Tudo acaba em pizza. Ainda bem!

Tudo acaba em pizza. Ainda bem! - A Yum! Brands, dona da Pizza Hut, aproveita a crise para ocupar os espaços de outras redes.

Isto É Dinheiro – Carlos Eduardo Valim – 04/09

A Yum! Brands, dona da Pizza Hut, aproveita a crise para ocupar os espaços de outras redes. A meta é acelerar a sua expansão e decolar a marca de frangos KFC

As dificuldades da economia costumam levar os consumidores a tentar diminuir, entre outros gastos, os desembolsados com a alimentação fora de casa. É certo que não se trata de uma boa notícia para as redes de fast food e, por consequência, para as administradoras de shopping centers, que viram suas praças de alimentação se esvaziarem, nos últimos tempos meses. Essa nova realidade, no entanto, não é exatamente uma má notícia para todas as companhias do setor. Ruim para uns, o cenário também significa oportunidades para quem tem bala na agulha para bancar um período de expansão de seus negócios. Principalmente, quem se dá ao luxo de fazer os seus investimentos em dólar. “As marcas que não estão sobrevivendo à economia estão deixando vacâncias nos shoppings centers, e ficou mais fácil para nós encontrarmos espaços”, diz Agustin Dominguez, diretor de expansão da Yum! Brands, companhia americana dona das conhecidas marcas de alimentação Pizza Hut, KFC e Taco Bell. “O valor do aluguel baixou e a taxa de luvas para entrar nos shopping centers não está sendo cobrada.”

Na contramão do mercado, a preocupação principal do grupo americano, dono de um faturamento global de US$ 13,3 bilhões, está na expansão rápida de sua presença no Brasil. Em especial, através de sua marca mais bem estabelecida por aqui, a Pizza Hut. A companhia fixou a meta, para 2015, de ampliar em 30 unidades a sua rede de pizzarias, que conta atualmente com 97 lojas. “Já abrimos oito unidades, neste ano, e temos outras 22 em obras”, afirma Dominguez. Diferentemente da estratégia inicial da rede quando desembarcou por aqui, na década de 1980, o foco não está nos grandes restaurantes, que demandam investimentos acima dos R$ 3 milhões. As unidades localizadas em shopping centers são as novas queridinhas, por exigirem dispêndios menores, em torno de R$ 850 mil, para serem instaladas. Também trazem menos gastos com empregados e aluguel.

A julgar pelas expectativas do setor de pizzas no País, a empresa não deverá ter dificuldades em encontrar interessados em fazer investimentos. A projeção para este ano é de um crescimento de 23% nas vendas das pizzarias, em comparação com a expansão projetada de 10% nas franquias alimentícias, segundo pesquisa da  consultoria ECD Food Service para a Associação Brasileira de Franchising. E não se trata de um mercado incipiente. Com vendas de R$ 580 milhões, as pizzarias representam 4,27% do mercado de franquias de alimentos, que movimentaram R$ 13,6 bilhões, no ano passado. O potencial de novos negócios, por isso mesmo, é enorme. “O paulista consome 12 pizzas por ano e apenas à noite”, diz Enzo Donna, analista da ECD Food Service. “Ele só perde para o canadense, mas pode, em pouco tempo, se tornar o maior consumidor do mundo.”

Se isso acontecer, muito poderá ser creditado à Yum! Brands. A companhia ajustou os seus cardápios para se tornar mais atraente para os brasileiros que fazem suas refeições fora de casa, com a oferta de pizzas em fatia, lasanhas e saladas. “A Yum! Brands é a primeira empresa do setor a trabalhar o conceito das pizzas no horário de almoço”, afirma Donna. “Em dois anos, essa tendência deve virar realidade.” O sucesso da Pizza Hut também pode alavancar seu outro negócio: a rede de frangos fritos KFC, muito tradicional nos Estados Unidos, mas que nunca conseguiu fincar raízes no Brasil. A primeira investida local da marca do coronel Sanders se deu através da Pepsico, em 1992, e foi descontinuada em 2000. Doze anos depois, com o estabelecimento do escritório local da Yum! Brands, a marca voltou, mais adaptada ao gosto brasileiro, com um cardápio que combina os tradicionais baldes de frango frito com  pratos de frango, vendidos a preços populares. O crescimento tem sido modesto, mas contínuo. Neste ano, serão abertas três lojas, para se somar às 25 instaladas, em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Se tudo der certo, queremos chegar a 100 lojas da KFC, em 2020”, diz Dominguez. “Acredito que teremos uma segunda grande marca no Brasil.”