O poder da felicidade para o sucesso

felicidade para o sucesso

Aumento da produtividade, boa reputação no mercado e time mais engajado são alguns dos resultados alcançados por equipes mais felizes

A felicidade no trabalho é fundamental para o sucesso de uma organização, independentemente do seu campo de atuação.

Essa é a conclusão do estudo Os segredos das empresas e colaboradores mais felizes, realizado pela consultoria Robert Half em parceria com a Happiness Works. Juntas, elas avaliaram os níveis de felicidade de mais de 23 mil profissionais, de diferentes faixas etárias e níveis de experiência, em oito países (Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Holanda e Reino Unido).

Pela pesquisa, colaboradores felizes se esforçam para alcançar os objetivos organizacionais definidos, defendem suas organizações e espalham otimismo e boa vontade. Além disso, compartilham sentimentos positivos sobre os seus empregos fora do local de trabalho e nas mídias sociais, ação que melhora a reputação da companhia e pode reforçar os esforços de recrutamento.

“Esses profissionais tendem a se tornarem embaixadores da marca que representam, propagando boas notícias sobre ela a amigos, familiares e clientes. Mais um ponto importante é que ninguém procura por uma nova oportunidade de trabalho quando está satisfeito no local onde atua, o que significa economia de tempo e recursos financeiros com processos seletivos”, pontua a gerente de recrutamento da Robert Half Maria Eduarda Silveira.

A profissional destaca ainda que colaboradores felizes são mais leais, engajados e saudáveis e tendem a ser mais inovadores e criativos.

“Eles atravessam os períodos difíceis e ajudam a empresa a sobreviver a eles também, e, com emoções positivas, entusiasmo e interesse, colaboram para ampliar o pensamento, a consciência e a tendência de explorar novas vias e abordagens. Também é preciso salientar a questão da saúde, já que o estresse é um dreno não só do sistema imunológico, mas também da organização. Os que estão exaustos ou cronicamente frustrados são mais propensos a doenças e ­absentismo.”

Mais produtividade e eficiência
A felicidade também impacta positivamente na qualidade do trabalho e nos resultados. Para se ter uma ideia, estudo realizado nos centros de contato da empresa britânica de telecomunicações BT por um período de seis meses pelo professores Jan-Emmanuel De Neve, da Saïd Business School, da Universidade de Oxford; George Ward, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Clement Bellet, da Erasmus University Rotterdam, constatou que os funcionários são 13% mais produtivos quando felizes.

Outra pesquisa, essa da consultoria Gallup, apontou que as companhias que investem em felicidade superam as que não se preocupam com esse tema em 10% nas avaliações de clientes, 22% em lucratividade e 21% em produtividade.

Elas também têm índices mais baixos de turnover (25% nas organizações de alta rotatividade e 65% nas de baixa rotatividade) e de absenteísmo (37%).

Como o CEO e fundador do Wholebeing Institute Brasil e da Academia da Felicidade Henrique Bueno apontou na entrevista desta edição de Franquia & ­Negócios, a construção de felicidade parte do indivíduo, porém, é fundamental que as companhias abracem e compartilhem essa demanda.

Isso, inclusive, é constatado no levantamento da Robert Half: apenas 19% dos participantes disseram que a felicidade no trabalho é de sua exclusiva responsabilidade.

A pesquisa pontuou ainda que ser feliz no âmbito profissional significa coisas diferentes para as pessoas. Mas três pontos foram prioritariamente relatados pelos entrevistados: orgulho da organização, ser tratado com igualdade e respeito e se sentir valorizado pelo trabalho que faz.

Mas como fazer isso na prática? Certamente, as organizações não podem impor ou obrigar e nem controlar o que cada um sente. Ainda assim, elas têm o poder de criar condições de trabalho que permitam que a felicidade e a positividade floresçam. A seguir, confira as estratégias de quatro franqueadoras nessa área.

Jogos para desenvolver o lúdico e a felicidade
Fruto da parceria entre as empresárias Veronicah Sella e Natiele Krassmann, a Criamigos nasceu em 2016, em Gramado, no Rio Grande do Sul, com o objetivo de eternizar boas memórias e recordações com a criação de pelúcias personalizadas.

As sócias contam que, até mesmo pela proposta do negócio, desde o início se preocuparam em investir na felicidade e no bem-estar da equipe.

Nesse contexto, promovem ações, como dinâmicas em grupo, gincanas e participação em escape games para engajar e integrar novos e antigos colaboradores.

“Temos uma cultura de cuidado com o bem-estar do nosso time, que aqui chamamos de elenco. Também procuramos fazer com que todos participem das decisões, se identifiquem com o negócio e se sintam parte da construção da história”, relatam.

Já há alguns meses, a franqueadora estrutura um projeto de gameficicação, a fim de envolver toda a sua rede no tema.

“Como lidamos 90% com a geração millenium e promovemos experiências, chegamos, através de vários estudos, a um jogo para desenvolvimento da parte lúdica e da felicidade”, adiantam as empresárias.

Outra estratégia que utilizam é criar ambientes mais favoráveis.

“Por exemplo, na época das confraternizações no final do ano passado, soubemos que grande parte do nosso elenco iria em uma festa. Para que se sentissem melhor durante o trabalho no dia seguinte, montamos uma mesa com energético, chocolate e outros itens. Foi algo simples, mas que contribuiu positivamente para a melhor performance de todos”, afirmam Veronicah e Natiele.

Para valorizar seus profissionais, a Criamigos também idealizou um intercâmbio entre os vendedores das franquias.

O primeiro aconteceu no ano passado, quando três colaboradores da unidade de Búzios, no Rio de Janeiro, passaram uma semana na oficina conceito da marca, em Gramado, no Rio Grande do Sul, com tudo pago.

“A ideia foi promover a troca de experiências e o desejo de pertencer cada vez mais à empresa”, completam as sócias.

O poder da rede de gratidão
A rede Maria Brasileira, fundada há seis anos e que oferece multisserviços como faxineira, passadeira, jardineiro, cuidador de idosos, babá, pet sitter, passeador de cães e bom vizinho, entre outros, também realiza diversas ações que visam a felicidade de seus colaboradores – hoje são 35.

O gestor de RH da franqueadora Cleber Magalhães comenta que, desde o início, os idealizadores da marca perceberam que investir nesse tópico traz uma série de vantagens empresariais, em especial a fidelização dos colaboradores.

“Acreditamos muito no que chamamos de ‘rede de gratidão’, assim, tentamos entender o que deixa os funcionários felizes em trabalhar aqui e alinhamos estratégias para que isso se concretize no dia a dia e também para que seja passada adiante, para os franqueados, os prestadores de serviço e os clientes”, diz o executivo.

Ele relata que a preocupação com a felicidade e o bem-estar vem desde a entrevista.

“Entregamos para todos os candidatos a uma vaga um bombom e um cartão agradecendo o seu interesse em trabalhar conosco. Para os aprovados, damos um kit especial, com caneca personalizada, placa de boas-vendas e agenda. Também destinamos a eles um padrinho, que irá acompanhá-los nos primeiros dias, de forma que se sintam acolhidos.”

Ainda nessa linha, a empresa procura comemorar todas as conquistas, por menores que sejam, as datas festivas e os aniversariantes do mês, realiza ações sociais e campanhas de saúde, custeia integralmente ou parcialmente cursos de aperfeiçoamento, línguas e faculdade, permite o home office quando o funcionário tem algum problema pessoal, e mantém à disposição de todos uma sala de descanso, com videogame e canto de leitura.

“Todo esse conjunto de ações repercute direta e positivamente no índice de faltas e no turnover. E algo bacana é que os funcionários compartilham naturalmente o que acontece na empresa, pois sentem orgulho, e isso passa credibilidade para os clientes e faz com que mais pessoas queiram trabalhar conosco”, complementa Magalhães.

A fórmula da felicidade
Com 71 anos de estrada e mais de 120 lojas, a Calçados Bibi, fabricante de sapatos infantis, acredita que os colaboradores – cerca de 1,3 mil atualmente – são responsáveis diretos pelo sucesso do negócio, além de serem um dos ativos mais valiosos da empresa. Por conta disso, já nos anos 1990 passou a investir em uma cultura do endomarketing focada no engajamento.

“Até hoje mantemos muito dos projetos implantados naquela época. São projetos que ajudam na comunicação e na transparência das nossas ações”, pontua a presidente da companhia Andrea Kohlrausch. “Buscamos cada vez mais evoluir esse clima criado lá atrás, a fim de proporcionamos constantemente um ambiente de trabalho agradável”, acrescenta.

Nesse sentido, a Bibi conta com um painel onde os colaboradores colocam, diariamente, informações sobre seu humor e satisfação com relação ao trabalho. Junto a isso, enfatiza nos cartões de visitas a “Fórmula da Felicidade”: Felicidade = Genética (30%) + Circunstância (10%) + Proatividade (60%).

Todas as manhãs, a rede realiza o Bom Dia Bibi, em suas unidades fabris de Parobé, no Rio Grande do Sul, e Cruz das Almas, na Bahia, para integrar as áreas e nivelar a informação para todos, dando liberdade para opinarem e fazerem sugestões. E, mensalmente, ainda divulga seu balanço, tendo lucro ou não, para os funcionários ficarem por dentro da situação.

Mais uma ação de endomarketing da companhia é o Café com Presidente. Realizada na última quinta-feira do mês, possibilita que os colaborarem inscritos conversem durante 30 minutos com Andrea, e funciona como um canal de troca e integração.

“Essa é uma maneira de valorizarmos o nosso profissional e de criar nele o senso de pertencimento. O foco da Bibi é oferecer um ambiente de trabalho saudável e feliz, com as áreas bem integradas e cada colaborador ajudando e enxergando o todo”, finaliza a executiva.

Encontros, mensagens positivas e chocolate
Rede de franquias de escolas de inglês e espanhol criada há 23 anos em Uberlândia, interior de Minas Gerais, a Park Idiomas, desenvolveu no segundo semestre de 2019 um projeto, batizado de Moments, com a finalidade de conquistar um ambiente de trabalho produtivo, agradável, engajado e com desenvolvimento humano evitando, inclusive, o turnover.

Como parte dessa ação, toda sexta-feira, às 17 horas, a empresa promove encontros, com participação opcional, para falar de assuntos variados.

Já aconteceram sobre saúde mental, saúde física e alimentação saudável, com a presença de terapeuta, profissional de educação física e nutricionista.

“Emprestamos também das franquias o programa The Magic of Giving, para promover comemorações na nossa sede com o intuito de confraternizar e criar um senso de pertencimento na equipe.

Já tivemos no Halloween, no Natal e em algumas outras datas”, diz o consultor de franquias pleno da Park Idiomas Juan Emanuel Rios.

Segundo ele, a rede se preocupa também em mostrar a sua satisfação com cada colaborador – são 55, atualmente – e o quanto ele, individualmente, é importante para o sucesso dos negócios.

Assim, toda sexta-feira divulga mensagens positivas e distribui chocolates.

“Nosso objetivo é que ele entenda que a empresa não o enxerga como um número, mas como uma pessoa, e que se preocupa com o seu bem-estar e a sua felicidade.”

Outra aposta da Park Idiomas é em projetos de sustentabilidade e economia, por exemplo, de redução no consumo de plástico e de energia.

O valor economizado com essas ações serão transformados em benefícios para a própria equipe, como ingressos de teatro e cinema.

4 benefícios que um colaborador feliz pode agregar para a empresa
Lealdade: colaboradores felizes são mais leais e ficam mais tempo nas empresas.

A redução da rotatividade significa retenção de conhecimento institucional e menor gasto de tempo e dinheiro com contratação e treinamento.

Engajamento: colaboradores felizes se esforçam para alcançar os objetivos organizacionais definidos. Eles atravessam os períodos difíceis e ajudam a empresa a sobreviver a eles também.

Inovação e criatividade: colaboradores felizes tendem a ser mais inovadores e criativos. As emoções positivas, como o entusiasmo e o interesse, ajudam a ampliar o pensamento, a consciência e a tendência de explorar novas vias e abordagens.

Saúde: colaboradores felizes são mais saudáveis. O estresse é um dreno não só do sistema imunológico, mas também da organização.

Os que estão exaustos ou cronicamente frustrados são mais propensos a doenças e absentismo.

Fonte: Maria Eduarda Silveira, gerente de recrutamento da Robert Half.

ONU reconhece a importância da felicidade

O tema felicidade se tornou tão importante que, em 2012, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade, reconhecendo a sua relevância (e do bem-estar) como objetivo e aspiração universal na vida dos seres humanos em todo o mundo e firmando a necessidade de seu reconhecimento nos objetivos das políticas públicas.

No mesmo ano, a entidade realizou uma reunião de alto nível sobre “Felicidade e Bem-Estar: Definindo um Novo Paradigma Econômico”.

Na ocasião, um movimento global foi lançado para criar um novo paradigma econômico, que tem como objetivo a felicidade humana e o bem-estar de toda a vida na terra, e que exige a substituição direta do capitalismo e do sistema baseado no Produto Interno Bruto (PIB) por uma nova filosofia de desenvolvimento econômico, centrada nestes dois pontos, para deter e reverter as mudanças climáticas.

E, dois anos depois, ainda lançou um documento com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que buscam acabar com a pobreza, reduzir a desigualdade e proteger o planeta, três aspectos principais que levam ao bem-estar e à felicidade.