Mercado de franquias cresce 8,3% em 2016

Faturamento do setor é da ordem de R$ 151 bilhões e número de unidades supera 142 mil. Segmentos que mais cresceram foram Saúde, Beleza e Bem-Estar (15,5%), Serviços Automotivos (11,6%) e Moda (10,4%).

Franchising
Esforços empreendidos no setor resultaram num crescimento de 8,3%

A ABF divulgou recentemente os números consolidados da Pesquisa de Desempenho do setor em 2016. Todos os esforços empreendidos na indústria do franchising no ano passado resultaram num crescimento de 8,3% na receita em relação a 2015, um pouco acima da projeção feita pela entidade que apontou um índice de crescimento na faixa de 6% a 8%. O faturamento do setor foi de R$ 139,593 bilhões para R$ 151,247 bilhões.

RAIO-X SETOR DE FRANQUIAS EM 2016

Faturamento R$ 151,247 bilhões
Unidades 142.593
Marcas em operação no Brasil 3.039
Empregos Diretos 1.192.495

“O franchising brasileiro enfrentou com muito profissionalismo e dedicação o desafiador cenário econômico brasileiro e, com isso, preservou suas operações. Atribuímos este desempenho à preparação que o setor vem adotando desde 2012, à busca incessante por eficiência e novos mercados e a ações para atrair um consumidor ainda retraído. Além disso, a operação em rede foi mais importante do que nunca, favorecendo a renegociação de custos, a troca de experiências e o desenvolvimento conjunto de novas estratégias”, declara Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

Franquias
Receita do setor no ano passado superou R$ 151 bilhões

A queda da inflação, o aparecimento de alguns sinais de melhora na confiança do empresariado e do consumidor, o maior rigor fiscal na esfera pública e a abertura de 20 novos shoppings (fonte: Abrasce) também contribuíram para o desempenho positivo do setor. “Alguns segmentos se destacaram pela inovação, seja desenvolvendo novos canais de venda, estratégias no mercado digital, seja explorando novos nichos. É o caso, por exemplo, das clínicas de saúde popular e serviços de marketing digital”, completa o presidente da ABF.

Outro movimento captado pela pesquisa foi a permanência da expansão das redes de franquia para o interior do Brasil. Em 2016, o franchising alcançou 42%, ou 2.321 dos 5.570 municípios brasileiros, tendo registrado presença em 40% das cidades no ano anterior.De acordo com Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da ABF, “esse é um movimento crescente do franchising, que acompanha o próprio varejo de uma forma geral. A maior capilaridade das redes para cidades menores, fora dos grandes centros urbanos, deverá se manter nos próximos anos. A busca das redes por novos mercados, os custos mais baixos e o desejo dos consumidores em ter acesso a marcas conhecidas e a seus produtos e serviços são fatores que contribuem para esse movimento.”

Nas grandes cidades, a estratégia de expansão tem avançado para bairros mais distantes por meio de outros formatos de operação. A pesquisa revelou, ainda, a evidência da interiorização, dado que Campinas é a única cidade que não é capital na seleta lista das dez cidades com maior número de unidades no País, com índice de participação de 1,6% na distribuição de unidades entre 2015 e 2016.

FranquiasEmpregos diretos somam mais de 1,192 milhão de pessoas

Mesmo com um mercado de trabalho ainda em retração, o franchising conseguiu manter o nível de empregabilidade no setor. De acordo com a pesquisa, foram registrados no ano passado 1.192.495 trabalhadores diretos no sistema de franquias ante 1.189.785 em 2015, o que representa uma variação positiva de 0,2%.

Evolução do número de unidades

Segundo a pesquisa da ABF, em 2016 o número de unidades de franquias em operação no País totalizou 142.593, uma expansão de 3,1% frente a 2015, quando foram registrados 138.343 pontos de venda (PDVs). A taxa de mortalidade no ano foi de 5,1%. “Com a retração do PIB e do consumo de forma geral, houve um aumento desse indicador dentro da margem esperada. Além de estar sempre alerta, este é o momento que o empreendedor deve estar próximo à operação e ao franqueador para realizar as ações necessárias com agilidade”, explica Claudio Tieghi.

Redes refletem maior maturidade do mercado

De acordo com o levantamento, o número de redes de franquia em atividade no Brasil no ano passado foi de 3.039, registrando um decréscimo de 1,1% em relação a 2015, quando havia 3.073 marcas. Segundo o presidente da ABF, o dado revela um maior amadurecimento do franchising brasileiro, em que há menos marcas com mais unidades. “O mercado norte-americano, o maior do franchising mundial, é um exemplo disso. Segundo o World Franchise Council, os Estados Unidos são o quarto país do mundo em número de redes, mas o primeiro em unidades de franquia. Temos também que levar em conta movimentos de fusões e aquisições e o fortalecimento de holdings de franquias”, ressalta Altino Cristofoletti.

Nova classificação da ABF e o desempenho por segmento

A ABF desenvolveu a partir de 2016 uma nova classificação dos segmentos do franchising que possibilitou fornecer ao mercado uma radiografia mais precisa da participação de cada um dos 11 segmentos e dos respectivos subsegmentos no mercado. “A reclassificação fortaleceu a representatividade e proporcionou uma leitura mais apurada dos diversos segmentos, subsegmentos e dos ramos de atuação das redes”, explica Claudio Tieghi.

Os segmentos estão assim classificados: Alimentação; Casa e Construção; Comunicação, Informática e Eletrônicos; Entretenimento e Lazer; Hotelaria e Turismo; Limpeza e Conservação; Moda; Saúde, Beleza e Bem-Estar; Serviços Automotivos; Serviços Educacionais e Serviços e Outros Negócios.

De acordo com a pesquisa da ABF, Saúde, Beleza e Bem-Estar foi o segmento que apresentou a maior variação de faturamento no período, com 15,5% de crescimento em relação a 2015. A ascensão de redes de clínicas médicas populares, que ganharam espaço frente à retração do mercado de trabalho e à consequente saída de usuários dos planos de saúde, a utilização de novos canais de venda (porta a porta), além da entrada de novas marcas e de grandes players no mercado favoreceram esse desempenho. As marcas Hinode, Quem Disse, Berenice? e Sobrancelhas Design são exemplos desse crescimento.

Serviços Automotivos teve o segundo melhor índice de crescimento no mesmo período, registrando 11,6% de variação. O mercado de veículos seminovos registrou uma expansão considerável no ano passado, além do fato de as redes de serviços automotivos oferecerem aos clientes padrão de atendimento e agilidade como diferenciais frente a negócios tradicionais. Entre as marcas que exemplificam esse bom desempenho estão Bono Pneus, Jet Oil e Make-up Estética Automotiva.

O segmento de Moda destacou-se em terceiro lugar, alcançando um crescimento de 10,4% na comparação com 2015. A oferta de novos produtos, as estratégias de promoção e a expansão das redes são fatores que explicam esse crescimento. As marcas que ilustram o bom desempenho no segmento são Clube Melissa, Hope Lingerie e Jorge Bischoff.

Alimentação manteve seu bom desempenho e com receita 8,8% maior em relação ao ano anterior ficou em 4º lugar. O segmento que individualmente é o mais representativo do franchising e está entre os mais tradicionais do setor lançou mão de promoções e da diversificação de canais de venda, como aplicativos, criando uma nova experiência de compra para o consumidor e reduzindo eventuais atritos. Cacau Show, Chiquinho Sorvetes e Mania de Churrasco são marcas que exemplificam esse crescimento.

Internacionalização continua

De acordo com a pesquisa da ABF, atualmente 138 marcas nacionais operam em 61 países. Deste total, 130 possuem unidades e 12 são exportadoras (8 apenas exportam e 4 também possuem unidades lá fora), enviando seus produtos para 80 destinos em todo o mundo. Em 2015, eram 134 redes presentes em 60 nações.

No ano passado, 14 novos países passaram a contar com operações de redes brasileiras: Antígua e Barbuda, Congo, Dominica, Granada, Ilhas Virgens Britânicas, Índia, Israel, Jamaica, Jordânia, Marrocos, São Cristóvão e Neves, Suriname, Tailândia e Turquia. Além disso, 11 marcas brasileiras se internacionalizaram: Acaí Concept, Arquivar – Gestão de Documentos, Colchão Inteligente – Postural, Fast Acaí, Guia-se Negócios pela Internet, Limpidus, Nutty Bavarian, Ronaldo Academy, Sergios, Socila e UPTIME – Comunicação em Inglês.

Para o diretor de inteligência de mercado, “a maior profissionalização, o aumento da competitividade entre as empresas, com a vinda de redes estrangeiras para o Brasil, também têm contribuído para a expansão internacional das marcas brasileiras. E o que podemos observar também é que há certa mudança na cultura exportadora do Brasil, um país que por ter um mercado interno muito grande somente há poucas décadas começou a mirar o exterior”.

Os Estados Unidos continuam liderando a lista dos países com maior número de operações de franquias brasileiras (49). Em segundo lugar está o Paraguai (29) e Portugal (26) em terceiro. “Aumentou sobremaneira o número de marcas brasileiras nos Estados Unidos com ao menos uma unidade, com o objetivo inicial de testar a operação num mercado atraente e altamente competitivo. Já a expansão em países da América Latina e de língua portuguesa [veja quadro abaixo] está relacionada à localização geográfica e à similaridade do idioma. Destaque para o Paraguai, que passou da terceira para a segunda posição entre os países com mais redes brasileiras, atraídas tanto pela proximidade geográfica e cultural, como pelo bom desempenho econômico paraguaio”, completa Tieghi.

Franquias

Os segmentos mais internacionalizados do franchising brasileiro são Moda, com 27,5% de participação, seguido de Alimentação (15,9%) e Saúde, Beleza e Bem-Estar (14,5%).

Ranking do WFC

O Brasil manteve o 4º lugar entre os países com maior número de redes de franquia, de acordo com o World Franchise Council. O ranking é liderado pela China, seguida de Coréia do Sul e Estados Unidos:

FranquiasA mesma posição do Brasil (6º lugar) foi mantida na lista das nações com maior número de unidades de franquia em todo o mundo. A liderança, no entanto, é dos Estados Unidos, em 2º lugar está a China e em 3º, o Japão:

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Imagem: Divulgação