Webinar ABF traça cenários para 2021

Cenários
Friedheim, Levy, Vanda e Felisoni falam sobre os cenários para 2021

Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e diretor do Banco Safra, Claudio Felisoni, professor do PROVAR-FIA, e a jornalista Vanda Oliveira detalharam os possíveis cenários

Quais perspectivas temos para este ano na economia, na política e quais são as tendências no varejo e nas franquias? O Webinar da Associação Brasileira de Franchising realizado nessa quarta-feira (24/3) reuniu alguns especialistas para traçar os possíveis cenários de 2021. Participaram do evento on-line Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e di do Banco Safra; Claudio Felisoni, economista e professor do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (PROVAR-FIA), e a jornalista especializada em política Vanda Oliveira.

Ancorando o evento, o presidente da ABF André Friedheim destacou a importância de entidade e associados estarem juntos. “A nossa representatividade é, no meu ponto de vista, o maior valor da ABF”, afirmou. Ainda de acordo com Friedheim, “somente com essa representatividade é possível fazer a interlocução e influenciar o poder público e também os demais stakeholders”, disse.

Para Felisoni, as operações varejistas já estavam num processo de ampliação do e-commerce, agilizado com a pandemia da Covid-19. “Já vínhamos assistindo um crescimento mais acelerado das vendas na internet. Em épocas de crescimento, as vendas cresciam duas, até três vezes mais”, ressaltou. Ainda segundo ele, a necessidade é a mãe da criatividade e a rápida adaptação das empresas ao mundo virtual para manter suas atividades, como no caso das instituições de ensino com a educação a distância (EAD), foi indispensável.

Levy observou que a economia brasileira vinha demonstrando recuperação em setores como a indústria. Já no varejo, o setor de serviços, que demonstrou certa recuperação no final de 2020, vem sofrendo com o agravamento da pandemia especialmente neste mês de março.  “Isso realmente aumentou nossa preocupação em relação a este ano. Dá para recuperar, mas provavelmente o segundo trimestre será muito difícil”, advertiu.

Vacinação
Fazendo coro com os que defendem a vacinação em massa, Levy acredita que se houvesse “mais velocidade na vacinação, provavelmente parte do que temos visto nas últimas semanas teria sido evitada”, disse.

O especialista observou que cerca de 90% da população brasileira têm menos de 70 anos. Segundo ele, se fossem imunizadas as pessoas com mais de 60 anos, que equivalem a pouco mais de 15% da população e concentram 75% dos óbitos, o cenário trágico no sistema de saúde seria evitado.

“Se vacinássemos esses 30 milhões de pessoas, a gente esvaziaria os hospitais muito rapidamente”, disse. “A gente tem que correr para fazer isso para a economia voltar”, defendeu.

Vanda traçou o cenário político-eleitoral até 2022. Na visão da jornalista a corrida eleitoral tende a se afunilar no próximo ano. Segundo ela, cerca de 40% dos votos são perdidos em todas as eleições com votos em branco, abstenções, candidatos bizarros. “A política não tem sido percebida pelas pessoas como fonte de solução para a pobreza, o desemprego, as questões de saúde, a insegurança, o aumento da criminalidade, a corrupção, a falta de perspectiva”, disse. Ainda de acordo com a especialista, enquanto as classes C e D, que são maioria da população e definem a sucessão presidencial, continuarem a ter essa percepção da política, esses 40% do eleitorado poderão continuar se omitindo, o que favorece ainda mais a disputa afunilada.

Imagem: ABF/Divulgação