Metodologias e ferramentas de gestão no foco das franquias

4º dia da ABF Franchising Week inicia com fórum inédito. Em sete ABF Talks foram tratados temas como tendências de consumo, OBZ, OKR, BSC, computação cognitiva e storytelling

Metodologias
Altino Cristofoletti Jr. na abertura do Fórum: metodologia e ferramentas essenciais para o franchising

O franchising mergulhou no seu dia a dia nesta quinta-feira (22) por meio do 1º Fórum de Metodologia e Ferramentas de Gestão de Redes de Franquia ABF. O presidente da entidade, Altino Cristofoletti Junior, abriu o evento que integra a ABF Franchising Week 2017, dando um panorama de toda a semana do setor.

O fórum tratou mais diretamente do tema eficiência. No primeiro ABF Talks do dia, as tendências de consumo foram analisadas por Andrea Bisker, fundadora da Stylus Brasil. A conferencista mostrou como as marcas podem criar intimidade com seus consumidores e transmitir seus conceitos ao seu público-alvo. “Intimidade de marca é trazer o consumidor para sua linha de produção”, disse. Ainda segundo Andrea, marcas inteligentes estão permitindo que seus fãs entrem em suas empresas, como por exemplo Google, Adidas e Ikea. Para a especialista, “o papel das marcas hoje é conectar pessoas e gerar relações poderosas”.

Andrea Bisker: tendências de consumo
Andrea Bisker: tendências de consumo

Ter o controle de custos como parte da cultura da empresa. Este é o conceito por trás do Orçamento Base Zero (OBZ), tema do ABF Talks com Marino Lima, diretor de novos negócios da Ambev.

Marino Lima: Orçamento Base Zero
Marino Lima: Orçamento Base Zero

“O OBZ não é uma iniciativa pontual, é uma maneira de viver, uma ferramenta de gestão que impacta diretamente na cultura da empresa”, afirmou Lima. Para tanto, é preciso ter “cultura de dono, tratar cada real como se fosse seu” e “tolerância zero para qualquer tipo de gasto desnecessário, com a não observação de políticas e regras”, ressaltou.

OKR (objetivos e resultados-chave em inglês) e BSC (Balanced Scorecard), metodologia para medir e gerenciar o desempenho empresarial, foram os temas abordados por William Juliano, diretor de TI da KickOff. “Combiná-los é o melhor dos mundos”, afirmou o especialista.

William Juliano: OKR e BSC
William Juliano: OKR e BSC

Segundo Juliano, por meio do BSC as estratégias são traduzidas em objetivos, indicadores e metas e feito isto, a empresa deve comunicá-los para toda a organização. “A grande pegada do BSC é que os objetivos são verbos. A questão não é o ‘como’, é o ‘que’ fazer para atingir seus objetivos”. Ainda segundo o especialista, OKR e BSC são metodologias complementares e não conflitantes e que tornam franquias e franqueadoras mais ágeis.

Computação cognitiva

A frieza dos números está em olhá-los como um cálculo ou algoritmo por si só e não no seu contexto. Denilson Agostinho, CEO da startup catarinense Disruptiva Franchising Intelligence, mostrou o que envolve a computação cognitiva, “a era do software que pensa”. Segundo ele, as máquinas podem aprender, porém como máquinas que são, e não como seres humanos.

Denilson Agostinho e a computação cognitiva
Denilson Agostinho e a computação cognitiva

A computação cognitiva adapta a tecnologia ao perfil de cada pessoa. Um exemplo citado por Agostinho é o site da Amazon, cuja home muda de acordo com a pessoa que o acessa. A inteligência artificial está por trás disso.

Quais as estratégias para reduzir perdas, mesmo com indicadores, ferramentas e tecnologia utilizados adequadamente? O método Lean, detalhado por Marcos Fabris, fundador da Deploy Lean, responde.

Marcos Fabris e o Método Lean
Marcos Fabris e o Método Lean

Em sua palestra, Fabris mostrou o caminho da “transformação Lean”. Segundo ele, é um método muito simples e sua premissa é a prática para que ele se torne parte da cultura da empresa. “Lean não é programa nem projeto, é uma jornada e, sendo assim, nunca acaba. Eu aprendo como se faz, aplico, coloco em prática e faço uma reflexão”, explicou.

Medir a satisfação dos clientes é essencial. A experiência do cliente é um pressuposto para o Net Promoter Score (NPS) e se tornou um diferencial competitivo, disse Tomás Duarte, fundador da Tracksale.

Tomás Duarte: NPS
Tomás Duarte: NPS

Duarte fundamenta a experiência do cliente em três pilares: esforço, emoção e sucesso. Para alcançá-lo, o especialista afirma que é preciso identificar nas empresas as pessoas que gostam de tratar com os clientes e ouvi-los, e a melhor maneira é o Net Promoter Score. Segundo ele, a ferramenta é utilizada por 500 das maiores companhias listadas pela Fortune. O “NPS é a nova era das pesquisas de satisfação”, definiu.

Que história é essa de “historytelling” e como utilizá-la a seu favor? Fato é que “uma boa história chega até você, você não precisa ir atrás dela”, disse Fernando Palácios, CEO da Storytellers. Contando histórias milenares, como “Aladim e a lâmpada mágica”, o especialista mostrou que uma boa história pode, além de emocionar, vender.

Fernando Palácios: storytelling
Fernando Palácios: storytelling

Segundo ele, não se deve ter pressa para passar a mensagem, a história pode valorizar o que a envolve. E o modo como ela é contada pode engajar pessoas, fortalecer laços e levar pessoas e empresas a alcançarem seus objetivos.

Pela primeira vez na Franchising Week e na feira da ABF, Joaquim Pedro Junior, 22 anos, engenheiro de produção, avaliou positivamente todo o evento. “Estou me surpreendendo muito com as apresentações, estou aprendendo muito com elas, os palestrantes são pessoas que têm muita experiência a oferecer para a gente. A feira que começou ontem, os cursos que têm na feira, as palestras todas estão sendo excepcionais”. Vindo de Belém (PA), Pedro participará de todos os dias da semana do franchising, para se capacitar, buscar novas oportunidades e sondar o mercado.

Fotos: Keiny Andrade