ABF abre 2º Congresso Internacional de Franchising debatendo a gestão do capital humano


Congresso foi iniciado com o Hino Nacional executado por coral de crianças da ONG Casa do Zezinho

Evento reuniu mais de 500 participantes interessados em temas que enfocaram análises do ambiente macroeconômico e estratégias para maximizar resultados e promover o crescimento sustentável das empresas do setor
 

Sob o tema “Gestão do Capital Humano Maximiza Resultados”, a ABF abriu nesta quinta-feira, 23, o seu 2º Congresso Internacional de Franchising. Realizado no World Trade Center – São Paulo. O evento reuniu mais de 500 participantes, entre empresários, franqueadores e franqueados, executivos e outros profissionais e foi iniciado com a execução do Hino Nacional pelo coral de crianças da Casa do Zezinho, ONG do Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo.

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Cristina Franco,presidente da ABF: “O franchising está na essência do capital humano”

“O franchising está na essência do capital humano. Sabemos que é gente que faz acontecer e o tema estará presente em cada rede por todo esse ano”, declarou a presidente da ABF Cristina Franco na abertura do evento.

Convidando os congressistas à uma reflexão a respeito dos negócios e sobre como superar momentos mais críticos, Cristina pediu licença para ler o texto “Crise”, de Maurício Gois, que afirma: “A crise é a melhor bênção que pode acontecer à pessoas e países porque a crise traz progresso, a criatividade nasce da angústia assim como o dia lindo vem do ventre da noite escura”.


De acordo com o economista-chefe do Pátria Investimentos, Luiz Fernando Lopes, o melhor momento para apostar em crescimento e consolidação do negócio é agora
 
Luís Fernando Lopes, economista-chefe da Pátria Investimentos, palestrou sobre como o ambiente macroeconômico e político pode afetar os negócios neste e no próximo ano. Segundo ele, o principal problema global é a lenta recuperação econômica. “Não é uma crise, é uma recuperação mais lenta e desigual que estamos vendo ao redor do mundo”, afirmou.

De acordo com o economista, há aspectos positivos para o País. “Os investidores brasileiros estão repatriando investimentos de longo prazo para o país. O Brasil é o maior recipiente de investimentos do mundo”, disse. Para ele, “o sucesso do País a longo prazo está na menor desigualdade de renda e ascensão da classe média”.

Ainda segundo o economista, a classe média nacional representa hoje 55% da população. São pessoas que ganham em média R$ 2 mil por mês, bem diferente da mesma classe europeia, que tem ganhos médios em torno de R$ 20 mil reais mês.

Na visão de Lopes, o momento atual é de oportunidade para os investidores. “Para quem tem recursos disponíveis, o melhor momento para apostar no crescimento ou consolidação dos seus negócios é agora” e, concluindo, o palestrante sentenciou: “Capital humano é a solução para a retomada do crescimento brasileiro”.
 


Consultor e sócio da Varese Retail, Alberto Serrentino; Marcelo Menezes, diretor operacional das Óticas Diniz e Claudio Bobrow, fundador da Puket; entrevistados pela jornalista Fátima Turci

No primeiro debate do dia, o tema “Franquia e Varejo – os desafios do varejo brasileiro e a importância do capital humano para eficiência operacional” foi tratado pelo consultor e sócio da Varese Retail,  Alberto Serrentino; Claudio Bobrow, fundador da Puket; e Marcelo Menezes, diretor operacional das Óticas Diniz, entrevistados pela jornalista Fátima Turci.

Para Serrentino, o varejo brasileiro pode ser compreendido em quatro ciclos de desenvolvimento: Pré-real, de 1992 a 1994; de 94 a 2002; de 2003 a 2012, em que o setor vivenciou um crescimento acelerado no consumo e teve foco em expansão, com aumento da internacionalização; e o cenário atual, a partir de 2013, com uma progressiva desaceleração do crescimento do varejo e um novo foco estratégico das empresas varejistas, combinando expansão com forte controle de custos.

“O principal ponto do cenário e que é positivo: as empresas do varejo estão muito bem, com caixa, gerando liquidez, diferentemente de períodos de crise anteriores”, afirmou. Observando o capital humano como fator de diferenciação no varejo, o consultor enfatizou que estas são “empresas que têm como princípio as pessoas em primeiro plano, foco no recrutamento e que treinam continuamente”.

Marcelo Menezes explicou o diferencial da Óticas Diniz, a maior rede do setor ótico da América Latina, atualmente com 850 lojas, 110 delas inauguradas em 2014, número que deve chegar a 115 este ano. “Temos uma fórmula voltada para a classe C, tratando-a como consumidor classe A. Este é um DNA que percorre toda a rede”, disse.

Claudio Brobow afirmou que a rede implantou uma visão inovadora no negócio. “Nos posicionamos não como varejo de meias, mas como um negócio de entretenimento. Buscamos olhar a menina que está dentro de cada mulher, uma nova visão”, ressaltou.

O empresário recomendou que os líderes deixem o capital humano engajado, fazendo com que os colaboradores se apaixonem pela empresa. Já enfocando o cenário econômico, Bobrow contou a experiência da própria Puket: “Os momentos em que a empresa mais cresceu foi quando não olhamos para o que estava acontecendo ao lado. Está em nosso alcance fazer a diferença. A gente precisa tirar o medo do dia a dia das empresas”, disse.

Franqueado qualificado
 

Cristina Franco, da ABF, e Thomas Batt, da RSA Seguradora firmam acordo que irá beneficiar associados

À tarde, a programação foi retomada com a assinatura de um convênio entre a ABF e a RSA Seguradora, feito respectivamente pela presidente Cristina Franco e o CEO Thomas Batt. Por meio do convênio serão oferecidos benefícios aos associados.
 
A seguir, Juarez Leão, fundador e presidente da consultoria Leão Business Upgrade e diretor de treinamento, cursos e eventos da ABF coordenou o painel “Franqueado qualificado, capital humano essencial para o sucesso de uma Rede”, com palestra de Heloisa Menezes, diretora técnica do SEBRAE, órgão do governo federal que apenas em 2014 atendeu mais de 2 milhões de pequenos negócios no País.
 

Heloisa Menezes, diretora técnica do SEBRAE, apresentou ações desenvolvidas entre o SEBRAE e a ABF
 
Para a executiva, “trabalhar em rede requer interesses recíprocos para tratar de um propósito único. O trabalho e o sucesso do trabalho em rede requer muita capacitação”. Ainda segundo Heloísa, a capacitação e o fomento de linhas de crédito para o micro e pequeno empreendedor são duas das principais ações desenvolvidas entre o SEBRAE e a ABF.

Com foco na interiorização do franchising, um dos pilares da atual gestão da ABF, Heloísa enfatizou a importância do convênio entre ambas organizações firmado para implantação do Projeto Franquias Brasil, que envolve um aporte de R$ 18 milhões, tendo contrapartida de 30% da ABF.
 

Juarez Leão, da Leão Business Upgrade e diretor de treinamento da ABF comentou sobre o projeto Franquias Brasil 

O diretor da ABF ressaltou que o projeto envolve 330 cursos, 120 cidades de 19 estados brasileiros com 10 mil treinandos. “Este é o maior projeto de capacitação já realizado no franchising brasileiro”, disse.

Ainda segundo Leão, foi feito todo um conteúdo específico para os cursos, desenvolvido ao longo de 2014 um treinamento para 40 instrutores que estão ajudando a ABF e o SEBRAE a democratizar o franchising. “É com muita capacitação e educação que nós vamos transformar o Brasil”, defendeu.

Heloísa anunciou durante o evento que estão finalizando a articulação entre ABF, SEBRAE e Bradesco por meio do FAMPE Franquias (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas), que dá garantias para linha de capital de giro para investimentos de até R$ 80 mil.

Aluna entusiasta do franchising
 


“O compromisso com a aluna entusiasta do franchising é que possamos fortalecer o setor por todo o interior do Brasil”: Claudio Tieghi, diretor da ABF
 
Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado, relacionamento e sustentabilidade da ABF falou de sua experiência como instrutor do Projeto Franquias Brasil, lendo uma carta manuscrita da aluna Elayne meirelles, de Manaus (AM), que lhe chamou atenção desde o primeiro momento do curso Entendendo Franchising, sentada à frente e ativa participante. “Feliz fiquei ao saber do projeto Franquias Brasil. Há quatro anos leio, acompanho, analiso minuciosamente o tema franchising, é um tema apaixonante e instigante. (…) A educação juntamente com o empreendedorismo são armas poderosas que poderão quebrar os grilhões da miséria no mundo”, escreveu.

“O compromisso com essa empreendedora, aluna, entusiasta do franchising é que possamos fortalecer o setor por todo o interior do Brasil”, defendeu Tieghi.
 


Altino Cristofoletti Junior, vice-presidente da ABF:“Estamos sempre atentos à documentação e avaliação dos franqueados, pois sabemos da credibilidade que o Selo fornece às empresas que o conquistam”
 
Altino Cristofoletti Junior, vice-presidente da ABF e fundador da Casa do Construtor foi o entrevistador no painel “Selo de Excelência em Franchising: uso estratégico para a evolução do sistema de franquia”, que contou com representantes de três marcas. A chancela é reconhecida como um diferencial das redes no mercado especialmente por ser conquistada a partir dos resultados de uma pesquisa feita com os próprios franqueados das redes associadas.

Adriana Auriemo, sócia-diretora da Nutty Bavarian, inscreve a rede para concorrer ao Selo desde 2006, sempre conquistando a chancela. Segundo ela, há sempre uma expectativa quanto aos resultados e os indicadores usados pela ABF para pontuar a rede servem de instrumentos para nortear as ações da franqueadora para manter ou melhorar seus resultados.

Já Adriana Lima, diretora de operações da rede Rei do Mate destacou: “São dezessete anos que nós lutamos por ele. O Selo é sempre uma conquista, é importante também a avaliação da ABF e sempre tem o desafio do ano seguinte”, observou.

Sylvia Barros, da The Kids Club. “O resultado do Selo é levado à Convenção. O selo serve como uma bussola, além de nos dizer se estamos no caminho certo, nos ajuda a nos guiar para atuarmos cada vez melhor”, explicou.

Para o vice-presidente da ABF, “em que pese a chancela pela avaliação dos franqueados, antes de ser feita toda essa avaliação existe todo um trabalho da ABF de verificação da documentação. A ABF está sempre atenta a este trabalho porque sabe da credibilidade que ele fornece às empresas que o conquistam”.

Franqueados multiunidades e multimarcas
 


André Friedheim, diretor internacional da ABF, falou sobre cases com os multifranqueados Alessandra Santiago e Rodrigo Dias
 
“O primeiro Congresso de Multifranqueados acabou de acontecer nos Estados Unidos”, anunciou André Friedheim, CEO da Francap e diretor internacional da ABF, ao iniciar o painel “Case franqueado brasileiro: como gerir multiunidades e multimarcas e a importância da gestão para resultados de alta performance”. Segundo ele, 55% dos franqueados nos Estados Unidos são multilojas e destes, 15% são multibandeiras, com uma média de 2,6 franquias por franqueado.

Alessandra Santiago, multifranqueada das marcas Magic Feet, Sherlock Dog, Café do Ponto, Casa Pilão e Authentic Feet afirmou que é preciso participar da operação. Já o também multifranqueado Rodrigo Dias, que possui lojas das redes O Boticário, Brahma Express e quem disse, Berenice? Contou que a família ingressou no franchising inicialmente em busca de arrumar algo para a mãe fazer. “De lá para cá vimos todo esse crescimento vertiginoso do franchising.”

Falando a respeito do programa de sucessão de O Boticário “O futuro em nossas mãos”, Dias afirmou que a rede “enxergou o capital humano, percebeu que precisava atuar com essa geração que viria, tentando perpetuar isso [o negócio] para as novas gerações, para que houvesse uma continuidade dessa história”.
 


“A atenção do consumidor é o ingrediente principal”: Thales Teixeira, professor de marketing da Harvard Business School

Thales Teixeira, professor de marketing da Harvard Business School, tratou da “Economia da atenção no mundo das franquias”.
De acordo com o especialista, para franqueadores terem maior poder de influência na decisão de compra dos consumidores é preciso investir mais em marca e a atenção do consumidor é o ingrediente principal.
Segundo Teixeira, mundialmente o custo da atenção tem aumentado mais que a inflação – há mais marcas competindo pela atenção e para combater isto, existem três abordagens de propaganda enxuta na estratégia de construir marcas usando pouco dinheiro: “Criar propagandas que retenham a atenção do consumidor, que funcionem bem em baixa atenção e que algumas pessoas compartilhem com muitos”, tornando-a viral.
Ainda de acordo com o professor, a integração das diversas partes do modelo de negócio cria um ciclo virtuoso que envolve quatro elementos: fonte de diferenciação, método de aquisição de consumidores, margens e destino de reinvestimentos.

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Fotos: Keiny Andrade e Marcel Uyeta