Franquias são opção para quem quer começar a lucrar logo

Zero Hora – 20/07 – Eric Farina

Poucos setores foram tão beneficiados nos últimos anos pela explosão da classe média como os serviços. Com mais dinheiro no bolso, os brasileiros se deram ao luxo de ir com mais frequência aos salões de beleza, polir o carro ou assumir a mensalidade de uma academia.

Se essa corrida trouxe um peso extra ao bolso do consumidor, a quantidade de novos negócios não acompanhou a euforia, e os preços dispararam, também abriu chances para quem queria empreender e ter uma chance de faturar nessa onda.

Quando abriu uma franquia da Home Angels em Porto Alegre, em abril de 2012, Juliana Lazaroff estava preparada para esperar até um ano para começar a lucrar, mas teve uma boa surpresa. Em seis meses, o investimento de R$ 30 mil já estava pago, e o negócio, que oferece cuidados pessoais a domicílio, decolou. “Passamos a atender uma região carente desse serviço em Porto Alegre, e, no dia a dia, vimos que a demanda era enorme”, diz Juliana, que hoje tem 80 cuidadores a seu serviço.

A exemplo de muitos brasileiros que investem em franquias, essa foi sua primeira experiência à frente de uma empresa. Interessada em acelerar o retorno, mas em dúvida sobre procedimentos burocráticos, estratégias comerciais e forma de gerir o negócio, enxergou na franquia uma ilha de segurança. Ao replicar um modelo, evitou erros comuns de empreendedores de primeira viagem, como ausência de pesquisa de mercado e desconfiança de consumidores de uma marca nova.

“O investimento em franquias de serviços é mais baixo, pois dispensa estoques e equipamentos pesados, então o tempo de retorno é menor”,   afirma Marco Pozza, diretor regional da Associação Brasileira de Franchising (ABF) no Rio Grande do Sul.

Conforme a entidade, há 98 redes no país que prometem lucro em até seis meses, principalmente franquias pequenas, com investimento inicial de até R$ 80 mil, nas áreas de beleza, serviços automotivos, lanches e cursos.

Desde 2004, o número de franquias de serviços cresce 15% ao ano. “Não é novidade que o brasileiro é empreendedor por natureza, e tem muita gente querendo abrir um negócio para aproveitar este momento em que as pessoas estão ganhando e gastando mais”, afirma Pozza.

Mas as franquias não são para todos. O engessamento do negócio dá pouca liberdade para empresários lançarem promoções, trocarem de fornecedores e variarem o cardápio de serviços, o que limita o espaço para manobras em época de vendas em baixa, por exemplo.

“É preciso estar tão preparado para tocar uma franquia como uma empresa própria, especialmente a capacidade de gerir pessoas e processos”, alerta Fabiano Zortéa, coordenador de Comércio e Serviços do Sebrae-RS.

Não é fácil erguer do zero uma empresa cujo setor de atuação suscita muitas dúvidas entre clientes. Em 2009, ainda eram poucos que sabiam o que fazia uma clínica de estética, e operações como depilação a laser e lipo carbox pareciam mais coisa de ficção científica do que tratamentos confiáveis. Na época, Daniele Corleto trabalhava em uma indústria farmacêutica, mas via enorme potencial em serviços de estética. Faltava saber como fisgar os consumidores.

“Havia muita gente interessada, mas que não sabia exatamente do que se tratava. Resolvi buscar o respaldo de uma marca conhecida”, explica Daniele.

Naquele ano, ela abriu sua primeira franquia da Emagrecento, rede paulista que já tinha 22 anos de experiência no mercado. O início do negócio coincidiu com a explosão das classes C e D, que deixou mais vaidosa a classe média brasileira.

O investimento de R$ 40 mil foi recuperado ainda nos meses seguintes, e, em 2010, foi aberta a segunda franquia. Desta vez, Daniele não estava sozinha, mas acompanhada do marido, Felipe Bussolin, que decidira seguir o caminho da mulher ao ver o sucesso do negócio.

“Volta e meia, recebemos pesquisas do franqueador mostrando quais são as tendências, e assim conseguimos nos preparar. Seria mais difícil se antecipar à demanda sem esse suporte”, diz Daniele.
Estratégia para ampliações

Se o formato de franquias é um atalho para mais gente se arriscar no mundo do empreendedorismo, também pode acelerar a expansão de negócios já estabelecidos. Depois de 10 anos trabalhando com unidades próprias, Junior Cabreira, diretor da gaúcha Make Up Estética Automotiva, passou a adotar o modelo com franqueados para levar seus serviços cada vez mais longe.

“É um formato atraente porque divide investimento, risco e gestão. Em uma filial tradicional, essas responsabilidades recaem sobre a matriz”, afirma Cabreira.

A opção pelo modelo também teve motivador tributário: ao não extrapolar o número de filiais previsto por lei, a empresa se manteve enquadrada no Simples, cujo peso dos impostos é menor. A estratégia pôs a expansão em quinta marcha. De 2005 a 2014, o número de unidades pulou de três para 29, inclusive fora do Rio Grande do Sul. O faturamento saltou 400% nos últimos 10 anos o franqueador fica apenas com uma fatia do lucro.

“Até 2022, queremos ter mil unidades e ser a maior franquia automotiva do Brasil”, projeta o otimista empresário. Mas o caminho tem suas barreiras: a empresa precisou criar uma estrutura para treinar uma gama crescente de gerentes e funcionários. Também formou um comitê para avaliar se os candidatos a franqueados tem o perfil desejado. De cada 108 pedidos de franquia, só um é aceito. No dia a dia, um grupo de 15 especialistas se desdobra para ajudar a resolver problemas nas unidades mais distantes, e Júnior tem reuniões mensais com franqueados para traçar estratégias e ofensivas comerciais.
“É preciso manter a essência do negócio para que as franquias deem resultado”, afirma Cabreira.