Microfranquia substitui emprego de investidor

Jornal DCI – Flavia Milhasi e Igor Utsumi – 12/06
O crescimento do setor de franchising tem estimulado um número maior de negócios e chama principalmente a atenção de pequenos empreendedores, queesperam um retorno rápido do capital investido. As microrranquias com nível de investimento baixo têm despertado o interesse de pessoas que buscam “comprar um emprego”, apostando em operações que requerem um aporte inicial que varia entre R$ 15mil até R$100 mil.
Esse nicho tem seguido a tendência de alta das franquias no País, tanto que de 2011 para 2012 cresceu em22% o seu faturamento, ao atingir R$4,5 bilhões. Outro dado que ressalta o potencial é o número de redes em atuação. Hoje são 368 marcas que têm no mercado mais de 13mil unidades abertas ao público.
Noentanto, essa tendência observada pelo setor pode trazer alguns riscos, sobretudo a longo prazo. Para o sócio-diretor da consultoriabaStockler, Luis Hen’ rique Stockler, apostar em micro negócios nem sempre é a melhor opção para as empresas franqueadoras. “Modelos de investimento baixo são para gerar renda rapidamente. Depende muito da estratégia defranchisingde cada empresa, para algumas isso é benéfico. Mas, acredito que não é o fator principal que vai fazer o mercado de franquias crescer e se fortalecer nos próximos anos. Podem dar volume, mas não consistência.”
Stockler apontou também que o número de franquias com investimento um pouco maior, entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, também está em expansão, e deve se destacar em breve no mercado, já demonstrando potencial após a 22a ABF FranchisingExpo, considerada a maior feira de franquias do mundo. “Quando se tem uma faixa de investimento um pouco mais alta, você pega um público um pouco melhor preparado para empreender. É um perfil de franqueado melhor, mais esclarecido. Os fianqueadores ao mesmo tempo em que querem crescer, querem fazê-lo com franqueados que dêem menos trabalho, melhor preparados, com o maior número de profissionais possível. Quanto mais perto esse candidato chegar a um perfil de empreendedor, melhor”, comentaosócio-diretor da baStockler.
Mercado promissor
Mesmo com os percalços que o segmento pode apresentar, existe um número crescente de empresários a apostar nesse nicho. Um case de sucesso e que pretende dobrar sua operação até o final deste ano é o do Grupo Zaiom. Detentor das marcas: Home Angels, Home Depil, Dr. Faz Tudo, Dr. Jardim, Amigo Computador, Tutores e Fale Globish, o Grupo tem faturamento de R$ 15 milhões como franqueadora e na soma das unidades comercializa das pode chegar a R$ 75 milhões. Segundo Artur Hipólito, diretor do grupo, só naABF eles pretende fechar 50% dos contratos do ano. “A ABF é uma feira vitrine, lá não fechamos negócios, apenas captamos novos clientes”, disse.
O executivo afirmou também que seu público alvo são pessoas com pouco capital e que querem abrir seu primeiro negócio. “Nos sa primeira intenção é transformar os informais em formais, por isso dos investimentos a partir de R$ 14mil”,argumentouele.Ainda segundo dados fornecidos pelo diretor do grupo, a preocupação, alémdaformalidade, está em tornar as sete marcas o mais profissionalizadas o possível. “Para este ano estimamos a abertura de 130 unidades para em breve atingirmos 500 operações em todo o País”, explicou ele.
A menina dos olhos do grupo, neste momento, é a Home Depil de depilação a laser. Além do serviço mencionado, está sendo estruturado a inserção de novos serviços como: limpeza de pele, drenagem linfática, entre outros serviços. ‘Agregamos a operação serviços como massagem redutora, limpeza facial, rejuvenescimento de pés e cotovelos, gomagem, todosfeitosnacasadocliente. Com isso ampliamos o leque da operação e atraímos um número maior de profissionais de estética, por exemplo, maior”.
Resultados
O baixo investimento inicial não significa que o lucro seja proporcional. A executiva Gislaine Feliciano, dona de uma franquia Ho me Angels profissionais cuidadores ganhou a operação de presente de seu marido, em 2011, que investiu R$ 20 mil.
Hoje, com pouco mais de dois anos de operação e após sofrer um pouco com a administração do negócio, ela tem três unidades em Campinas, interior de São Paulo e conta com o apoio de 30 funcionários para atender a demanda. “No começo ter retorno foi difícil, tanto que o primeiro cliente que consegui, eu mesma fui atender. Agora tenho uma equipe de apoio”, explicou. Para o próximo ano, as expectativas são positivas. A enfermeira de formação pretende ter 100 funcionários e ampliar sua capacidade de atendimento.
“De lá para cá abri outras duas unidades. Pretendo, em março do ano que vem, abrir a quarta operação”, disseaempresáriaque mesmo com o negócio próspero não para de trabalhar.
Proprietário é a principal mão de obra da operação
A estrutura reduzida das microfranquias influencia o comportamento e a atuação do empreendedor. Segundo Armando Hirose, diretor de uma unidade da rede Ensina Mais, que oferece cursos de complemento escolar, o franqueado acaba englobando diversas funções justamente pelo tamanho do negócio. “Acabamos colocando a mão na massa. Temos quatro funcionários, uma recepcionista, uma educadora, minha esposa, que cuida da parte comercial, e eu, que cuido da administrativa. Mas acabamos fazendo um pouco de tudo, vou a escolas realizar ações, participo das campanhas, dou retorno a pais e responsáveis, atendo o telefone. Isso pela nossa estrutura mais enxuta.”
O mesmo acontece com Nelson Takata, ex-professor universitário de Economia, atual franqueado da rede Dr. Resolve. Já experiente em franquias, há pouco abriu a micro-operação e, segundo ele, é preciso estar sempre ao lados dos profissionais parceiros. “Temos que estar atento, olhar o trabalho feito. Com isso fideliza- mos o clientes”, disse.
Takata afirmou também que, por ser uma operação nova, ele não consegue acompanhar todas as obras, mas já deixou avisado a seus funcionários que pretende participar de uma. “Eles não acreditam, mas vou passar um dia inteiro, quebrando parede”, argumentou.