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As lições inspiradoras de Amyr Klink para o franchising

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As lições inspiradoras de Amyr Klink para o franchising
O navegador Amyr Klink: “Essa é a beleza dos negócios de vocês: aprender com a experiência e compartilhar esse aprendizado com as pessoas“

O 4º Congresso de Expansão de Redes da ABF terminou com as lições e a experiência de vida inspiradoras do navegador brasileiro Amyr Klink. E, logo de início, ele mostrou um pouco de sua visão a respeito do sistema de franquias. Sob o tema “Construindo um projeto vencedor: planejar, executar e ajustar as velas”, Klink relacionou o franchising, que disse estudar há muitos anos, com o ato de compartilhar. “O compartilhamento é uma espécie de franchising, de dividir conhecimento, modo de fazer”.

O navegador narrou como surgiu sua paixão pelas águas, mais especificamente pelo remo, onde não há empate, há sempre um vencedor. Autodefinindo-se como perna-de-pau no futebol, Klink disse que adorou o remo porque, dentre as razões, a vitória não é individual, é coletiva. “Eu descobri que o remo é um esporte diferente do futebol. Não tem como fingir, como se atirar no chão, não termina em zero a zero, sempre tem um vencedor. Adorei o remo porque é um esporte em que não ganha o mais forte, ganha o conjunto, o equilíbrio, a harmonia, o engajamento”. Segundo ele, no remo todos são importantes juntos.

O protagonismo que as pessoas envolvidas no franchising exercem também foi observado pelo palestrante. “De alguma maneira, cada um aqui é um protagonista de um projeto e eu acho isso muito bonito no franchising”, afirmou Klink.

Economista e administrador formado pela USP, em 1984 Klink foi o primeiro navegador a realizar a travessia solitária do Atlântico Sul a remo. Depois de completar a viagem, ele disse que estava triste porque a viagem havia acabado, mas feliz. “Eu estava feliz por uma razão muito mais improvável do que a gente pode imaginar. Eu não superei meus limites, nada disso. Eu estava feliz por uma razão que deve ser a felicidade de vocês todos esses dias: eu estava feliz porque cumpri o meu plano, por uma razão mais importante ainda: eu antecipei minha meta”, afirmou.

Para o navegador, é possível melhorar diariamente. “Todos os dias é possível fazer um incrementozinho de desempenho”, observou.

Contudo, a grande experiência não foi na travessia, mas antes dela, lembrou Klink. E ela surgiu a partir da ideia de construir um barco que não capotasse, pois ele sabia que os 22 navegadores que tentaram fazer a travessia do Atlântico Norte antes dele, haviam morrido porque os barcos haviam virado.

Foi quando o engenheiro e professor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) José Carlos Furia falou para Klink: “Você, rapaz, está fugindo do problema. Se você quer chegar do outro lado do Atlântico, você tem que abraçar o problema”. A frase que o navegador disse jamais ter esquecido foi completada pelo professor com uma afirmação: “Eu quero desenhar para você um barco feito para capotar. Você sairá da Namíbia e virá capotando que nem um alucinado até o Brasil”.

Beleza do franchising

Apesar de ser um navegador solitário, Klink reconhece que nunca esteve sozinho. Segundo ele, há sempre pessoas nos ajudando a todo momento, mesmo que não percebamos. “Acho que essa é a beleza do franchising, de estar dentro de um negócio onde a experiência de um ajuda o outro”.

Outra lição da travessia que Klink deixa para o franchising é sua descoberta  de que melhor do que ver o mundo por fotos ou imagens, muito melhor é entrar nelas. “Entrar na foto,  de certa maneira, é o que vocês proporcionam para cada franqueado. A oportunidade de fazer parte do processo, não simplesmente ser um observador”.

A experiência de 14 meses na Antártica deu a certeza a Klink de que ele poderia navegar para qualquer lugar do planeta. Tendo convivido com tempestades constantes na Antártica e três meses e meio sem intempéries no Ártico, ao deixar o Hemisfério Norte, o navegador chegou a uma conclusão importante ao pensar nos problemas que enfrentou: “Essa é a beleza dos negócios de vocês: aprender com a experiência e compartilhar esse aprendizado com as pessoas“, e mais uma lição final: “A tempestade, a crise depura, faz com que a gente seja eficiente, competente. Esses meses no Ártico eu percebi que é exatamente a escassez que faz com que a gente seja racional, criativo. É muito importante a contingência, não desperdiçar os recursos”.

Foto: Keiny Andrade