Franquias investem em modelos mais enxutos

Jornal do Commercio – RJ – Naira Sales – 02/04

Para driblar o cenário econômico desfavorável no País, empresários oferecem oportunidades que exigem um investimento menor e com retorno mais rápido

Com a alta nos juros e no custo de implantação de lojas em shopping centers, os interessados em investir no próprio negócio decidiram apostar em opções com investimento reduzido e instalações em regiões menores, priorizando pontos alternativos para ingressar no mercado de franchising. Para atender a demanda, diferentes redes de franquias decidiram lançar e potencializar a venda de modelos mais enxutos.
 
De acordo com o cofundador da Goakira, consultoria de negócios, Diego Simioni, o sucesso dessas iniciativas ganha impulso durante períodos de fraca atividade econômica como o atual. “O movimento de minimizar investimentos e reduzir despesas operacionais já vem sendo observado no franchising há, no mínimo, dois anos. Essa tendência tende a continuar, pois está relacionada a capacidade dos futuros franqueados e a crescente popularização do modelo de franquias”, comenta.

Segundo ele, o que faz o mundo dos negócios interessante é que não existe receita de bolo. “Mesmo assim, existem padrões que podemos observar. Por exemplo, modelos de loja com menor metragem e menos funcionários, que são normalmente as maiores despesas de uma operação de franquia. Outra mudança é a criação de formatos de negócio diferentes, tais como quiosques, food truck e franquias home office”, analisa.

Para ele, existem pontos positivos e negativos de investir em uma rede “enxuta”. “O primeiro ponto positivo é que o franqueado precisará investir menos capital com prazo de retorno geralmente mais curto. Um ponto de atenção é o potencial de lucro que a unidade poderá gerar. Nos modelos enxutos o lucro tende a ser menor, portanto o futuro franqueado deve avaliar se esse valor é condizente com suas necessidades e expectativas de ganho”, completa.

Na opinião dele, assim como a própria franquia enxuta, os pontos comerciais de rua já vinham ganhando destaque antes mesmo da crise e, isso irá continuar. “Por outro lado, a maioria dos shoppings serão obrigados a negociar menores valores de ponto comercial, aluguel e condomínio, pois, de outra forma, o varejista não sobreviverá”, explica.

Há mais de 30 anos no mercado, a rede de pizzarias Patroni disponibiliza, desde novembro de 2014, o modelo Expresso para interessados que possuem até R$ 150 mil para investir, menos da metade dos R$ 400 mil necessários para a implantação de uma loja Patroni Classic, destinada ao público classes C e D, ou R$ 450 mil para uma loja Premium, com foco nas classes A e B.

“O novo investidor, agora com menos recursos de poupança, continua buscando liberdade financeira, porém com investimento mais enxuto em modelos mais simples de negócio”, comenta o diretor de marketing da Patroni, Rafael Augusto.

Segundo ele, a rede acredita que a situação econômica pode levar mais pessoas a buscarem uma franquia para investir o dinheiro que acumularam durante um determinado período. “Independente de qualquer cenário, as pessoas continuam buscando seu próprio negócio. O que muda é o nível de aceitação de risco. O modelo convencional que continua sendo procurado por outros perfis de investidores exige um investimento maior. O novo modelo se encaixa com os anseios”, completa.

A Sigbol Fashion, especializada em cursos profissionalizantes, criou na década de 1970 um método com o objetivo de facilitar e profissionalizar o desenvolvimento de moldes para roupas. A novidade denominada “Siga as bolinhas e seu molde estará pronto” deu nome à marca, que disponibiliza o modelo de negócio Smart para cidades que possuem de 150 mil a 300 mil habitantes. Com investimento inicial de R$ 62 mil, ante os R$ 93 mil do modelo Full, é possível investir em uma microfranquia. A marca proporciona redução no custo de implantação, investimento e na taxa de franquia. “Desde o início dos estudos de franqueabilidade, tínhamos como meta desenvolver um modelo com baixo investimento e curto espaço de tempo para o retorno do capital investido”, relata o diretor Aluizio Alberto de Freitas.

Carro-chefe

Segundo Freitas, o plano de expansão da sua empresa para este ano está baseado no modelo enxuto e a meta é implantar 15 novas unidades. “Dessa forma buscamos o investidor que possui menos recursos financeiros, mas sempre com perfil voltado a gestão do negócio. Nosso modelo de tem como figura chave o próprio franqueado que precisa atuar ativamente na gestão. Temos observado que quanto maior o comprometimento do franqueado, maior a taxa de sucesso”, diz o diretor.

A rede HOPE Lingerie, com 50 anos de história no mercado brasileiro, anuncia um novo formato de negócio a HOPE 1.0. A operação apresenta uma série de vantagens, como administração mais simples, mix de produtos com mais profundidade, permitindo trabalhar apenas com as referências mais vendáveis e um investimento inicial de aproximadamente R$ 250 mil, ante os R$ 450 mil do modelo tradicional.

Para chegar a esse valor, a marca reduziu a taxa de franquia de R$ 45 mil para R$ 30 mil e fez uma reengenharia na confecção da obra com custos de mobiliário e iluminação mais em conta, visando a otimização do espaço, aproveitando o máximo possível os elementos existentes na loja, evitando demolição e interferências desnecessárias.

A primeira loja nesse formato foi inaugurada em março deste ano e até o final de junho estão previstas mais 12 inaugurações em locais estratégicos do País. “Estamos muito confiantes que esse novo modelo possa viabilizar novas unidades junto a investidores. Nosso plano de expansão contempla todo o Brasil, e até o fim do ano pretendemos fechar 70 novos negócios”, afirma o diretor de expansão Sylvio Korytowski.

Segundo ele, a busca por custos mais interessantes é uma meta constante. “Porém torna-se latente quando iniciamos um período de dificuldade por conta da trajetória política brasileira. Dessa forma, um projeto mais enxuto com valores interessantes começa a fazer sentido para ampliarmos nossa capilaridade em regiões onde antes não viabilizava uma operação de franquia”, afirma Korytowski.
Ainda segundo ele, a empresa tem como estratégias se consolidar como a marca mais desejada do segmento. “Nosso foco é encantar o consumidor e perseguir nossa missão que é transformar as clientes em fãs”, finaliza.