Diversificar itens pode ajudar paleterias a enfrentarem o frio

DCI – Flávia Milhassi – 15/04
 
Com a proximidade do inverno, redes que comercializam sorvetes no palito devem ampliar o portfólio de produtos e se acercar mais do consumidor com promoções e serviços
 
As paleterias mexicanas, que de 2012 para cá viraram febre no mercado brasileiro de sorvetes, têm um grande desafio pela frente: enfrentar mais um inverno que pode representar vendas até 30% menores.

A situação é ainda mais complexa pelo fato de não ser cultura do brasileiro comprar sorvete no inverno. E em tempos de economia arrefecida, o consumo de supérfluos é cortado pelo consumidor. Logo, a estratégia que pode salvar as marcas é investir em propaganda e ir além da venda de sorvetes. “Elas têm de vender experiência de compra e não apenas produtos”, afirmou ao DCI a sócia fundadora do Grupo Bittencourt, Liana Bittencourt. Segundo a especialista, ao comparar o mercado brasileiro de sorvetes com o dos Estados Unidos, é possível ver muito potencial para sorveterias no País.

Em um ranking mundial de consumo de sorvetes, o Brasil ocupa o décimo primeiro lugar, com consumo per capita de 4,74 litros. Nos EUA o consumo é de 22,5 litros por pessoa, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias e do setor de Sorvete (Abis). “A diferença é muito grande, o que confirma ser um mercado com potencial de crescimento substancial”, argumentou.

Especialista na implementação de franquias no País e no exterior, Liana afirmou também que não é uma tarefa fácil fazer com que uma operação que vende um único item neste caso, as paletas recheadas ser case de sucesso. “No inverno, quando há uma queda na demanda, ter itens que remetem à sazonalidade pode ajudar”, disse Liana. Para ela, inserir caldas quentes no cardápio e sabores considerados de inverno sorvete de conhaque, por exemplo -, pode ajudar esses players a enfrentarem a sazonalidade. “Vender souvenires também pode ser uma opção de diversificar a operação e enfrentar os momentos de baixo consumo”.

Iniciativas
 
A Paleteca é uma das empresas que garante: planejar a respeito da sazonalidade ajuda no crescimento. “Sabemos que um bom planejamento é fundamental para enfrentar a sazonalidade e a nossa estratégia é lançar novos sabores, que tenham identificação com a estação mais fria do ano. É fazer com que o consumidor tenha novidade o ano todo”, afirmou o fundador Everson Ceschin.
 
O empresário explicou que além de diversificar o cardápio, medidas de aproximação da marca com o consumidor devem ajudar a Paleteca crescer 50% este ano. “Temos fortalecido a rede. Recentemente lançamos uma nova comunicação nos pontos de vendas, cuja estratégia é aproximar mais o consumidor ao produto, para criar a personalização das Paletecas no mercado.”

Para Ceschin, a paleta ser considerada uma sobremesa, ao ir além do sorvete, tem garantido a rentabilidade da marca. “Acreditamos que as novidades sempre atraem os consumidores. O cliente brasileiro vê nas Paletecas não apenas um sorvete, mas também uma sobremesa e um alimento. Nós temos percebido um grande interesse por novas licenças, que reforça como a demanda é crescente.”

Hoje, a Paleteca tem três lojas próprias e 87 unidades licenciadas, de um total de 90 pontos de venda. “As regiões Norte e Nordeste são mercados em ascensão. Este mês abrimos o primeiro ponto de vendas no Norte, em Parauapebas, no Pará. Agora a Paleteca está presente em 11 estados brasileiros”, concluiu.

Na rede de franquias Los Paleteros, o fato de o inverno estar chegando parece não afetar as vendas dos sorvetes recheados. “A sazonalidade do mercado no Brasil não é novidade para nós. Já passamos por dois invernos e estudamos muito o padrão do segmento antes de abrirmos a nossa empresa.

Já observamos que a rede sofre menos com a sazonalidade do que o mercado de sorvetes de modo geral, pois muitos clientes enxergam as nossas paletas como um tipo de snack, e não apenas um refresco”, afirmou o sócio fundador da Los Paleteros, Gean Chu.


O executivo lembrou que no ano passado, a marca trabalhou com a estratégia de lançar sabores de inverno e comemorou ótimos resultados. “Em algumas cidades nós chegamos a aumentar o faturamento médio das unidades”, explicou.

Mercado
 
Do final de 2012 para cá, diversas marcas surgiram no mercado: Los Paleteros, Los Hermanos Paleteria Mexicana, Paleteca, Los Ticos entre tantos outros nomes, sendo uma boa porcentagem de marcas de bairro, com investimento de pequenos e médios empresários. Enquanto uns optaram por trabalhar com o licenciamento de produtos a venda da marca -, outros escolheram a expansão por meio do franchising para se diferenciar. Isso deverá ser o que garantirá uma vida longa às marcas. “O conceito pode ser o mesmo, mas ter ações de engajamento com o consumidor pode ajudar nessa tarefa”, disse Liana, do Grupo Bittencourt.
 
Na opinião do diretor de inteligência de mercado e sustentabilidade da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Cláudio Tieghi, é comum entre as redes de franquias “da moda” haver crescimento expressivo no princípio, mas após o processo de consolidação muitos terem de se adaptar para sobreviver ao mercado competitivo.

“Assim como ocorre em outros mercados, quando alguma novidade faz sucesso de forma rápida, há uma grande adesão em um primeiro momento. No entanto, quando o setor vai amadurecendo, ocorre um processo natural de acomodação, com alguns players se destacando e outros abandonando a ideia”, ressaltou.

Assim como as operações de sorvete de iogurte que abriram aos montes e poucas ainda operam, com as paleterias existe a necessidade de se adequar às mudanças. “Quando a dificuldade chega, o franqueado [e o franqueador] tem de ter maturidade de avaliar pontos críticos e tomar medidas corretivas. Por exemplo, uma mudança de ponto ou alteração no que é oferecido.”