Shoppings de vizinhança apostam em comodidade para atrair o consumidor

DCI – Fellipe Aquino – 01/12

O alto preço dos terrenos nas grandes capitais, associado às mudanças no perfil do consumidor e ao maior interesse das incorporadoras em levar os empreendimentos para o interior, abre espaço para um modelo de negócio mais compacto: os shoppings de vizinhança, ou strip malls.

Ainda sem números consolidados, empresas como a BR Stores, GPA Malls e REP Shoppings já apostam no setor, atentas às necessidades do consumidor, que busca cada vez serviços e comodidade na hora da compra.

“Não atuamos em outros segmentos, nosso objetivo é se consolidar como uma das empresas mais eficientes em strip malls”, afirmou o superintendente da BR Stores, Cristiano Rodrigues.

Com três strip malls em operação – todos no Rio de Janeiro -, a rede irá inaugurar sua quarta unidade no estado no primeiro semestre de 2015 e a quinta, em 2016.

“Com o trânsito cada vez mais difícil e o dia a dia atarefado, o consumidor tem demandado interesse por espaços que consigam atender suas necessidades de compra próximo ao trabalho ou residência”, ressaltou ele.

Hoje, 65% das lojas nos shoppings da rede são compostas por franquias. Além disso, todas as operações encontra-se em regiões consolidadas, algo essencial para o negócio. “Identificamos as necessidades de cada região e convidamos as marcas”.

Inspirado nos modelos norte-americanos, os empreendimentos BR Stores contam com até dois mil metros de área bruta locável (ABL). Vale ressaltar que a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) não reconhece os empreendimentos com menos de cinco mil metros de ABL.

Expansão

O GPA Malls braço do Grupo Pão de Açúcar (GPA) é outra companhia que está investindo neste mercado. Com duas unidades em operação, o Conviva Américas (RJ) e Conviva Minas (MG), a empresa está construindo o seu terceiro shopping, o Conviva Tijuca (RJ), com projeção de ser inaugurado no próximo ano.

“A ideia é aproveitar o momento e demanda para avançar em pontos específicos”, contou ao DCI o CFO da empresa, Marco Antônio Teixeira.

Segundo ele, os empreendimentos foram criados para atender a demanda do bairro ou vizinhança onde estão localizados. O objetivo é oferecer, serviço, entretenimento e alimentação para as famílias que moram e passam na região.

“Temos pontos comerciais maduros, como ótima localização e que atende o nosso público alvo”, destacou.

Ancoradas por redes como a Pet Center Marginal, Centauro e Alô Bebê, até 60% das lojas dos Convivas são compostas por franquias. A companhia reserva ainda espaços para lojistas locais. “Nos últimos meses sentimos um aumento de 30% do fluxo de pessoas”.

Conveniência

Com 15 strip malls em operação, além de outros seis shopping centers no portfólio, a REP Shoppings é outra companhia que tem investido principalmente em conveniência para atrair o consumidor.

Idealizado para ser uma nova opção de negócio para o comércio, os empreendimentos da companhia que atualmente está revendo os seus modelos de negócio -, tem por objetivo oferecer melhor custo benefício para o lojista.

“Nossas operações não são voltadas para o lazer, como acontece nos shoppings centers da rede. São espaços de conveniência, apenas de passagem para compras de impulso e necessidades básicas”, diz o diretor de desenvolvimento da rede, Denis Szyfman. Instalados em regiões que não comportariam um centro comercial tradicional, todos os shoppings de vizinhança da companhia são voltados para as classes A e B. Localizados em São Paulo e Rio de Janeiro, estas regiões são estratégicas para a companhia, por estarem próximas à sede, também em São Paulo. “Esse é um modelo de negócio voltado principalmente para franquias. Não dá para ter apenas uma operação, pois o lucro é baixo”. Questionado sobre a presença de lojas âncoras nos empreendimentos, Szyfman afirmou que elas triplicam o fluxo de consumidores nos shoppings.