Mulheres faturam 32% mais em franquias

Diário do Grande ABC – Andréa Ciaffone – 12/05
 
Para conciliar melhor trabalho e maternidade ou para voltar ao mercado depois de criar os filhos, cada vez mais mulheres investem em franquias – só no Grande ABC o número de franquias dobrou nos últimos dois anos – e com alto grau de sucesso. Pesquisa realizada pela consultoria Rizzo junto a grandes franqueadores apurou que as unidades geridas por mulheres faturam 32% mais do que as administradas pelos homens. “É um jeito bem doce de ganhar dinheiro”, diz, entre risos, Jurema Dantas, 51 anos, franqueada da Sodiê Doces, em Mauá. Com três meses de funcionamento, a loja, localizada no bairro Bocaina, fatura 20% mais do que a média das unidades da rede no mesmo estágio de maturação. Comprar a franquia, que custa R$ 300 mil, foi uma forma rápida de aprender os macetes do negócio porque junto com a marca e o visual da loja, o franqueado oferece capacitação e ensina a logística do negócio. Filho e sócio de Jurema, Yuri Dantas, 28, está bem satisfeito com a decisão de adquirir a franquia e já pensa em comprar outra na mesma cidade. “Mauá tem uma carência de bons produtos e serviços e um público com capacidade financeira em ascensão”, diz o jovem.O desejo de ter seu próprio negócio fez com que Bárbara Strazzer, que era vendedora de automóveis, começasse a procurar uma oportunidade no mundo das franquias. Depois de estudar bastante as possibilidades, optou por montar, em São Caetano, uma unidade da House Shine, franquia que oferece serviços de limpeza em residências e empresas com equipes de duas pessoas que levam consigo todos os equipamentos para fazer faxina. Em apenas três meses, a empresa já trabalha com três equipes de duas funcionárias, contratou uma supervisora e formou clientela – cerca de 80% dos consumidores já são fixos. “Escolhi o negócio de limpeza porque sabia da necessidade por experiência própria”, diz Bárbara. Depois de muitos anos totalmente dedicados às duas filhas, Maria Luiza Lino Cândido resolveu voltar a trabalhar. “Como eu não tinha experiência profissional suficiente para conseguir uma colocação, comecei a pensar em abrir um negócio e escolhi a franquia por causa da segurança que o sistema passa”, diz a franqueada da Seguralta Bolsa de Seguros, empresa que tem 40 anos de mercado. “A franquia permite tirar proveito do CF51know-how/CF do franqueador, dos processos de trabalho e da marca conhecida”, descreve. A empresa começou em 25 de fevereiro, com Luiza e um funcionário. O movimento já exigiu que ela contratasse mais dois trabalhadores. 
 
Elas atribuem o bom resultado à empatia no trato com seus clientes
 
Capacidade de entender as necessidades do consumidor, empatia com os colaboradores e atenção às recomendações dos franqueadores estão entre as razões para o sucesso das franqueadas em relação aos seus colegas do sexo masculino. “Ser esposa, mãe e trabalhar fora exigem que a gente tenha dinamismo e seja sempre eficiente na vida pessoal. Isso acaba se transferindo para o negócio”, diz Jurema Dantas, franqueada da Sodiê Doces, de Mauá. “Acho que as mulheres são mais bem-sucedidas nas franquias porque elas são mais hábeis na gestão de pessoas, o que impacta tanto a relação com os clientes quanto com os colabores, especialmente se for no setor de serviços”, diz Bárbara Strazzer, franqueada da House Shine em São Caetano, “Nossa performance está acima da meta para o estágio de desenvolvimento do negócio”, diz Bárbara, que já teve de triplicar sua mão de obra. “Mulher tem mais empatia e persistência, isso ajuda a conseguir as vitórias que fazem o sucesso do negócio”, diz Maria Luiza Cândido, franqueada da Seguralta em Santo André. 
 
Unidades dobram no Grande ABC
 
Com total de 844 unidades de franquia abertas, o Grande ABC detém participação de 4,2% no total brasileiro, mostrando evolução vigorosa. Há dois anos, a região tinha participação de 2% no total nacional, ou seja, mais do que dobrou nesse período, registrando desempenho muito acima do ritmo nacional, já bem acelerado. Em 2012, o crescimento deste tipo de negócio em escala foi de 16,2% no País, segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising). Para 2013, a expectativa da entidade é que o setor cresça 16% em faturamento, 9% em novas redes, 11% em novas unidades e 11% na geração de postos de trabalho. De acordo com a consultoria Rizzo Franchise, há no Brasil 56 mil mulheres operando franquias e a maioria tem idade entre 36 e 45 anos. A pesquisa aponta ainda que as unidades tocadas por elas faturam 32% a mais do que aquelas cujo os proprietários são homens, e que a sua rentabilidade é 28% acima da registrada nos negócios geridos por eles. Para chegar a esse resultado foram entrevistados 124 donos de grandes redes de franquias, que apresentaram o faturamento de suas unidades dirigidas por homens e mulheres. Os franqueadores afirmaram que as mulheres franqueadas se tornam referência de sucesso de suas marcas.