Como empreender na favela

Histórias de quem empreende na favela

De acordo com estudo do Instituto Locomotiva, um terço da população que vive em favelas do Brasil pretende empreender nos próximos anos. Conheça histórias de franqueados que já deram esse passo

Atualmente, existem 13,7 milhões de brasileiros vivendo em favelas, segundo o estudo DataFavela, feito pelo Instituto Locomotiva. A massa de renda dessas pessoas cresceu mais de 40% em termos reais, em dez anos. Passou de R$ 58,9 bilhões, em 2008, para
R$ 83,1 bilhões, em 2018.

O estudo identificou, ainda, que os moradores das favelas confiam em sua capacidade de fazer acontecer. Cinco entre cada dez moradores têm intenções de abrir o próprio negócio e isso já tem se refletido no franchising nacional.

Nas favelas, a vontade de empreender é ainda maior que o sonho de um emprego com carteira assinada. Empreender é a chance de ganhar dinheiro de verdade, fugir do salário mínimo e, ao mesmo tempo, ficar perto do lugar onde cresceu, explica o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.

Na visco do especialista, o modelo de franquia favorece, pois junta a vontade de empreender com o preparo necessário para fazer o negocio vingar.

Largou emprego e empreende nas favelas vizinhas
Sidnei Costa, 38 anos, é franqueado da Premiapão. Morador do bairro Jardim Alpino, na zona Sul de São Paulo, o empreendedor atende diversas comunidades ao redor, como Cidade Dutra, Jardim Represa, Rio Bonito, Jardim São Rafael e Vila São José.

A distância de sua casa para o trabalho fez com que ele pensasse em abrir um negócio próprio no bairro em que mora. Costa enfrentava duas horas diárias de transporte público no trajeto de ida e mais duas horas para voltar para casa.

Em uma pesquisa no Youtube sobre o Sebrae, encontrei alguns vídeos sobre a franquia da Premiapão. Logo me interessei pela estrutura da marca, fui ao site e notei que a marca tem o selo de ABF, o que me trouxe ainda mais confia e credibilidade, explica.

Com o tipo de negócio que escolheu, Costa atende a diversas empresas da região, como pet shops, mercadinhos, pizzarias, provedores de internet, escolas de inglês e autoescolas. Por ser um bairro periférico, as pessoas tendem a ficar desconfiadas, então temos que passar total confiança para as empresas. Esse é um desafio que, aos poucos, esta sendo superado, pois dia após dia busco maneiras de aprimorar o atendimento e passar maior credibilidade as pessoas. Seu faturamento atual é de cerca de R$ 10 mil.

Ex-presidiário faz renda com franquia de comunicação
Jorge Luis Linhares, 44 anos, encontrou muita dificuldade para se recolocar no mercado de trabalho após sair da prisão. Precisou despertar seu instinto empreendedor para conseguir se manter. Ele criou uma agência de propaganda na Rocinha, uma das maiores favelas do mundo, no Rio de Janeiro e, tempos depois, tornou-se franqueado da Elefante Verde.

Com a guerra que estourou, o comércio ficou fraco e o prejuízo foi muito grande na área comercial da comunidade, comenta. Linhares já chegou a faturar R$ 8 mil, mas atualmente o valor tem sido em torno de R$ 2,4 mil. Ele responsabiliza a crise econômica e a intervenção federal no Rio de Janeiro pela queda.

Agência de viagens prepara expansão
A Vai Voando foi adquirida pelo Grupo Flytour, em 2016, e estuda a possibilidade de expandir por franquias, em 2019. Eles já possuem mais de 540 pontos de venda em periferias de todo o País.

A empresa tem nove anos de existência e oferece pacotes turísticos aéreos e terrestres, com hospedagem, e sistema pré-pago. Sem a necessidade de comprovação de renda, fiador ou consulta de crédito, o consumidor pode parcelar sua compra em ati 12 vezes no carnê.

De acordo com a marca, a maioria dos 615 mil passageiros que já embarcaram pelo sistema andaram de avião pela primeira vez com a Vai Voando.

A empresa cresceu 43% no primeiro trimestre de 2018, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os principais destinos vendidos foram: Fortaleza (CE), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Salvador (BA) partindo de Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

De todas as vendas realizadas no primeiro trimestre, 65% foram com embarque acima de 60 dias, e 55% foram parceladas no boleto. O tíquete médio foi de R$ 1.089,00. Isso mostra que nossos clientes estão se planejando para as férias e feriados prolongados que teremos, diz o diretor da Vai Voando, Luiz Andreaza.