Super Live ABF: cenários, perspectivas e tendências para 2002

Encontro reuniu Alberto Serrentino, fundador da Verese Retail, Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, Caio Megale, economista-chefe da XP, Juarez Leão, membro do Conselho da ABF e o presidente, André Friedheim

A Associação Brasileira de Franchising realizou nessa terça-feira, dia 7 de dezembro, a última Super Live do ano. O evento contou com a participação de importantes empresários e consultores para discutir os cenários da economia do País, além das perspectivas e tendências do mercado de franquias. De uma forma leve e divertida, o presidente da entidade abriu a Live cantando o refrão musical “Como será o amanhã, responda quem puder”, incitando os convidados a compartilharem suas opiniões e experiências após mais um período pandêmico de desafios.

 

Em seguida, Friedheim apresentou os dados gerais do franchising, que revelam que o setor voltou ao patamar de 2019, com mais de 168 mil franquias em operação no mercado brasileiro, além de recuperar a marca de mais de R$ 182 bilhões de faturamento em 12 meses.

 

Para Friedheim, o franchising é amigo do primeiro emprego. “O setor movimentou mais de um milhão de empregos diretos e mais de cinco milhões de empregos indiretos. Atualmente, 17% das vagas geradas são de oportunidades de primeiro emprego, do jovem que está se formando na escola ou até mesmo na faculdade”, observou.

 

Na visão de Caio Megale, o cenário internacional se apresentou de uma forma mais desafiadora no segundo semestre de 2021, justamente por conta das restrições de oferta.

 

“Quando a pandemia paralisou o mundo, o comércio global sofreu de imediato e, meses depois, foi sucedido por uma rápida retomada no segundo semestre de 2020, por conta de estímulos econômicos realizados por vários países, como transferência de renda, programas de estímulo ao emprego e cortes de taxas de juros. Nós fomos nos habituando a trabalhar em distanciamento. Dessa forma, a economia foi dando o seu jeito. Porém, agora, atingimos a nossa capacidade global de produção e isso impulsionou a inflação”, afirmou.

 

A última Super Live ABF do ano trouxe um novo formato de interação em que o internauta pode enviar uma pergunta por vídeo.

 

O primeiro questionamento foi enviado pelo presidente do conselho da ABF, Ricardo Bonemy, a Artur Grynbaum, sobre quais medidas governamentais podem beneficiar o consumo, além do incremento do Auxílio Brasil, para que, de fato, os empresários possam recuperar as bases de faturamento.

 

Segundo Grynbaum, a própria reabertura dos shoppings já coloca os lojistas em uma situação de recuperação.

 

“O ano de 2021 tem sido de grandes desafios, pois estamos com a economia estagnada e inflação alta. Talvez se tivéssemos uma flexibilização nas tarifas de importação, as empresas brasileiras poderiam importar os insumos com um custo menor e, dessa forma, caminhar para uma adequação de preço. Além disso, acredito também que a geração de empregos e a manutenção deles são uma saída inteligente, já que os empregos fazem o dinheiro circular”, ressalta.

 

Alberto Serrentino trouxe ideias sobre tendências e perspectivas do varejo para o ano que vem. Segundo o consultor, o pano de fundo do que vamos enfrentar é um ambiente de instabilidade e incertezas, com fortes oscilações.

 

“O varejo estava em um estado de otimismo e confiança muito grandes por conta do controle da pandemia, acreditando que dessa forma destravaria o consumo e geraria um processo de retomada econômica natural. Neste atual momento, o varejo está trabalhando com desconfiança, muita cautela e um certo pessimismo. Pode ser que este pêndulo volte a um cenário mais favorável, mas isso vai depender de como será o nosso primeiro trimestre”, explicou.

 

Juarez Leão reforçou os bons números e índices do franchising e ressaltou que prevê uma expectativa melhor para o setor no ano que vem.

 

“Existe espaço de crescimento, principalmente para as empresas que fizeram o dever de casa. O franchising fez a lição de casa! Quero ressaltar algumas iniciativas que fizeram a diferença, como por exemplo, o co-branding. Muitas marcas se uniram para fazer campanhas de marketing cooperativadas, outras para minimizar os custos fixos dos aluguéis e passaram a dividir os mesmos espaços. Na área da logística vimos, por exemplo, as dark kitchens que vieram para ficar e agora as darks stores, ou seja, operações sem atendimento no ponto de venda, trabalhando como verdadeiros centros de distribuições. Outra coisa que me chamou atenção neste ano e vamos ver um aumento em 2022 são as fusões e aquisições. No franchising, isso já mostra o apetite de grandes redes para formarem conglomerados. A taxa de desemprego incita o empreendedorismo e logo se refletirá no setor também”, finalizou.