafio de presidir a ABF será maior por ser mulher?
Já estou acostumada a enfrentar grandes desafios aos 49 anos de idade, uma empresa fundada (a rede de ensino Bit Company) e participação em um grande grupo (Multi), com 10 anos de vida associativa (comissão de ética e vice-presidente da ABF). Não é um dia ou uma noite. Eu sei ser grande a responsabilidade que tenho pela frente, mas vou fazer de tudo para conquistar as metas traçadas. Não vejo nenhum problema de gênero (homem ou mulher) no mundo dos negócios.

Prefiro ter uma agenda positiva a ser cumprida, com respeito a todos. Meu foco será buscar resultado. Vamos estimular a inovação em busca de uma gestão participativa sempre com transparência. Consigo olhar nos olhos e dizer, sincera e honestamente, o que precisa ser dito sem ser ofensiva. De onde vem isto? Vinte anos de vida empreendedora, seis anos na comissão de ética da ABF, em que meus pares precisavam ter uma resposta com firmeza, mas com classe, e olhar positivo para a resolução do problema, sem enfrentamentos ou crise. As habilidade e competências da mulher estão mais valorizadas hoje pelo mercado.

Quais são suas prioridades?
Ouvir nossos franqueadores e franqueados sobre o que eles pensam, para sequenciar um trabalho em linha com os desejos e expectativas de nossos empreendedores. O País possui dimensões continentais, o que torna o trabalho de consulta mais desafiador. Temos diversas diretorias regionais que nos ajudarão a compor o nosso plano de ação. Fortalecer o franchising em todas as regiões é, portanto, uma prioridade.

Faremos uma gestão de continuidade ao excelente trabalho implementado em uma década de muito profissionalismo por meus antecessores, o Artur Grynbaum e Ricardo Bomeny. A missão é manter o trabalho da ABF no mais alto grau de excelência para os nossos associados. Espero manter o crescimento do setor em pelo menos dois dígitos, conforme observamos na última década. Para tanto, uma prioridade forte será a qualificação. O profissionalismo é a principal resposta para um setor que deseja crescer de forma contínua e sustentável.

Hoje temos um Conselho de Associados, que influi na formalização das políticas da entidade, mas existe um espaço enorme para ampliar a participação na associação, enfim, para oxigenar cada vez mais a ABF.

Tenho mais de uma década de dedicação à entidade. Primeiro como associada, depois foram dois anos como membro e seis anos como presidente  da Comissão de Ética e mais dois anos como vice-presidente da ABF. Conheço uma base grande de franqueadores e os problemas que afetam o setor. Tenho como muita clara a importância da participação do franqueador nas decisões que a entidade sempre precisa tomar.

Minha tarefa será atrair o maior volume possível de franqueadores para participar da ABF. A entidade torna-se mais viva sempre que o associado se faz presente para contribuir com as suas ideias.

Como pretende estimular a qualificação no setor?
Já compramos um novo andar, abaixo de nossa atual sede, para abrigar a Academia do Franchising. Iremos oferecer cursos nas áreas de operações, gestão financeira, marketing, empreendedorismo para os profissionais que já atuam no franchising, para os que pretendem ingressar, franqueados e franqueadores em início de carreira, executivos do franchising e para quem busca uma franquia, ou seja, o candidato. Mostramos o que é ser um empresário do setor de franquia. É importante saber que nosso segmento é regulado por leis específicas e regras claras para poder atuar. Portanto, uma prioridade será consolidar a Academia do Franchising nos próximos dois anos. A qualificação será um marco em minha gestão. Já temos estrutura pronta, área disponível e recursos financeiros para este fim.

Pretende dar uma abordagem nacional para a qualificação?
A entrada do ensino à distância será também uma das prioridades nesta área. Outra novidade é a criação da ABFNews, que passa a ser nossa ferramenta de comunicação digital. O informativo reforça a tendência que pretendemos consolidar, de fazer um grande esforço nacional para desenvolver e qualificar o franchising brasileiro. Como nossa principal missão será qualificar ainda mais nossos profissionais, nada mais justo do que trabalhar em sintonia fina com todas as regiões e garantir a presença maciça de nossos franqueadores em nossos eventos. Evidentemente, queremos ter diretorias atuantes para desenvolver as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Rio de Janeiro.

Entendo que precisamos ter uma diretoria regional forte, além das comissões. Mas o conceito mais adequado é ter sinergia. Quando temos a soma de forças de forma sinérgica conseguiremos uma corrente positiva para empurrar o franchising cada vez mais para frente. O desafio é crescer, com qualidade e altos padrões éticos e de governança.

E a representatividade setorial junto aos poderes?
Sem dúvida, a defesa dos interesses do franchising através da ABF junto aos poderes públicos merecerá ampla atenção de nossa parte. Iremos defender a inclusão de nossos principais empresários, como o Carlos Wizard Martins, Artur Grynbaum, Ricardo Bomeny, entre outros, junto às câmaras setoriais para representar o nosso segmento. Hoje já temos a Luiza Helena Trajano, presidente da Magazine Luiza, na lista de empresários que integram o Governo Dilma como representante do varejo. Precisamos ampliar nossa representatividade com a ida de nossos empresários para os conselhos do governo, a fim de levar nossas bandeiras, como a questão do ISS, entre outras.

Pretende atuar na expansão do franchising para outros mercados no Exterior?
Atualmente temos um acordo importante com a Apex para divulgar nossas marcas em diversos países. Vamos continuar neste esforço, mas reconheço que as principais oportunidades de expansão estão aqui mesmo no Brasil. O franqueador brasileiro tem mesmo que fincar sua bandeira em todos os espaços do território nacional, para garantir sua presença, uma vez que existe grande demanda de marcas estrangeiras pelo nosso mercado. Mas há também um olhar pontual em buscar novas oportunidades no Exterior. A internacionalização do franchising continuará entre minhas prioridades. Daremos continuidade às missões internacionais, participação em feiras e demais eventos.

Existe a ameaça de invasão de marcas internacionais no Brasil?
Não existe ameaça, atualmente o mercado é dominado por 95% de marcas nacionais. Sempre existiu uma preocupação em profissionalizar ainda mais o setor para reforçar o empresariado nacional, que está preparado para competir. Não precisamos de reserva de mercado. Hoje somos referência internacional na maneira que o Brasil faz o franchising e até já exportamos nosso modelo.

Como pretende ampliar os espaços para os franqueadores na entidade?
Vamos manter um canal aberto de comunicação. Dentro do possível, ser plenamente acessível aos franqueadores. Já é da minha natureza o diálogo fácil, franco e aberto. Será uma administração aberta.

Pensa em criar algum mecanismo alternativo para se comunicar com os associados?
Penso, mas ainda não está formatado. Pode ser tanto um `Fale direto com o presidente` ou café da manhã temático de acordo com a possibilidade de agenda de todos. Com o novo estatuto da entidade, poderemos ter novas comissões para discutir temas importantes para o setor. E com isto ampliamos o espaço para a participação.

Quais principais problemas espera enfrentar?
Queremos estar bem representados em Brasília, aos congressistas e junto aos governos. O desafio é obter melhor tratamento especialmente na parte tributária. Minha prioridade será sempre melhorar o ambiente de negócio para os empresários do franchising. Sabemos que o setor pode ser prejudicado ao sabor das frequentes mudanças nas leis e regulamentos tributários. Estaremos presentes para evitar surpresas desagradáveis. Acima de tudo vamos trabalhar por um franchising de qualidade, baseado na relação ganha-ganha, o franqueado precisa ter sucesso com a marca. A nossa preocupação é contribuir com ações para que os associados conquistem seus melhores resultados. Para se manter é preciso inovar. No franchising já aprendemos que a fórmula do sucesso é treinar e treinar. Para não ter apagão de mão-de-obra e aquela coisa de amolecer o corpo. Não importa se você é leão ou gazela, quando se está na selva todos têm que correr.

O que fazer para minimizar a falta de pontos comerciais e encarecimento do aluguel nos shoppings?
Vamos ampliar nossa relação institucional com outras organizações empresariais. Este trabalho já se iniciou com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Onde nasce um shopping nascem novas unidades franqueadas. Faremos uma gestão de continuidade. Sou partidária de seguir o que traçamos a uma década e tem feito o franchising crescer. Portanto, estaremos próximos e teremos uma agenda positiva com os shopping centers. Será importante que a ABF também converse com outras associações. Vamos ampliar nossa interlocução com os representantes dos empresários de outros setores para o crescimento dos negócios.

E o diálogo com os bancos?
O nosso check list inclui sim a interlocução para os bancos diminuírem as taxas de juros para os nossos empresários. Vamos estimular uma competitividade positiva entre os bancos em buscar melhores benefícios. Queremos facilitar a compra de franquias por parte dos brasileiros que tem este anseio de ingressar no sistema. Com juros mais baixos iremos desenvolver ainda mais o franchising nacional.

Está na sua pauta a negociação em bloco com fornecedores, cartões de crédito e bancos, em busca de novas vantagens para o setor?
Sim, está em nossa pauta de atuação. Uma das razões para criarmos o Conselho de Associados, formado pelo presidente atual e dois anteriores, mais franqueadores másters e dois consultores, é justamente a busca de novas ideias para desenvolver o setor.

Faremos uma lista de prioridades para beneficiar nossos associados. Queremos aumentar nosso poder de barganha com os operadores dos cartões de crédito, por exemplo. Os altos custos financeiros atingem milhares de empresas do setor de alimentação, vestuário, calçados, saúde, beleza etc

Teme a formação de `bolhas` no setor?
Não temos poder regulador, como criar filtros para impedir a entrada de aventureiros no sistema. Mas podemos sim disseminar as boas práticas para fortalecer mais o setor. Mostrar e informar a maneira correta de se fazer franchising. Assim como esclarecer as diretrizes para se comprar uma franquia de um franqueador estruturado. A ABF não é uma agência reguladora como a Anatel, não tem este poder coercitivo. Recebi como diretriz pelos presidentes anteriores seguir no caminho das boas práticas de gestão como regra número um. Seguiremos fazendo a lição de casa. Precisamos acompanhar, mas não podemos impedir o lançamento de novas franquias. Temos que ganhar dentro de campo, na bola, quero dizer, ter no mercado cada vez mais marcas fortes e exitosas. A ABF precisa ser um modelo de gestão para seus empresários. Vamos ampliar e manter as conquistas ao longo dos anos, tijolo por tijolo. Faremos nossa lição de casa, passo a passo.

O que podemos esperar para os próximo anos?
O potencial de crescimento do franchising brasileiro é expressivo. Eu corro muito o País e noto que a economia real em regiões mais populares está longe da crise, com forte demanda por produtos e serviços. A nova classe média continua forte. O consumo doméstico faz com que o franchising cresça. Imagino que teremos crescimento de dois dígitos pelos próximos anos. O setor deve movimentar mais de R$ 130 bilhões até 2014. Acredito que iremos aumentar o volume de unidades franqueadas abertas. O varejo representado pelas nossas marcas está aquecido, pois o consumidor agora quer melhorar a autoestima, se vestir melhor, cuidar da aparência, beleza, saúde, dentes, sapato, aprender idiomas e se profissionalizar. Quer comprar o que existe de melhor.

Existe espaço para novas marcas?
Existe em todos os setores, tais como alimentação, educação,  saúde e beleza. A entrada de mais de 90 milhões de consumidores no mercado provocou primeiramente a maior procura por linha branca, televisões e carros. Agora tem os cuidados com o corpo, com o dente, a beleza e com a instrução. E turismo, entre outros setores que devem crescer. Somente a nova classe média gera um poder de consumo semelhante ao de um país entre os 20 maiores em matéria de PIB. O franchising tem futuro.

`O franqueador brasileiro tem mesmo que fincar sua bandeira em todos os espaços do território nacional, para garantir sua presença, uma vez que existe grande demanda de marcas estrangeiras pelo nosso mercado`

 

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