A empatia está em (f)alta!

Ter empatia ajuda?

Saber se colocar no lugar do outro pode render bons resultados para a empresa e também para a equipe

Recentemente, a cantora gospel Priscilla Alcântara – que ficou famosa ainda na infância ao apresentar o programa matinal Bom Dia & Cia, do SBT – disse que mudaria o rumo de sua carreira para se conectar com mais pessoas. No final de 2018, ela lançou o álbum Gente, recheado de mensagens positivas e sem pregação religiosa. O primeiro single, Empatia, ganhou videoclipe e, no primeiro mês de lançamento, somava mais de dois milhões de execuções no Spotify e quase quatro milhões de visualizações no YouTube.

Não é apenas Priscilla que tem abordado o tema “empatia” em seu trabalho. Tentar enxergar o mundo sob o ponto de vista de outra pessoa se tornou um museu, em São Paulo, e até tema de livro.

A obra Do Design Thinking ao Design Doing, escrita pelo especialista em design de produto, Jon Kolko, fala sobre como as empresas terão mais sucesso se os desenvolvedores souberem se colocar, de verdade, no lugar do consumidor, entender seus anseios, medos e dificuldades.

Kolko diz, no livro, que o segredo para alcançar isso é a empatia. De acordo com ele, esse sentimento muda o comportamento e cria um engajamento sólido.

Tudo passa pelas pessoas

Para tratar melhor as outras pessoas, é necessário, primeiramente, conhecer melhor a si mesmo. Foi esse aprendizado que Carlos Paschoal, hoje diretor-executivo da rede varejista Fast Shop teve em seus últimos anos como líder em empresas.

Ele acredita que quem não se conhece, tem mais dificuldade para gerenciar equipes, ouvir e entender os desafios e necessidades das outras pessoas. “Quando eu identifico meus padrões e consigo agir sobre eles, tenho maior capacidade de administrar o grupo e dar direcionamentos para o desenvolvimento das pessoas”, explica.

Para conseguir multiplicar esse sentimento entre seus colaboradores, Paschoal iniciou uma pesquisa sobre cursos de autoconhecimento. Ele acredita que se a pessoa se torna um ser humano melhor e capaz de exercer a empatia em sua vida privada, isso se reflete dentro da empresa e na forma como a marca se apresenta ao mercado. “Os benefícios são paciência, entendimento mais claro do problema, maior interação entre as pessoas, habilidade em identificar a causa raiz dos comportamentos, maior atenção e organização no dia a dia”, explica.

Ele encontrou o processo Hoffmann e tem realizado seleções internas para escolher quem participará do treinamento. “Os colaboradores selecionados passam por uma avaliação denominada Talent Pool, onde os líderes da empresa que são considerados talentos podem usufruir deste benefício”, explica.

Imersão em si mesmo

O trabalho mencionado pelo diretor da Fast Shop é aplicado pelo Centro Hoffmann.

A responsável, especialista em desenvolvimento humano e autora do livro “Mapa da Felicidade” Heloísa Capelas explica que o processo dura sete dias, sem nenhum contato com o mundo exterior – nem smartphone – e tem o objetivo de fazer com que as pessoas olhem para dentro de si mesmas. “O resultado é um ser humano com visão de futuro, respeito pelo próximo, assertivo na presença, direto e simples com suas colocações, criativo em suas ideias e amoroso em seus relacionamentos”, explica.

Ela acredita que o método seja importante para trabalhadores em todas as posições dentro de uma empresa. “Profissionais que enfrentam os riscos com abertura e sensatez traz maior lucratividade e ambiente harmonioso na equipe”, afirma.