Metodologias de inovação e reforma tributária fecham programação

Lala Deheinzelin: “Não estamos vivendo uma crise, mas sim uma transição histórica”

A programação da 17ª Convenção ABF do Franchising chegou ao fim neste sábado de forma bastante eclética. O primeiro convidado foi o deputado federal Luiz Carlos Hauly, que apresentou sua proposta de reforma tributária que está em discussão no Congresso. Economista de formação e com décadas de vida pública, o deputado expôs de forma sintética os gargalos do sistema tributário brasileiro. Dentre os principais desafios, destacou a gigantesca complexidade, o grande número de exceções (na figura de isenções tributárias) e a sobrecarga de impostos no consumo, que acaba por colocar um peso maior sobre a população de menor renda.

Um dos idealizadores do Simples, o debutado defendeu a importância deste regime e das pequenas e médias empresas para a economia real. “Tudo que é investido em uma pequena empresa é uma injeção na veia da economia do país”, ressaltou. Para endereçar esse gigantesco desafio, o deputado trabalha em um projeto de reforma tributária (que ele prefere chamar de reengenharia) cujas bases são diminuir a regressividade dos impostos, acabar com a guerra fiscal, unir e simplificar tributos, tudo suportado pela tecnologia – grande parte dela já existente e com exemplos bem sucedidos no Brasil.

Ao final da exposição, o diretor jurídico da ABF, Fernando Tardioli, entregou uma carta, a “Carta de Una”, na qual a ABF, em nome do franchising brasileiro, apresenta seus pleitos na área tributária. Destaque para melhorias no Super Simples (como a progressividade após a superação do teto de faturamento) e a redução da burocracia, dentre outros aspectos mais pontuais na tributação da atividade de franchising no Brasil.

Inovação: como fazer

A convenção trouxe então duas visões bastante pragmáticas sobre um assunto muito debatido, mas de difícil implementação: a inovação. O primeiro a falar foi o cientista chefe da IBM, Fábio Gandour. Ele apresentou, de forma bem humorada, uma metodologia para “estrategizar” a inovação dentro dos modelos de negócios das empresas, chamada Curva Hype de Gartner. Para Gandour, a próxima onda de inovação será ir além da segmentação da experiência do consumidor e passar a segmentar com mais profundidade os próprios clientes, tendo como base os dados gerados pelos smartphones – cada vez mais onipresentes e inteligentes.

Cientista Fábio Gandour apresenta a Curva Hype de Gardner

Já a futurologista Lala Deheinzelin apresentou sua visão holística de como criar visões de futuro. “Não estamos vivendo uma crise, mas sim uma transição histórica. Não adianta ficar no seu canto esperando que ela passe”, disse Lala. Segundo ela, o padrão do mundo está organizado em redes cada vez mais complexas, dispersas e interconectadas. “A tecnologia é um fator de convergência essencial, mas não suficiente. O fator humano também deve estar preparado”, defendeu. A futurista defendeu que o valor atual se concentra no intangível: “o valor está em criar processos de convergência (áreas, pessoas, recursos e ideias)”.

Para sustentar essas afirmações, Lala apresentou sua visão dos processos econômicos e criativos e sua evolução.

Processos econômicos da futurologista Lala Deheinzelin

O encerramento ficou por conta de Fernando Palacios, da StoryTellers. O executivo apresentou uma história, ao mesmo tempo, emocionante e bem humorada, da própria ABF, mas que poderia se aplicar a grande parte dos profissionais do franchising brasileiro, mostrando a forma das histórias para a transmissão de informações, valores e de visão de mundo.

Por: Debora Freire

Foto: Keiny Andrade