Ex-operadora de telemarketing fatura R$ 6 milhões com franquia de cursos

UOL – Márcia Rodrigues – 04/08

Quando ainda era operadora de telemarketing, aos 16 anos, Rafaella Giraldi traçou a sua meta de vida: queria ser empresária. Optou por investir no setor em que atuava na época, a venda de cursos
profissionalizantes. Hoje, aos 35 anos, fatura R$ 6 milhões por ano com as 21 unidades da sua franquia, a MacPoli. O lucro não foi revelado.

Giraldi se aconselhou com um amigo consultor da área empresarial. “Traçamos juntos o meu plano de negócios. Eu iria economizar durante cinco anos para juntar R$ 100 mil. Foi o que fiz e, desde então, não paro de crescer.”

A primeira escola foi aberta em 2005. O formato de franquia começou apenas em 2012, quando a empresária já tinha três unidades próprias abertas. “Eu queria estruturar bem a empresa antes de começar a oferecer franquia para o mercado.”

Os cursos oferecidos são de administração, logística, gestão empresarial e liderança, gestão de recursos humanos, gestão da qualidade, inglês (adulto e infantil), espanhol, informática e cursos in company, personalizados de acordo com a necessidade da empresa. Os preços variam de R$ 99 a R$ 169.

Meta é crescer 20% em 2015 com três modelos de negócio

A meta para 2015 é chegar a 30 unidades e aumentar o faturamento em 20%. A MacPoli possui três modelos de negócio: licenciamento, franquia plus e premium.

O licenciamento é voltado para quem já possui escola e quer ampliar o seu mix de cursos. O investimento é de R$ 20 mil, faturamento mensal previsto é de R$ 40 mil e o prazo de retorno estimado é de 12 meses.

No modelo plus, é possível comercializar todos os cursos, com exceção dos de informática. O investimento inicial é de R$ 70 mil, com faturamento mensal de R$ 50 mil a R$ 70 mil. O retorno do investimento é estimado em 16 meses.

Na franquia premium, é possível oferecer todos os cursos. O investimento é de R$ 130 mil (inclui taxa de franquia, custos de instalação e capital de giro), com faturamento mensal de R$ 70 mil a 90 mil. O prazo de retorno é de 18 meses, segundo a empresa.

A ABF (Associação Brasileira de Franchising), no entanto, indica que os prazos de retorno do investimento são a partir de 24 meses para microfranquias (aquelas com investimento de até R$ 80 mil) e a partir de 36 meses para franquias convencionais.

Crise favorece setor, mas franquias devem ser avaliadas

Segundo Fabiano Nagamatsu, consultor do Sebrae-SP, o setor de cursos profissionalizantes é um dos que lucram com a crise. “As pessoas estão buscando qualificação para evitar a demissão ou para conseguir voltar ao mercado de trabalho. Escolas que oferecem cursos rápidos e de idiomas podem aproveitar o momento.”

No entanto, é necessário avaliar muito bem o negócio e sua gestão, diz Filomena Garcia, sócia-diretora da consultoria Franchise Store e colunista do UOL.

“Ela precisa ter, no mínimo, dois anos de operação, com lojas próprias ou franquias, para que conheça a sazonalidade do negócio e para que tenha estratégias para lidar com ela. Além disso, se não tiver nome no mercado, pode sofrer com a concorrência das que já são mais conhecidas”, declara.