Gestão profissional para serviços básicos

Revista América Economia – Rodrigo Rocha – 21/05 
Em menos de três anos, Doutor Resolve tornou-se a maior rede de reparos e reformas domésticas e já é a principal microfranquia do Brasil. Mas a rotatividade de franqueados é alta.
Mesmo que não tivesse se tornado um empreendedor, David Pinto tem uma história que já poderia ser considerada bem-sucedida. Aos 21 anos, comandava a expansão de uma rede de escolas de informática, apenas quatro anos depois de ter entrado na empresa como office-boy. Mas, em agosto de 2010, quando tinha 25 anos, decidiu criar a Doutor Resolve, franquia de reparos e reformas que teve um crescimento vertiginoso e em menos de três anos alcançou a marca de 600 lojas e R$ 330 milhões de faturamento.
“Durante a reforma do meu apartamento, enfrentei muitas dificuldades. Do problema surgiu a idéia”, explica. Com um investimento inicial de cerca de R$ 60 mil reais, a franquia abrange dois tipos de serviço, o de reparos pequenos consertos, que vão da pia entupida à limpeza do jardim e o de reformas instalação de portas, sistemas elétricos e pinturas. São realizados cerca de 30 mil atendimentos mensalmente.
O conhecimento prévio na área ajudou o jovem empreendedor de São José do Rio Preto (SP) a manter o controle, mesmo diante da expansão vertiginosa da empresa, que em 2011 inaugurava em média uma franquia por dia. “Eu sabia da existência deste nicho, mas não conhecia bem o segmento e não apostava em tanto sucesso, não imaginava que a demanda era tão grande”, afirma.
Atuando em todos os estados do país, o negócio tem um crescimento médio de 30% ao ano. A previsão para o fim de 2013 é de uma rede de 800 lojas Doutor Resolve espalhadas pelo Brasil. Para facilitar a administração, os cerca de 80 funcionários da própria empresa ficam em regionais nas principais capitais com o propósito de atender aos franqueados das cidades próximas.
PERFIL DOS FRANQUEADOS Tais planos estão ancorados no fortalecimento da classe média brasileira, fenômeno que impulsionou o mercado de microfranquia segmento no qual a Doutor Resolve se enquadra. “O franqueado é a nova classe média brasileira, que quer virar patrão. Na maioria, são empresários de primeira viagem”, diz David Pinto. Além desta peculiaridade, o perfil de um franqueado Doutor Resolve tem outras características: pessoas abaixo dos 35 anos e muitos casais montando uma sociedade em família.

“Cerca de cem milhões de brasileiros estão na classe média hoje em dia e eles querem ser empreendedores”, afirma Edson Ramuth, diretor de microfranquias da Associação Brasileira de Franchising (ABF). O financiamento deste tipo de empreitada é próprio, a partir de economias reunidas durante alguns anos ou de uma rescisão de contrato de trabalho, apesar de já existirem linhas de crédito voltadas para o setor.
Essa inexperiência comum entre os candidatos a microfranquias tem seu custo: o sucesso neste tipo de empreendimento é menor do que naqueles que exigem mais investimento e, consequentemente, mais planejamento. A ABF não calcula a taxa de mortalidade específica deste setor, mas, segundo Ramuth, o índice é menor do que nos negócios próprios, que não têm o apoio de um franqueador e de uma marca já famosa no mercado.
Na Doutor Resolve a alternativa para não fechar as lojas com problemas de gestão ou desistência por parte dos franqueados é a substituição do “dono”. “Como nosso volume de interesse em franquias é de cerca de 300 novos pedidos a cada mês, acabamos substituindo o franqueado sem fechar a loja”, afirma David. Mensalmente, entre 20% e 30% da rede tem os proprietários substituídos.
Por se tratar de um negócio em que os franqueados precisam contratar e lidar com mão de obra de diversos setores, são poucos os que vão comandar várias lojas da marca ao mesmo tempo, algo que também não é recomendado pela empresa. Apesar de necessitar apenas dois ou três funcionários contratados diretamente, como os serviços são realizados pelo regime de empreitada, ou seja, com trabalhadores terceirizados, controlar diversas equipes seria algo trabalhoso, principalmente para um empreendedor iniciante.
EXPANSÃO
Com o sucesso da marca garantida, o fundador já busca novos projetos para não paralisar seu espírito empreendedor. O primeiro deles foi o Instituto da Construção, rede de franquias de educação voltada para a formação profissional de pedreiros, eletricistas e encanadores em geral. Com 20 unidades já inauguradas, o investimento de cerca de R$ 300 mil pode garantir um faturamento mensal de R$ 120 mil.
Outra iniciativa é a recente criação da Doutor Eletro, que fará a manutenção de ar-condicionado e eletrodomésticos, numa rede nova, mas que segue os padrões da Doutor Resolve. A meta é abrir cem lojas ainda em 2013 e incrementar o já robusto faturamento da Resolve Franchising.
O terceiro caminho é o da expansão internacional da Doutor Resolve, que chegará em 2013 à Colômbia, Chile e Peru. “Serão cem lojas na América Latina até o fim do ano, e a distribuição por país se dará conforme a realidade de cada um”, conta David. “Foram investidores locais que nos procuraram. Existe uma similaridade com as necessidades de serviços e de microfranquias, algo pouco comum nesses países.”
A diversificação da marca e da rede é algo considerado positivo para o diretor da ABF. “A área de franquias em geral cresceu 15% em 2012, já a de microfranquias foi de cerca de 25%. Isso acontece porque ainda há muito espaço para crescerem representatividade. No mercado norte-americano, por exemplo, as franquias representam 10% do PIB; no Brasil, este número não passa de 2%”, completa Ramuth.