Setor deve crescer 7%, este ano, no Ceará

O Estado – Fortaleza (CE) – 30/06 – Redação

O mercado de franquias vem se tornando promissor, diante dos números registrados nos últimos anos. Só em 2013, o segmento registrou um crescimento de dois dígitos, ao fechar o ano com 11,9% de expansão em faturamento, ao movimentar o montante de R$ 115 bilhões, conforme informações da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Isso mostra que o franchising brasileiro obtém um desempenho positivo, diversas vezes superior ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que neste período, cresceu 2,3%.

Em relação ao número de unidades ou pontos de vendas, o setor atingiu a marca de 114.409, em 2013, que representa um crescimento de 9,4%. De acordo com a ABF, ainda há uma grande concentração de unidades na região Sudeste (58,7%). Porém, nos últimos anos, as redes têm investido mais no interior e fora do eixo Rio-São Paulo. A expansão das redes por todo o País mostra uma crescente participação das demais regiões: Sul (14,5%), Nordeste (14,5%), Centro-Oeste (8%) e Norte (4,3%). Para este ano, a ABF aponta que a tendência de crescimento deva ficar bem acima do PIB nacional em 2014, independente da retração econômica, chegando a 10% este ano.

Participação

No Ceará, o comportamento não é diferente. Com relação à geração de empregos diretos pelas franquias no Ceará, esse segmento absorve em torno de 20 mil postos de trabalho criados pelas redes instaladas no Estado. Só no ano passado, o mercado cearense movimentou R$ 548 milhões, representando um crescimento de 6,2% sobre 2012 (R$ 516 milhões). Quanto aos principais segmentos em ascensão, no Ceará, estão alimentação (24,4%); esporte, saúde e lazer (23,5%); e educação e treinamento (12,1%).

Em quantidade de franquias instaladas, no Estado, ao todo, existem 1.355 franquias, que equivalem à participação de 2% no total de unidades em operação no País (67.428), conforme a ABF. No ranking nacional, Fortaleza aparece em 10º lugar em número de franqueados, com 985 franquias instaladas – correspondendo a 1,50% de participação no mercado nacional de franchising, e 72,7% em participação no Ceará. “E a gente acredita que deveremos ter um aumento de mais 7% em novos pontos no Ceará, puxado, principalmente, pelos shoppings, lojas de rua e supermercados também”, enfatizou o diretor executivo da ABF, Ricardo Camargo.

O último levantamento da Associação apontou que somente 23% dos pontos comerciais instalados nos aeroportos operam sob o sistema de franquias. Como referência e similaridade, no caso dos shopping centers, a participação das franquias pode chegar a 60%. As principais franquias atuantes nesses terminais pertencem ao segmento de locação de veículos e alimentação. Só no Aeroporto Pinto Martins, por exemplo, existem 18 franquias – entre nacionais e estrangeiras – em funcionamento. No País, ao todo – de 2010 a 2013 –, o crescimento foi observado tanto em número de unidades (48%) como de redes (43%), com maior destaque para a evolução dos pontos comerciais nesse período (85%), segundo a ABF.

Análise

Ao avaliar os números do Ceará, o diretor executivo da ABF afirma que o comportamento do Estado é bem razoável – e poderia ter sido maior –, se considerarmos o crescimento do PIB (2,5%). No entanto, ele explica que, na região, o número projetado de shoppings não cresceu como esperado, “e isso diminuiu um pouco a abertura de novos pontos de venda”. “Nós fechamos o ano passado com 17 shoppings, quando estavam projetados 19 – cujas aberturas (de novos shoppings) foram adiadas para este ano”, observou Camargo. No entanto, ele destacou que o Ceará, no Nordeste, é o terceiro em participação, atrás de Bahia (4%) e Pernambuco (2,9%).

O dirigente atribui ao setor de Serviços o principal fator que tem contribuído para o crescimento das franquias na região Nordeste, assim como no Ceará. “Esse é um dos setores que mais crescem, principalmente aqueles ligados ao segmento de beleza e saúde – ligados à área de embelezamento feminino, como sobrancelhas, tratamentos de pele –, que tem crescido bastante”.

Já com relação ao ramo de alimentação, outro setor que vem se destacando no franchising cearense, Camargo observa que seu crescimento é constante, “sendo o maior setor no Ceará e no Brasil inteiro, que responde por mais de 20% do faturamento. No Ceará, esse índice chega a ser de 24%, sendo o mais forte que o de beleza e saúde (23%) e educação e treinamento. Esses são os três mais fortes no Estado”, ressaltou.

Oportunidade para microempreendedores

A franquia é uma porta para aqueles que desejam se tornar microempreendedores. “A maioria das empresas está no regime do Simples, como pequeno negócio ou Empresas de Pequeno Porte (EPP). Nós temos vários serviços ligados à área de aconselhamento e treinamento, e isso a gente desenvolve muito. Além disso, temos um convênio com o Sebrae, em que, em cada escritório regional, tem boas informações acerca do setor, desde a orientação inicial, como se transformar em franqueado, escolher ponto comercial etc., além de uma série de outras informações. Temos até uma cartilha, disponível em todos esses escritórios regionais, informando sobre o setor. Além disso, as pessoas podem usar as informações ligadas diretamente ao nosso site (www.abf.com.br), em que há uma riqueza de informações também”, informou Ricardo Camargo.

O executivo destaca, ainda, que o mercado, hoje, está mais maduro, e que está desmistificado o receio de se investir em franquias. “Essa fase do receio já está superado. Cada vez mais, percebemos, em nossa feira, que o conhecimento das pessoas é muito maior”. Além disso, o fácil acesso às informações possibilita uma melhor orientação na escolha da empresa, necessidade de consultar franqueados das redes – conhecendo um pouco o histórico das empresas, antes de tomar uma decisão definitiva. “Esse não é um negócio 100% sem risco, já que existe um pequeno risco. Tivemos, no ano passado, 3% de fechamento em relação aos negócios, um número bastante baixo”, avaliou Camargo. “É importante a pessoa ter consciência de escolher o ramo que ela gosta, bem como ter o capital necessário para fazer um investimento, sem recorrer a terceiros – para não onerar o sistema logo no começo –, enfim. Essa opções a pessoa tem de decidir antes de firmar o contrato”, finalizou o executivo.