Publicidade on-line é a chave para empresa conquistar novas gerações

DCI – Vivian Ito – 16/09

As agências devem começar a se reinventar para ajudar os novos empreendedores na adaptação de tendências, principalmente para atrair consumidores cada vez mais conectados

Com o aumento da população mais jovem e cada vez mais conectada, as agências de publicidade têm assumido um novo papel: ajudar o grupo de lideranças de pequenas empresas com menos experiência a captar clientes com o uso das ferramentas on-line.

A estratégia visa, aliás, atender tanto aos clientes corporativos como aos consumidores finais. Especialistas entrevistados pelo DCI acreditam que para isso as marcas devem começar a explorar mais as ferramentas como Facebook, Twitter, Instagram, entre outros.

“É necessário acompanhar a modernização e não deixar passar as oportunidades. As empresas ainda possuem um pensamento muito tradicional e não costumam valorizar as ações realizadas nos novos formatos como as mídias sociais”, afirma o presidente da agência de pesquisa de mercado e inteligência Hello Research, Davi Bertoncello.

Desafios do mercado

Outro especialista que percebeu a necessidade de mudança no segmento publicitário é o diretor da agência de marketing MD Comunicação, Denis Santini. Para ele, o trabalho se tornou mais complexo com o aumento do número de jovens empreendedores. “Não apenas o consumidor, mas os líderes das empresas estão cada vez mais jovens. Nos últimos três anos o número desta população cresceu entre 35% e 40% na aquisição de franquias.”

O executivo aponta que o setor passou por uma transformação: a estratégia não se resume a uma tática de vendas, mas a uma ideologia. Segundo o especialista em marketing para franquias, o consumidor está mais exigente e atento à apresentação do produto, embalagem, ponto de venda e preço. Por isso, a atuação das agências de publicidade devem partir da produção e ir até o consumidor.

Outra mudança observada por ele foi a necessidade de retorno de investimento por parte dos clientes. “A experiência era o melhor amigo do empresário mais velho. Contudo, hoje os mais novos se apoiam na mensuração”, afirma.

Ambas as empresas consultadas explicam que o número de pesquisas de marketing aumentou mais de 30% nos últimos anos. Para o diretor da MD Comunicação, a frase mais destacada nas vendas de publicidade é “retorno sobre o investimento” (ROI).

Parte da característica do jovem empreendedor é a valorização da publicidade. “Hoje em dia, os novos líderes dão mais valor à publicidade e sabem que não existe margem para erro. Eles procuram campanhas mais assertivas”, explica Santini.

Justamente por conta desta necessidade de especialização, o publicitário acredita que a tendência para o setor de marketing é a segmentação.

Para Bertoncello, da Hello Research, o desafio está em criar campanhas cada vez mais adequadas para as novas gerações, pois eles irão cumprir o papel que se esperava da geração Y. “Este grupo acabou apresentando tendências de consumo similares à já existente. Mas, os adolescentes entre 12 e 14 anos irão trazer consigo uma mudança no consumo muito maior.”

Levantamento do setor

Estudo do Ibope indica que a internet ainda representa apenas 5% do volume total de propagandas produzidas. Logo, existe um espaço muito grande para crescer, mas é preciso que as agências se adaptem e capacitem os líderes das companhias para conseguir passar pela transição. Ainda segundo o Ibope, mais de 43% dos jovens utilizam a internet como canal de entretenimento.

“É a identificação dos novos formatos que vai atrair as novas gerações”, diz o presidente da agência Hello Research, Davi Bertoncello.

Para ele, a mudança deve começar pelo próprio mercado e pela forma de remuneração atual que privilegia as mídias de maior porte como a televisão e não dão valor aos métodos inovadores e criativos. “As novas maneiras de impactar o consumidor deveriam ser mais levadas em consideração. Muitas vezes a agência não está estruturada para este tipo de solução e acaba fazendo o que é mais convencional.”

O comércio varejista gastou R$ 10,4 bilhões no primeiro semestre em anúncios. Depois higiene pessoal, R$ 6 bilhões. Serviços ao consumidor demandaram RS 5 bilhões, conforme estudo do Ibope.