Setor de franquias reduz ritmo, mas mantém expansão em 2014

Gazeta do Povo – Curitiba – Anna Paula Franco – 05/03
Retração econômica segura crescimento do franchising no país. Mesmo assim, resultados são melhores do que os do varejo tradicional
Depois de bater os dois dígitos (11%) no aumento do faturamento de 2013, o mercado de franquias reduziu o ritmo e fechou o ano passado com 7,7% de crescimento, conforme o anuário da Associação Brasileira de Franchising (ABF). A desaceleração, porém, não abala o otimismo do setor. “O desempenho foi muito superior aos demais setores do varejo, apesar da conjuntura desfavorável com a realização da Copa do Mundo e das eleições. O modelo da operação, que compartilha questões estratégicas do negócio, faz toda a diferença”, aponta a diretora regional da ABF, Fabiana Estrela.
Na avaliação da entidade, ao completar20 anos de legislação, o franchising brasileiro passa por um refinamento e profissionalização. Com 2.942 franqueadoras, o país chegou ao quarto lugar no ranking mundial em número de marcas, atrás da China (4 mil), Estados Unidos (3,8 mil) e Coréia do Sul (3,6 mil). Na distribuição de unidades dentro do país, Curitiba também ocupa a quarta posição no ranking nacional, com São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte no topo da lista.
Para superar os desafios da retração econômica do mercado neste ano, o setor pretende reforçar as ferramentas que hoje respondem pelo sucesso do modelo. A transferência de know how em negócios testados ajuda a minimizar riscos dos investidores e atrai mais parceiros para a expansão. É nesse ajuste fino que os consultores especializados apostam para superar a crise. “As decisões estratégicas são de responsabilidade do franqueador, que deve estar focado na atividade e alertar o franqueado quanto a riscos, questões logísticas e de gestão”, aponta Fabiana.

Importância da gestão

A crise também pode pautar a mudança de hábitos do consumidor, que sempre vai procurar o melhor preço e atendimento. Para a diretora geral do Grupo Bittencourt, Claudia Bittencourt, consultora especializada em franchising, a gestão do negócio precisa estar no centro da atenção dos empresários. “A precificação correta, redução de custos, treinamento de pessoas e a renegociação de contratos com fornecedores vão ajudar a minimizar os impactos de um mercado mais morno”, explica. Para Claudia, 2015 será desafiador e as redes podem enfrentar dificuldades nas vendas tanto no consumo final como no de novas licenças. “É hora de manter o que foi conquistado até agora e buscar competências para atingir bons resultados.” Para a diretora da ABF, Fabiana Estrela, a grande vantagem do franqueado sobre outros setores do varejo é o apoio que a franqueadora oferece “O independente precisa pensar em tudo sozinho. Com as informações compartilhadas entre os parceiros, fica mais fácil identificar os gargalos e tomar as decisões. Nesse aspecto, a consolidação de uma marca forte traz um nível maior de segurança”, diz. Diante disso, a previsão da ABF é manter o crescimento de 2015 no mesmo patamar da ano passado, entre 7,5% e 9%.

Segmentos

Microfranquias puxaram faturamento do mercado no país
A combinação de investimento baixo de até R$ 80 mil – em um cenário de incerteza econômica deu fôlego à modalidade de microfranquias, cujo faturamento cresceu 14% em 2014. Combinada aos segmentos de melhor desempenho, como comunicação, serviços, limpeza e acessórios, elas podem ser bons balizadores de novos investimentos para 2015. Com 27% de crescimento no faturamento, o segmento de Comunicação, Informática e Eletrônicos foi o que teve melhor resultado no ano passado. A rede de marketing digital Elefante Verde traduz o desempenho. Criada em 2011, para atender o pequeno e médio empresário nos serviços de marketing e comunicação digital, a empresa tornou-se franqueadora há menos de dois anos. Hoje são 50 unidades e a projeção é dobrar o número até o fim de 2015. “Em tempos de crise, o empresário que investe em comunicação é o primeiro que será lembrado quando a economia melhorar”, diz o sócio da empresa e diretor de expansão da franqueadora, Fábio Duran.
O franqueado da Elefante Verde Igor Bomtempo está prestes a fazer parte da estatística da rede. Depois de oito meses de pesquisa, deixou o emprego de desenvolvimento de produto em uma multinacional para abrir a unidade da marca em Curitiba. O escritório deve estar funcionando até o fim do mês e Bomtempo já começou a prospectar clientes. “O marceneiro que fez meus móveis está abrindo uma empresa e disse que vai me contratar”, comemora.

Serviço e saúde

São boas combinações para uma franquia de sucesso. Com 160 clínicas no país e 10 modelos de negócios, a Ortodontic Center, de Londrina, pretende chegar ao fim do ano com 100 novas unidades e faturamento total 35% maior do que os R$ 130 milhões alcançados em 2014. “É na crise que vamos andar para frente”, diz Fernando Massi, fundador da marca.

Gargalos

Mão de obra e carga tributária são barreiras para crescer mais 
O franchising tem vantagens, mas não é imune aos percalços econômicos. Apesar do otimismo do setor, que se apoia na força da rede para superar desafios de mercado, o modelo tem limitações de crescimento. Uma das mais relevantes é quanto à falta de mão de obra capacitada. Um dos berços do primeiro emprego do jovem, o franchising assume a tarefa de treinamento padronizado, um dos pilares do modelo, mas enfrenta dificuldades como deficiências na formação básica dos colaboradores. “A contratação é cada vez mais difícil, porque nossa educação é fraca. A ponta da cadeia é a linha de frente do negócio e determinante para o resultado”, diz a diretora regional da ABF, Fabiana Estrela.
A questão tributária é outro ponto de atenção no modelo, assim como para outros setores. A diferença de alíquotas de ICMS entre os estados, por exemplo, pode ser limitante para a expansão de determinados segmentos. Outra barreira é a ampliação de mercado. As franquias brasileiras estão presentes em 53 países, sendo 96 marcas com operações no exterior e dez redes exportadoras. Para a diretora, aumentar a internacionalização exige adequação das marcas em outros países.
Se há espaço para crescer lá fora, o mercado interno também é promissor: há unidades franqueadas em 2.108 cidades, o que corresponde a 38% dos municípios brasileiros. “É preciso chegar a cidades menores”, diz Fabiana.

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