Muita criatividade e estratégia para enfrentar a Black Friday

Moda
(A partir da esq.) Eduardo Felix (Chilli Beans), Elton Deretti (Hope), Tito Bessa (TNG) e Celina Kochen (ABF) debatem o impacto da Black Friday no Natal

A Black Friday fez 10 anos de Brasil. Nos últimos anos, atingiu seu ápice, envolvendo o e-commerce e o varejo físico de todos os segmentos do comércio: dos eletroeletrônicos e produtos de consumo até o vestuário e a moda.

Para debater o impacto da Black Friday especialmente no segmento de moda, vestuário e acessórios, a ABF reuniu cerca de 70 representantes de marcas associadas, na tarde deste dia 10 de março, na sede da entidade.

Celina Kochen, coordenadora da Comissão de Vestuário, Calçados e Acessórios da ABF, trouxe à tona a origem da data nos Estados Unidos e o porquê ela está mais atrapalhando do que ajudando os varejistas nacionais da área de moda. “Nos EUA, a data de descontos faz todo sentido. Mas para o varejo nacional, novembro não é o mês ideal para diminuir as margens”, explicou. Segundo Eduardo Felix, da Chilli Beans, em novembro os consumidores estão recebendo o 13º salário, se preparando para as compras do Natal e a Black Friday compromete o desempenho das vendas. Não faz sentido algum”.

Elton Deretti, da HOPE, acredita que a data já atingiu status global e é muito difícil mudar isso agora, apesar dos esforços do Governo de criar a Semana do Brasil em setembro do ano passado. Ele acredita que para não comprometer os resultados esperados dos meses de novembro e dezembro, é preciso criar novas alternativas.

“Em 2019, implementamos uma estratégia que previa bons descontos em produtos específicos e também uma integração do canal físico com o on-line”, afirmou. “Além disso, repartimos com o franqueado o custo do desconto oferecido ao consumidor”.

A ideia de mudar a data da Black Friday no Brasil para setembro ou para logo após o Natal tem simpatizantes e também opiniões contrárias. “Vai ser difícil mudar essa cultura, que já é global. Porém, precisamos fazer dezembro voltar a ser a melhor data do comércio no Brasil”, concluiu Celina.

A maioria dos participantes sofreu nos últimos anos com uma desaceleração grande nas vendas já na primeira quinzena de novembro e, também, com a falta de fluxo e disposição do consumidor na quinzena seguinte a data de descontos.

Tito Bessa, da TNG e da ABLOS (Associação Brasileira de Lojistas Satélite), acredita que os varejistas precisam se unir para buscar caminhos alternativos.

Além de esvaziar o Natal que sempre foi a data mais importante do varejo, a Black Friday traz outros inconvenientes ao lojista. Ainda segundo Celina, muitas marcas investem pesado no visual merchandising do Natal e no meio do ciclo precisam mudar tudo para Black Friday. “Fica muito confuso para o consumidor o que é produto de Natal e o que é produto de promoção”, conclui.

Foto: ABF/Divugação