Veja as tendências e o que deve sair de moda para as pequenas empresas

Jornal Folha de S.Paulo – 06/01 – Dhiego Maia, Felipe Gutierrez, Heloisa Brenha
 
Se nada é mais poderoso do que uma ideia cuja hora chegou, como ensina a frase atribuída ao dramaturgo Victor Hugo (1802-1895), vale a pena saber quais são as informações que estão para conquistar o mercado. 
 
Estar com a ideia do momento na cabeça e abandonar o que não funciona mais é uma vantagem competitiva para um pequeno empresário.

Em 2014, as eleições e a Copa certamente vão influenciar a maneira como serão feitos negócios para o mal e para o bem. Seja trazendo dúvidas ao investidor que vai escolher um novo negócio no qual quer apostar, seja trazendo mais clientes para um hotel.

Veja algumas das ideias cujas horas estão próximas.

INVESTIMENTO
 
HÁ DE VIR
O ano é de incerteza: as eleições fazem com que o dinheiro do governo seja mais escasso  – deve haver menos editais de fomento às startups. O investidor privado também deve ficar mais receoso, segundo Bruno Rondani, do concurso Desafio Brasil, da FGV. Captar novos recursos nesse cenário será tarefa árdua.

É PASSADO
A presença de fundos estrangeiros interessados em novas empresas não deve ser como nos últimos anos.

VAREJO
 
HÁ DE VIR
A Copa será positiva para o varejo brasileiro em 2014, na análise de Nuno Fouto, do Programa de Administração do Varejo da FIA. O evento será “o embrião para novos negócios”.
 
É PASSADO
Para as concessionárias: incentivada nos últimos anos pela redução de impostos pelo governo, a venda de automóveis, na previsão de Fouto, deverá cair consideravelmente já no primeiro trimestre do ano.

INDÚSTRIA
 
HÁ DE VIR
Irá melhor quem investir em nichos. “Não dá para massificar. O ideal é alcançar públicos específicos com produtos de alta qualidade”, diz Jouseth Couri, do sindicato da pequena indústria.

É PASSADO
Para Fábio Silveira, da consultoria GO Associados, indústrias que usam mão de obra intensiva tendem a perder competitividade para as mais tecnológicas

LEGISLAÇÃO

HÁ DE VIR
O STF irá decidir se as empresas podem fazer doações à campanhas políticas. Para Paulo Feldman, da Fecomercio-SP, os projetos e pedidos que as pequenas empresas enviam aos parlamentares não são aceitos “porque quem contribui com as campanhas são grandes corporações”.
 
É PASSADO
A lei que define o teto de faturamento para enquadramento no Simples precisa ser revista. Sessão do STF que começou a julgar ação que visa à proibição do financiamento de campanhas políticas por empresas

SERVIÇOS
 
HÁ DE VIR
Os serviços não tiveram grande crescimento em 2013. Mas dentro do setor há áreas que podem ir bem, como transportes e hotelaria. “Esses serviços foram beneficiados não só pela Copa, mas também pelo fortalecimento da classe média”, diz o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

É PASSADO
Empresas que oferecem capacitação profissional e apoio operacional devem crescer menos, pois já se expandiram em preparação para a Copa, diz o Sebrae.

FRANQUIAS
 
HÁ DE VIR
A ABF (Associação Brasileira de Franchising) prevê que em 2014 as franquias cresçam 12% em faturamento, puxadas principalmente por bandeiras dos setores de saúde e beleza, alimentação e serviços domésticos.

É PASSADO
O coordenador de estudos de varejo da ESPM, Ricardo Pastore, diz que as franquias de hipermercados perderam fôlego, pois pessoas abandonaram o hábito de fazer grandes compras, preferindo lojas de bairro.

INTERNET

HÁ DE VIR
Na Ásia, na Europa e nos EUA cresce muito o uso do telefone para comparar preços ou fazer compras. Isso se chama “omnichannel”. As empresas de varejo online vão ter que se adaptar, afirma Pedro Guasti, da consultoria E-bit.

É PASSADO
Não é mais preciso convencer alguém a comprar pela web. Só não compra quem não tem poder aquisitivo. O medo já passou, diz Guasti.

Mike Segar/Reuters
Empresas precisam se adaptar para a busca de informações e compra de produtos pelo celular
 
EXPORTAÇÃO

HÁ DE VIR
O diretor da Apex (agência para ajudar a exportar) Ricardo Santana afirma que quem quer começar a exportar precisa olhar para “Colômbia, Chile, Uruguai e Peru, que estão crescendo”. Ele diz que, para quem já tem alguma experiência em mercados estrangeiros, 2014 deve ser um bom ano nos EUA.

É PASSADO
Segundo Santana, empresas precisam parar de atuar fora do país sem tentar entender o contexto diferente de cada região.

EVENTOS

HÁ DE VIR
Em um ano normal, 65% dos investimentos em eventos acontecem no segundo semestre, diz Kito Mansano, da Associação de Marketing Promocional. Mas 2014 não é um ano normal. O primeiro semestre vai ser mais importante. A dica é correr.

É PASSADO
Grandes shows não fecham as contas só com a bilheteria. “A tendência é não ter mais. Eles são muito arriscados”, afirma Mansano.