Em busca da franquia ideal

JORNAL DIÁRIO DE S. PAULO – CLAUDIA ZUKARE – 26/07

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), as franquias cresceram 16,2% no ano passado em comparação com 2011, obtendo faturamento total na casa dos RS 100 bilhões. E o desempenho positivo, ano a ano, vem se repetindo há mais de uma década. Diante desses dados, conclui-se que, sim, vale investir em uma marca com fácil aceitação pelo mercado. Mas daí surge a dúvida: como escolher uma entre as mais de duas mil franquias disponíveis no Brasil
Para André Friedheim, diretor da ABF a resposta só é encontrada ao final de pelo menos três meses de muita pesquisa. “São muitas as opções e você precisa definir um filtro. Sugiro identificar dois ou três segmentos em que haja mais identificação, caso contrário, pesquisa-se muito e não se conclui nada”, afirma.

A pessoa pode focar sua busca em alimentação e prestação de serviços, ou vestuário e decoração, por exemplo. Depois, é preciso conhecer as opções de franquia dentro desses segmentos e selecionar as que acredita ter mais potencial de sucesso e que se enquadram dentro do orçamento. “Quais são as grandes oportunidades Eu tenho perfil para trabalhar com isso Minha cidade comporta uma franquia dessa Qual o meu capital Eu tenho que me perguntar tudo isso porque, dentre outras coisas, se eu tenho R$ 100 mil, não posso perder tempo com uma franquia que custe R$ 400 mil”, ensina. Friedheim também tem uma dica bastante simples para não errar no valor da franquia que se pode abrir: “Se eu tiver R$ 200 mil, devo procurar uma franquia de R$ 100 mil”. Isso, explica, para agüentar bem os primeiros meses do negócio, sem precisar recorrer a empréstimos bancários, ‘ ‘Começar no vermelho não é bom. Você não consegue focar no negócio, fica pensando apenas em como pagar o banco”, diz.

Sandra Fiorentini, consultora do Sebrae-SR recomenda ainda uma autoanalise para facilitar a busca. “É preciso procurar uma franquia da qual se goste e cuja rotina de trabalho seja compatível com o estilo de vida. Tem gente que pega o Fundo de Garantia e abre uma franquia, mas não está acostumada a trabalhar aos finais de semana, por exemplo, afirma, lembrando que, para ser um bom franqueado, é preciso lidar bem com regras. “Quando você assina um contrato de franquia, tem que fazer o que está no contrato, porque está atrelado à marca do outro. Se você é mais inovador, pode ser que não se enquadre”, avalia.

Outra ação que facilita a busca é visitar os franqueadores. Eles possuem, por obrigação de lei, a Circular de Oferta da Franquia, com todos os dados disponíveis para análise, além de um plano de expansão que pode dar sugestões, inclusive, de localidades e imóveis ideais para comportar a franquia. “Um franqueador sério já tem o levantamento das áreas mais promissoras”, afirma o diretor da ABF. Importante também é frequentar franquias, para conferir a satisfação do público e dos franqueados.

Foi o que fez Andréa Magnacca, de 42 anos, que abre um restaurante da Divino Fogão em setembro na cidade de Limeira, interior de São Paulo. “Sempre fui fã da marca, ia ao shopping com minha família para comer a comida deles”, conta. Em sua busca pelo negócio ideal, que levou dois anos no total, ela já sabia que queria lidar com o segmento de aumentos, então partiu para visitas mais focadas. “Visitei umas cinco franqueadoras. Mas com a Divino Fogão eu me senti mais acolhida, em casa, e acredito que isso seja importante”, diz.

Patrícia Lacerda, de 43 anos, abriu uma franquia MegaMatte, de alimentação rápida e saudável, no recém-inaugurado Shopping Tucuruvi, Zona Norte de São Paulo. Artista plástica, Patrícia abdicou da profissão pela maternidade e, quando os filhos atingiram uma idade mais independente, ela resolveu apostar em um negócio próprio. E foi pelo mesmo caminho de Andréa: a identificação com a marca. “Eu e meu marido praticávamos corrida na rua, e sempre fomos adeptos de uma alimentação mais saudável, com apelo mais natural. Então, quando pensamos em focar a busca em alimentação, queríamos que tivesse a ver com o nosso perfil”, revela, contando que descartou algumas opções por não gostar mesmo da comida. “Eu não poderia vender algo que eu mesma não gostaria de comer”, avalia.