Franquias apostam em produtos mais baratos

Franquias apostam em produtos mais baratos - estratégias implementadas para evitar prejuízos e não perder as vendas nesse período turbulento.

A queda na renda das famílias, a alta do desemprego, o aumento do endividamento e a desaceleração do consumo forçam franquias a adotar novas estratégias em busca da redução de custos. Criação de produtos mais baratos, formatos de lojas mais enxutos, renegociação de contratos e até a redução de fornecedores estão entre as estratégias implementadas para evitar prejuízos e não perder as vendas nesse período turbulento. Desde o ano passado, o comércio vem reduzindo gradativamente as vendas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice acumulado em 12 meses caiu 0,5% em maio. Foi a primeira vez desde 2004 que essa comparação aparece no vermelho. A rede Sonobello, especializada em colchões e focada nas classes B e C, foi agressiva: renegociou aluguéis, elaborou um calendário de promoções, criou produtos mais baratos e fechou lojas franqueadas em que a conta entre faturamento e custos não fechava. “A Sonobello quando percebeu todo mundo falando em crise reposicionou todas as estratégias para 2015, desenhamos um calendário de promoções até o fim do ano”, acrescentou o diretor comercial, Fabrício Tepedino. A Sonobello ainda precisou enfrentar outro problema: a alta do dólar. A espuma, que respondia por 80% das vendas da empresa, é cotada na moeda americana e viu seu preço subir atrelada à desvalorização cambial. “Direcionamos nossas vendas para o mix de mola e reposicionamos os produtos dentro do nosso mercado.

Pegamos a linha de mola, alteramos componentes dele e tornamos [os colchões] mais firmes. Com isso conseguimos aumentar a fatia de vendas de colchões de mola”, disse Tepedino, que também gastou R$ 250 mil para montar uma serralheria para montar os boxes, que antes eram comprados de outras empresas. Apesar da queda de quase 5% nas vendas, a empresa afirma que, com essas iniciativas, a Sonobello aumentou em 8% a lucratividade. Com menos dinheiro no bolso, o consumidor também passa a comer menos fora de casa. Dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que usa como base as vendas realizadas nos mais de 1,6 milhão de pontos de vendas ativos credenciados à companhia, mostram uma retração real de 3,5% no setor de bares e restaurantes de janeiro a maio, em relação a igual período de 2014.

Uma das soluções encontradas pelo grupo Trigo, que controla as redes de comida rápida Spoleto, Domino’s e Koni Store, foi oferecer promoções. A rede de fast­food de pratos italianos criou um “combo” (um prato com massa e molho, que pode ter ingredientes como gorgonzola, bacon e tomate, entre outros) cujo preço é 25% menor que o tíquete médio da loja. Mas não foi a única solução para evitar perda nas vendas. “A gente até fez uma janela de preço em junho, mas não vai ser a tônica do ano”, diz o diretor­geral da Spoleto, Henrique Pamplona. “Lançamos uma ferramenta chamada ‘bônus fidelização’ pelo celular; estamos lançando produtos, melhores e mais saborosos, com relação custo-benefício boa para o cliente. Não vamos deixar a crise nos abater nem usar como pretexto para piorar o atendimento”.

O empresário Rodrigo Cataldi, fundador da Creps, observou uma redução de pessoas que almoçam em shoppings, onde se concentra a maior parte das 26 lojas da rede de creperia. Para ele, reflexo da alta do desemprego. Cataldi adotou duas táticas para não perder clientes: criou pontos de vendas menores e pratos que custam até R$ 12. “Aumentamos o mix de produtos para aumentar o momento de compra, [para o consumidor] passar a consumir à tarde e à noite”, disse.

A rede de lanchonetes Megamatte, com 118 lojas e faturamento de R$ 101 milhões em 2014, também aposta em pontos de vendas menores. Segundo o diretor­executivo da rede Megamatte, Julio Monteiro, o objetivo é abrir 25 novas lojas no ano. “Diante de um cenário que vem se desenhando desde o início do ano, estamos lançando um produto que vai ter um custo um pouco mais reduzido para nossa rede”, disse o empresário.

No segundo semestre do ano passado, Monteiro já começou a pensar num projeto de reduzir o tamanho das lojas, com valor mínimo de R$ 80 mil ­ as franquias mais caras custam mais de R$ 300 mil. “Quando você tem uma redução do espaço físico, você tem a redução do aluguel e de todo investimento em maquinário, mobiliário e obra civil”, disse. Mesmo em um ano difícil, a rede de lanchonetes dobrou o investimento em propaganda. “Estamos tentando traçar algumas estratégias de curto prazo, que possam ajudar a combater a crise, mas o plano macro é não parar e investir dentro do orçamento do ano de 2015”, disse Monteiro.

Valor Econômico – Robson Sales – 23/07