O maior franqueado do Brasil

O maior franqueado do Brasil

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Matéria reproduzida da revista Franquia Negócios – Edição 53

Cidade de Salvador (BA), na Bahia, possui 13 shopping­ centers, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O número faz da capital baiana a maior receptora de centros comerciais na região Nordeste. A vizinha Recife (PE) tem quase a metade disso, sete shoppings. Tanto a cidade do carnaval, quanto a capital pernambucana têm sido dois dos destinos de investimentos nos últimos anos, cada uma no seu ritmo. No entanto, os centros comerciais das duas cidades possuem um ponto em comum: Christopher Hannigan­ tem uma loja lá.O empresário de 48 anos é o maior franqueado da rede O Boticário, com 120 das mais de 3,5 mil unidades. Isso o faz o maior franqueado de uma marca em atividade no Brasil, uma vez que não existe empreendedor com mais de cem unidades entre as dez maiores redes de franquias identificadas no ranking da Associação Brasileira de Franchising (ABF), de acordo com levantamento feito pela reportagem.

Além das capitais citadas, Christopher tem unidades em Lauro de Freitas e Mata de São João (BA) e Jaboatão dos Guararapes (PE). Os números do empreendedor são almejados por muitas franqueadoras: Mais de 1,5 mil funcionários em lojas O Boticário, quem disse, berenice? e Nativa SPA, além da frente de venda direta, que possui representação tanto em Salvador, quanto em Recife.
O espírito empreendedor de Christopher, no entanto, não tem como meta a criação de uma marca própria. “Já arriscamos em lojas de CD e restaurantes, por exemplo. O tempo necessário e o investimento tornam isso difícil. Não vejo necessidade de pensar fora da caixa do Boticário. Não temos muito tempo e dinheiro para pensar em outras coisas agora”.

Coisa de família
A empresa está nas mãos do empresário há 18 anos, mas O Boticário está na família Hannigan há muito mais tempo, antes até mesmo do franchising. Em 1979, os pais de Christopher conheceram Miguel Krigsner com sua então farmácia de manipulação, em Curitiba (PR). O casal gostou tanto do produto que levou para revender em Varginha (MG), onde morava à época. “Minha mãe fez um chá da tarde, chamou as amigas e perguntou o que achavam dos produtos e se venderia. O retorno foi superpositivo, minha mãe se animou, e abriram uma lojinha”.

A loja de Varginha encerrou as atividades quando o casal Hannigan se mudou para Salvador, mas os produtos ganharam outro ponto de venda na capital baiana. Algum tempo depois, com a padronização do franchising, o casal se tornou um dos primeiros franqueados da marca. “Meus pais estavam precisando de ajuda e não tinham condições de contratar. Sai da empresa que eu estava e vim trabalhar com eles”.

A gestão da empresa é familiar até hoje. Christopher é um dos sócios, junto com sua irmã e seus pais, que se afastaram dos negócios, mas ainda visitam as lojas e enviam anotações com observações e sugestões. “Temos uma diretoria com vasta experiência na área de varejo e logística. Há cinco anos tínhamos um terço do tamanho que temos hoje.

Profissionalizamos o negócio com governança corporativa e crescemos absurdamente, saímos de médio para grande porte”.

O crescimento foi ainda mais expressivo em 2013, com a abertura de dez lojas em Salvador e dez em Recife. Para 2014 a meta de Christopher é a remodelação das lojas, instituída pelo Grupo no último ano, mas mesmo assim pretende crescer uma loja O Boticário, duas quem disse, benerice? E duas Nativa SPA, por praça de atuação. “Estou sempre aberto e disposto a crescer, mas espero oportunidades. A autonomia sobre expansão é da franqueadora”.

Gestão
Apesar do porte de franqueadora, a gestão de Christopher tenta ser o mais próximo de um franqueado possível, de acordo com o empresário. “Algumas lojas de menor porte têm uma gerente que atende duas a três pequenas e as maiores têm gerente exclusiva”.

Para acompanhar o desenvolvimento de cada unidade, a empresa conta, ainda, com duas gerentes de campo que circulam entre as unidades em tempo integral. “Mas sempre colocamos o pé na loja, pelo menos duas ou três vezes por semana. É uma rotina que procuro seguir. Meus pais também fazem isso, anotam, mandam e-mail com algo a ser corrigido”.

Cada vez mais perfis como o de Christopher devem aparecer, na visão do diretor de franqueados da ABF, Erik Cavalheri. O sonho anterior, guiado pela emoção, dá cada vez mais lugar à razão, na visão do diretor, e dessa forma a opção por investimento em franquia é por ser um negócio rentável, e não por falta de opção. O maior preparo do investidor de franquias é benéfico para todo o setor. “Quanto mais profissionalizado for o franqueado, mais as soluções para o sucesso serão compartilhadas e a probabilidade de sucesso será potencializada”, afirma.

Incentivos
Não é só o número expressivo de unidades que pode determinar um franqueado de sucesso, ou que faça a diferença na rede. “O franqueado de sucesso entende que faz parte de um sistema aonde existem diretos e deveres, que o sucesso de sua unidade ou rede franqueada depende mais dele que do franqueador”, explica Cavalheri. Para endossar a afirmação, a ABF mantém uma categoria que premia os melhores cases de franqueados no Selo de Excelência em Franchising, todos os anos. Os vencedores são automaticamente inscritos na premiação internacional Best Franchisee of the World (BFW).

A terceira edição do BFW aconteceu no último mês de dezembro, em Florença, na Itália. Dos cinco vencedores no ranking principal, quatro eram brasileiros, sendo o primeiro lugar de um franqueado mexicano. A marca nacional que ficou mais bem colocada foi a Casa do Construtor,  em segundo lugar, com o case dos irmãos Luciano Henrique de Souza e Leandro Henrique de Souza, franqueados da rede há quinze anos e que possuem seis unidades na região de Campinas.

A iniciativa premiada foi a criação de um dispositivo para manutenção de andaimes, em 2009, e que trouxe economia de até 97% no processo, de acordo com Leandro. “Como a manutenção era muito onerosa e terceirizada, tínhamos que mobilizar muitos equipamentos para que compensasse. Com isso as peças ficavam paradas, não conseguíamos locar”.

A ideia foi acolhida pela Casa do Construtor e rapidamente disseminada em toda a rede. “Nós idealizamos o dispositivo para manutenção própria do andaime que volta com imperfeições, a baixíssimo custo”.

 

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