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Food trucks inovam e partem para as lojas físicas

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O Estado de S.Paulo – Gisele Tamamar – 08/09

Tendência começa a ganhar espaço estimulada por empresários de olho em maior rentabilidade

Depois de se espalharem por São Paulo, muito embora não pelas ruas, mas principalmente em eventos e nos chamados food parks, os donos de food trucks começam a abrir lojas físicas em busca dos benefícios de um ponto fixo. Apesar do investimento mais alto, na loja o empreendedor pode fidelizar o cliente, trabalhar mais opções no cardápio, abrir as portas por mais tempo e, ainda, não sofrer com as mudanças climáticas ou com um evento que não deu certo.

Com um ano de operação, o food truck La Peruana inaugurou, no mês passado, restaurante na Alameda Campinas, em São Paulo. “Os clientes começaram a pedir um endereço fixo. Não é todo dia que você quer ir em um food truck, enfrentar fila, o sol. Não é todo mundo que conhece comida peruana. Geralmente é um pessoal que viaja, gosta de experimentar coisas novas e também gosta de conforto”, conta a proprietária, Marisabel Woodman.

A chef peruana sempre quis abrir um restaurante. Estudou administração e gastronomia, trabalhou em restaurantes de chefs renomados na França, Peru e no Brasil até investir em algo próprio. O começo, nas feirinhas gastronômicas, evoluiu para a abertura do food truck e, agora, o restaurante. Marisabel conta que o investimento no ponto físico – ela não revela a quantia exata – foi três vezes maior que o montante reservado à versão sobre rodas. O toque final no local foi dado com a ajuda de uma campanha de financiamento coletivo que arrecadou R$ 10 mil no site Kickante.

Marisabel pensou em começar um segundo food truck, mas decidiu investir em algo sobre o qual teria controle. No restaurante, a chef consegue oferecer um cardápio maior e usar ingredientes mais elaborados, situação que no modelo itinerante é difícil devido ao limite de preço do prato. No estabelecimento, o tíquete médio é de R$ 60, o dobro do food truck.

Já o Holy Pasta, que funciona desde fevereiro do ano passado dentro de uma Kombi ganhou uma loja, em plena Copa do Mundo, na Vila Madalena. “Quando a gente encontrou essa garagem (na qual o ponto funciona), pensamos em montar um lojinha com o mesmo conceito do negócio e que também produzisse comida para abastecer o truck”, conta Adolpho Schaefer, um dos sócios do negócio.

Na loja, os pratos, como o Mac’n’Cheese, são 20% mais caros. Os sócios investiram R$ 60 mil na Kombi e R$ 150 mil no ponto físico. “Agora o plano é fazer com que a loja se perpetue. Estamos na fase de consolidação e de dar um ‘upgrade’ para um truck de verdade, um caminhão”, diz Schaefer.

Milk-shake. A Kombosa Shake nasceu das três paixões do empresário Diego Fernando Juliano. “Morei fora do Brasil e gosto muito de milk-shake. Passei uma temporada nos Estados Unidos e comecei a gostar muito dos food trucks americanos. Quando voltei para o Brasil, estavam parando de fabricar a Kombi”, conta.

O negócio começou a operar há um ano e dois meses e faz sucesso com sabores criativos, como o lemon chip, com limão espremido na hora, calda de limão siciliano e gotas de chocolate belga. Hoje, são quatro food trucks em operação. Em média, cada operação fatura R$ 100 mil por mês.

Apesar do sucesso do modelo, a vontade de levar o produto para um público maior fez o empresário investir na loja. A primeira foi aberta no ParkShopping São Caetano em maio. “Acontece, mas não é comum a pessoa sair da região do ABC e ir para São Paulo para tomar um milk-shake. E todas as vezes que fomos para o ABC fomos muito bem recebidos”, diz Juliano, que investiu R$ 400 mil no negócio. Já o investimento inicial para a primeira Kombi foi de R$ 150 mil – depois o projeto passou por adaptações.

O negócio tem 180 receitas elaboradas, mas a Kombi tem capacidade para produzir 25, no máximo 30. Já na loja esse número aumenta para 90 receitas. A loja serviu como piloto para o projeto de expansão da marca. Duas inaugurações de quiosques próprios estão programadas para a cidade de Santos, em outubro, e no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em novembro.

A expansão também será feita por meio de franquias em três formatos: food truck, quiosque e loja. O investimento para abrir um truck é de cerca de R$ 260 mil. Já o quiosque é de R$ 230 mil. “Já temos mais de 500 cadastros”, comemora o empresário.