China lidera Transformação Digital no varejo

China
Eduardo Terra: Crossborder representa ameaça às marcas brasileiras, mas o movimento contrário pode colocar produtos e marcas nacionais de forma rápida e acessível na China

Se na manufatura a fama da China continua sendo de uma indústria atrasada, baseada em reproduções sem qualidade de produtos ocidentais, no varejo, a China é pioneira e inovadora.

A obsessão pelos dados dos clientes fez com que os ecossistemas chineses– Alibaba, Tencent e JD.com – criassem operações de varejo consideradas as mais modernas do mundo.

A missão à China, realizada mês passado pelo MDIC, com o apoio da ABF, contou com 53 participantes – 14 do setor de franchising – e trouxe vários insights, compartilhados com os congressistas na manhã dessa quinta-feira, durante a 18ª Convenção ABF do Franchising.

Eduardo Terra, presidente da SBVC – Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo –, listou seis tópicos importantes que fazem da China o país mais inovador no mercado de consumo do mundo. São eles: mobilidade, meios de pagamento, crossborder (comércio internacional via e-commerce), uso inteligente de dados, grandes ecossistemas e digitalização das lojas físicas.

Segundo ele, o crossborder representa uma grande ameaça às marcas brasileiras, mas também pode oferecer boas oportunidades para a internacionalização das franquias nacionais. Dados do e-bit revelam que atualmente a compra de produtos em sites chineses por brasileiros movimenta R$ 12 bilhões, o equivalente a 20% de todo o e-commerce brasileiro. “Isso representa uma ameaça às marcas brasileiras, pois essa movimentação é livre de impostos”, explica Terra.

“O movimento contrário, porém, pode colocar produtos e marcas brasileiras de forma rápida e acessível disponíveis para a China e para o resto do mundo”, acrescentou.

Os números mostram que os empresários brasileiros estão atentos a essa nova dinâmica do mercado global. De um ano para cá, o número de marcas nacionais presentes em marketplaces chineses passou de 3 para 15. Entre elas estão Tramontina, Havaianas, Grendene, Calçados Bibi e Natura.

“Iniciar operação física fora do Brasil requer capital e muita energia. Iniciar o processo de internacionalização por meio do crossborder é muito menos custoso. Pode ser um bom começo”, recomendou Alberto Serrentino, vice-presidente da SBVC.

Outra constatação do grupo que esteve na China é que lá não existe mais fronteiras entre a loja on-line e a loja física. À loja física cabe o papel de criar relações emocionais por meio de experiências e degustações com o mínimo de atrito possível. Já ao mundo digital, fica a responsabilidade pelo pagamento, acompanhamento de pedidos, etc. “Na loja, o consumidor tem tudo o que ele gosta. No aplicativo, ele faz tudo aquilo que não gosta, mas é necessário”, explica Serrentino.

Transformação Digital

O varejo orientado a dados integra o e-commerce, as lojas físicas, a logística e os meios de pagamento. “Nesse novo modelo de operar o varejo, o franchising precisará rever os papéis do franqueador, do franqueado, da loja e do e-commerce para acompanhar a tendência da Transformação Digital”, alerta Serrentino.

No painel de encerramento, os empresários que acompanharam a missão ressaltaram o quão rica foi a experiência de vivenciar o modelo chinês de operar os negócios. O grupo debateu a necessidade imediata de quebrar antigos paradigmas e utilizar melhor não só a análise de dados, mas também as inúmeras possibilidades que o ecossistema do franchising oferece nesse novo modelo.

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Foto: Marcel Uyeta