Empresas franqueadoras do Brasil têm perfil familiar

Empresas franqueadoras do Brasil têm perfil familiar - Sucessão tem processo de preparação focado na continuidade

Sucessão tem processo de preparação focado na continuidade

As empresas franqueadoras do Brasil têm, em grande parte, uma característica comum: a presença de familiares nos principais cargos executivos. Contudo, a sucessão familiar no franchising, a exemplo do que ocorre com empresas de outros segmentos, tem um processo de preparação focado na continuidade e crescimento da empresa.

O proprietário da Patroni Pizza, Rubens Augusto Junior, afirma que começou a preparar sua sucessão há 15 anos, quando o filho mais velho, Rafael Augusto, hoje com 31 anos, perguntou se poderia trabalhar na empresa. “Naquela época, ele não tinha formação ou experiência de trabalho. Por isso, começou como ajudante de cozinha e precisou executar tarefas simples, entre elas lavar pratos e varrer o chão”, recorda-se.

Três anos depois, foi a vez da filha, Patrícia Augusto, atualmente com 28 anos. “Para realmente conhecer a empresa, eles tinham que passar por todas as funções. Ao longo do tempo, os dois foram sendo promovidos, de acordo com o desempenho que demonstravam”, relata Augusto Junior. Mais de uma década depois, Rafael, graduado em economia, ocupa o cargo de diretor de Marketing da rede, enquanto Patrícia, formada em direito, atua no departamento jurídico.

Na visão do empresário, o segredo de uma sucessão bem-sucedida está em considerar a real vontade dos potenciais sucessores. “Muitas sucessões mal-sucedidas ocorrem justamente porque o filho entra no negócio obrigado e não porque realmente gosta. Por exemplo, minha filha mais nova, Priscila, tem 17 anos e não quer trabalhar na empresa, pois pretende fazer faculdade de Moda. Eu a apoiei totalmente”, afirma.

Para ele, o processo de sucessão no franchising é ainda mais desafiador porque, além da administração das lojas próprias, é também necessário fornecer suporte aos franqueados. Embora esteja preparando a próxima geração há algum tempo, o fundador destaca que não pretende abandonar os negócios em pouco tempo. “Preparo a minha sucessão diariamente, pois sei que, quando eu parar, a empresa vai continuar e, quem sabe, até melhor”, ressalta. A Patroni tem 192 lojas espalhadas pelo País, sendo 12 próprias e as demais franquias.

Segunda geração – A Depyl Action, sediada na região da Savassi, cresceu graças ao esforço de duas gerações. Há 30 anos, Glaci Van Straten deu início aos negócios que, a princípio, estavam focados na fabricação de uma cera depilatória natural. Com a entrada da filha, Danyelle Van Straten, a empresa começou a prestar os serviços de depilação e se expandiu por meio do franchising.

Hoje, são 92 unidades franqueadas e outras quatro próprias, três localizadas no Rio e uma em Belo Horizonte, na região da Savassi. Atualmente, a fundadora é responsável pela fábrica de cera, instalada em Santa Catarina, e pelas lojas localizadas no Rio. Danyelle, por sua vez, está à frente do franchising e da unidade mineira. “Estamos profissionalizando cada vez mais os processos, mas sem modificar os valores e essências da empresa. Percebemos que, no franchising, o envolvimento da família é fundamental para o sucesso do negócio”, destaca.

Embora seu filho tenha apenas 10 anos, Danyelle Van Straten, que também é diretora da regional Minas Gerais da Associação Brasileira de Franchising (ABF), diz que ele já demonstra interesse pelos negócios da família. “Procuro envolvê-lo no que acontece na empresa de forma natural, mas é importante que ele tenha a liberdade de escolha para seguir seu próprio caminho”, pondera.

Diário do Comércio – MG -Nádia de Assis – 08/07