Franquia não tem idade

Jornal do Commercio – Naiara Sales – 24/02

É crescente o número de empresários de 20 a 35 anos que apostam no franchising para realizar o sonho da abertura da própria empresa. Modelo de negócio formatado e treinamentos ajudam a reduzir o peso da pouca idade, dizem consultores.

Atraídos pelo sonho do negócio próprio e pelos números sedutores do segmento de franquias brasileiro, jovens empresários de 20 a 35 anos cada vez mais investem no setor. Consultores especializados dizem que é fundamental que o investidor pesquise bastante o mercado e converse com outros franqueados para abrir sua unidade, pois o franchising é muito dinâmico e requer bastante dedicação.

Diretora da consultoria Vecchi Ancona, especializada em inteligência estratégica, Ana Vecchi diz que é de extrema importância o jovem investidor conversar com franqueados com perfil similar ao dele para saber bem as condições que poderá enfrentar ao abrir o negócio. “Dependendo da rede ou do nicho de atuação que o empresário estiver analisando, talvez não seja fácil encontrar franqueados tão jovens quanto ele. Caso encontre, pode conseguir informações e experiências muito boas”, avalia.

Na avaliação de Ana, o sucesso de uma franquia depende 50% da estrutura e suporte da franqueadora, assim como do conceito e do posicionamento da marca, e os demais 50% da dedicação do investidor e de como ele consegue transformar a aprendizagem e procedimentos que recebeu no cotidiano do negócio. “O modelo de gestão e o padrão de atendimento e de venda vem da franqueadora, que faz a parte dela. Cabe o investidor aplicar os procedimentos e gerenciar o negócio”, acrescenta.

Diretora de comunicação e de marketing do Megamatte, Lucyana Rebello conta que chegou à empresa em 2007, quando a empresa ainda dava os primeiros passos no setor de franchising. “A estrutura era pequena e familiar, com poucas pessoas acumulando muitas funções. Acompanhei, portanto, o desenvolvimento e o crescimento da rede. Apesar de, à época, atuar como estagiária, desempenhava funções relacionadas a todas as áreas da empresa”, lembra.

Segundo ela, para quem tem formação em marketing, o mercado de franquias tem uma peculiaridade interessante. “O fato da rede franqueadora ter dois cliente, os franqueados e o consumidor final, torna o setor diferente dos demais”, acredita.

Lucyana diz que a rede tem um Centro de Treinamento, no Rio de Janeiro, onde são ministrados treinamentos para todos os novos franqueados. “Além disso, após a inauguração, a rede oferece cursos de reciclagem constantes nas mais diversas áreas que envolvem a gestão da franquia”, diz.

Sem arrependimento

Formado em administração, o carioca Gustavo Maciel, de 33 anos, trabalhou anos na Petrobras, mas, no fundo, sabia que sua veia era mesmo de empreendedor. Embora admita que pensou muito antes de largar um emprego estável para abrir o próprio negócio, ele admite que se identificou de imediato com o modelo de negócio da Geneal, rede especializada em cachorros-quentes.

“Foi escolher entre a razão e o coração. Não me arrependo nenhum um pouco. Hoje tenho três unidades em operação”, declara o empresário. “Já era cliente fiel da marca, que é muito conhecida e identificada com o Rio. Pesquisei o setor e resolvi apostar. Em 2006 abri a primeira loja, no Shopping Rio Sul”, completa.

Maciel conta que o fato de ter formação em administração ajudou bastante no sucesso da loja. “Sempre tive interesse por questões relacionadas à gestão e isso me ajudou bastante. Embora a rede tenha me dado bastante apoio, busquei poucas orientações”, comenta o franqueado do Geneal.

Segundo ele, para qualquer negócio, especialmente para franquias, a escolha do ponto é fundamental. “A unidade da Tijuca, por exemplo, encantoume por estar muito próxima ao Maracanã, e a Geneal é uma marca com íntima ligação com o estádio. Ela praticamente começou ali”, afirma Maciel. “Já a loja de Copacabana tem um forte apelo turístico, já que o bairro é um dos mais frequentados por pessoas que visitam a cidade. Encontramos um ponto muito bom na estação Arcoverde, do metrô”, acrescenta.

Desafio duplo

O jovem Henrique Rabello, de 25 anos, também resolveu viver do próprio negócio. Formado em economia, ele inaugurou em uma franquia da IS Bubble Tea, rede que tem como carro-chefe uma bebida a base de chá taiwanês, em julho de 2012, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. “Investi cerca de R$ 300 mil no negócio e a loja foi aberta em seis meses”, relembra o empresário. “Para quem deseja investir em franquia, é de extrema importância estar sempre alinhado com os franqueadores”, acrescenta.

Rabello lembra que a abertura da franquia envolveu desafios que iam muito além da gestão do negócio em si. “Trabalhamos com um produto novo no mercado e é um grande desafio apresentá-los aos consumidores, já que se trata de algo inovador no ramo de alimentação no Brasil”, comenta.

Ele diz que escolheu a IS Bubble Tea porque percebe que cada vez mais pessoas consomem produtos alinhados à saúde e bem estar. “Além disso, o número de brasileiros que se alimentam fora de casa é crescente. O setor de alimentação é um dos mais consolidados do franchising brasileiro. É o primeiro em número de redes e o segundo maior em faturamento”, destaca.