Investir em franquias pode ser uma opção para entrar no mercado árabe

DCI – Paula Salati – 14/01

Por não demandar grande capacidade produtiva, o franchising é uma saída de investimento em um momento de fraco crescimento econômico; países árabes podem reduzir comércio em 2015

Como forma de diversificar os investimentos nos países árabes, os empresários brasileiros podem apostar em exportações de serviços, principalmente, na abertura de franquias nessas regiões.

Para o professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Jorge Mortean, essa pode ser uma saída para o setor privado brasileiro, em um ano em que é esperado um baixo crescimento econômico. “O mercado de franchising é uma aposta para o empresário brasileiro que quer investir nos países árabes, já que não depende da capacidade produtiva do País que, neste ano, deve ter um desempenho mais fraco”.

“Eu apostaria nas franquias de bens de consumo não-duráveis, como restaurantes, além dos setores de calçados e roupas. São produtos mais fáceis de serem exportados, não exigem muita burocracia aduaneira e têm boa penetração no consumidor final. Além disso, é uma forma de expandir as marcas brasileiras. […] O Brasil tem uma boa imagem nos países árabes e precisamos aproveitar isso”, completa.

Para Mortean, o investimento em redes de franquias em países árabes não é somente uma forma de diversificar a pauta exportadora brasileira aos países árabes, mas também uma saída para criar independência em relação à capacidade de importação dessas regiões.

Ele explica que, com os Estados Unidos caminhando para a autossuficiência energética, as finanças de países árabes muito dependentes da exportação de petróleo podem ficar comprometidas. “Nesse cenário, países como Arábia Saudita, Omã e Jordânia, que têm o grosso de sua receita proveniente da venda de petróleo, podem querer reajustar a sua pauta de importação”, avalia.

“Contudo, por conta da questão da segurança alimentar nessas regiões, é possível que as nossas exportações de commodities agrícolas não sofram impacto negativo”, diz.

Dados

As exportações brasileiras para os principais países árabes ficaram estáveis em 2014 (ver info). Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), mostram que as vendas para as nações da Liga Árabe são compostas, em sua maior parte, por produtos básicos, que representam 61% do total vendido, com destaque para a venda de carnes de frango e bovina, além de minério de ferro e milho.

Os produtos semimanufaturados representam 20% das exportações a esses países, com destaque para outros açúcares de cana. Já os manufaturados, compõem em 19% a pauta de vendas, com açúcar refinado e máquinas mecânicas.

Uma das mais recentes negociações do Brasil com o mundo árabe se dá com os Emirados Árabes Unidos. O país tem interesse em comprar 24 unidades do avião militar Super Tucano, fabricado pela empresa brasileira Embraer. As negociações entre os dois países ainda estão em fase inicial.