Operações casadas crescem entre franquias

Jornal DCI – Flavia Milhasi – 01/10
 
Com investimento, em média, 45% mais baixo, empresas apostam na junção de duas marcas ou mais (co-branding) para ampliar a presença de suas bandeiras pelo País. Por meio do franchising que mostra-se mais flexível \cf2 a\cf2 mudanças para continuar em\cf2 crescimento -, elas chegam a regiões com população com mil habitantes e mostram-se tão rentáveis quanto operações localizadas em grandes centros.
 
Dentre os cases de sucesso, destaque à marca Love Brands, que agrega em um mesmo local as operações da Balonè de bijouterias marca pertencente ao Grupo Ornatus, que detém também a Morana, de acessórios femininos, Jinjin Wok, Jin Jin Sushi, Little Tokyo e My Sandwich, todas de alimentação-, a lmaginarium, de presentes, e a Puket, de vestuário, com destaque às lingeries. Em entrevista ao DCI, o diretor de expansão da rede, Marcelo Sarpe, afirmou que a Love Brands surgiu para atender uma demanda de mercado, que era levar marcas renomadas a regiões com população de até 250 mil habitantes que, preferencialmente, não tenham shopping centers.
 
“Por ser uma operação com investimento de baixo custo, o local ideal de implantação são as mas em que o comércio é consolidado, ruas essas típicas em regiões interioranas por exemplo”, disse.

Se o investidor fosse abrir as três marcas separadas, ele teria de ter um capital de mais de R$ 1 milhão, uma vez que elas têm custo de abertura que variam de R$ 300 a R$ 500 mil cada. Ao investir na Love Brands, esse custo cai para menos da metade, já que o investimento inicial para abertura de uma loja da marca é a partir de R$ 200 mil. “Procuramos ajudar o franqueado a encontrar um local em que o aluguel seja de até R$ 3 mil. No valor do investimento estão inclusos os custos com mobiliário, R$ 60 mil em estoque e uma porcentagem que será usada como capital de giro”, explicou Sarpe. O retorno do investimento é de até três anos e o franqueado fatura, em média, R$ 35 mil ao mês.
 
Questionado sobre a dificuldade de se encontrar pontos comerciais nessas regiões, Sarpe explicou que existe sim, que é praticamente igual aos grandes centros, em especial encontrar imóveis adequados para receber uma loja. “A dificuldade existe sim, mas o mais complicado é encontrar um imóvel que não demande muita reforma, pois não vale arcar com esse custo”, explicou.
 
Lançada no mercado em junho do ano passado, a Love Brands já apresenta números atrativos: 15 lojas em operação até o mês passado e perspectiva que esse número dobre até o final do ano.”

Queremos fechar o ano com 30 ou maisloj as abertas. Para o próximo ano (2014), a expectativa é que outros 35 ou 40 pontos de venda sejam inaugurados no País”, explicou o executivo.

Segundo o diretor de internacionalização da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim, o co-branding é uma tendência no País. “Acredito que isso é uma tendência uma vez que houve mudança no consumo e no hábito do consumidor. Ele está mais atento à marca do que era antes”, disse.

O especialista afirmou também que além do case da Love Bands, os segmentos de alimentação e de serviços, hoje em ascensão no setor, são capazes de assimilar esse modelo de negócio. “No setor de serviços um nicho que é bem propenso a formatação em co-branding é o de educação. Por exemplo, você tem uma escola de inglês que oferece um curso preparatório para concursos”, disse.

O importante, na opinião de Friedheim, é que ao se fazer a junção procurem-se marcas que sejam sinérgicas e não concorram entre si. “Com dois, três ou mais operações que não competem entre si – essa operação consegue passar pela sazonalidade de forma mais proveitosa que as monomarcas”, explicou.

A entidade não sabe mensurar quantas operações de co-branding o franchising tem atualmente, mas na opinião de Friedheim, isso vai se tornar mais comum conforme o segmento for chegando a regiões mais afastadas. “Esse formato é uma excelente iniciativa para as marcas que atuam no franchising e que querem ir a locais onde uma operação monomarca não seria rentável”, argumentou, ao que concluiu: “Mesmo tendo baixo custo de implantação e de manutenção da operação, elas são tão rentáveis quanto uma loja monomarca localizada em São Paulo ou no Rio de Janeiro”

Quem aproveitou a sinergia entre as operações para oferecer ao investidor o formato “dois em um” foi a CPQ Brasil. Detentora das marcas Casa do Pão de Queijo e, Marcelo Sarpe desde 2008, da O Melhor Bolo de Chocolate dona love brands Mundo tem oferecido, com foco maior aos que já são franqueados da marca, a operação casada. “Estamos em processo de reforma de pontos já instalados. Para aproveitar que algumas mudanças serão feitas, oferecemos aos nossos franqueados a possibilidade de abrir a segunda operação, sem a necessidade de todo o trabalho de uma loja nova”, disse o gerente de operações da CPQ, Thiago Rebelo.

Ainda segundo Rebelo, depois que a marca O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo se consolidou no mercado, foi percebido que as duas operações eram similares e isso fez com que a empresa, no ano passado lançasse no mercado o formato em co-branding. “O mix de produtos é complementar, enquanto na Casa do Pão de Queijo temos os salgados (snacks) rápido se o café com a operação do “Bolo” temos o doce. Isso atende o consumidor em todas as suas necessidades na hora que ele quiser comer algo rápido”, explicou Rebelo.
 
O formato casado passou a ser comercializado no ano passado e, segundo Rebelo, ela é voltada mais para as operações que estão localizadas em shopping centers. “Pode até que se abra unidades em ruas, mas o modelo de negócio é mais específica para os shoppings”, disse.
 
Além disso, o gerente de operações explicou que com a junção das marcas, o investidor consegue vender 40% amais com o aumento do sortimento oferecido. “Você consegue aumentar o lucro em 40%, pois utiliza uma estrutura única em duas operações distintas”, explicou. Com R$ 300 mil em média é possível investir em uma operação casada da CPQ Brasil, e esse valor é quase a metade se as duas operações fossem separadas. “A Casa do Pão de Queijo custa a partir de R$ 300 mil e a do Bolo R$ 250 mil. Quando compradas juntas, elas custam ao investidor a partir de R$300mil.

Loja dentro de loja ganha destaque
 
Se o investidor já tem uma operação e a intenção é apenas ampliar seu mix de produtos, o conceito loja dentro de loja (store in store) se faz boa alternativa. Um dos casos interessantes e que tem ganhado visibilidade é o projeto da marca de lingerie Hope.
 
A empresa criou o modelo de negócio “Hope sob Medida” em que com um espaço que vai de dois metros quadrados a cinco, em média, consegue qualificar a sua operação. “Muito mais do que ampliar a nossa presença de mercado, com a Hope sob Medida conseguimos profissionalizar esse empresário, fazer com que a equipe de venda seja mais treinada”, disse anteriormente ao DCI Clóvis de Morais gerente nacional de varejo da Hope. Enquanto uma loja tradicional de shopping custa em média R$ 300 mil, uma store in store sai por apenas 10% desse valor. “Em uma loja normal o mobiliários tem que preencher uma loja de 40 metros quadrados. Na Hope sob Medida isso chega a cinco metros quadrados”, argumentou.
 
Além do baixo custo, a Hope consegue ampliar a sua presença a trazer cada vez mais adeptos ao seu projeto diferenciado. “No começo, o empresário aceitar esse tipo de negócio foi complicado. Hoje isso está muito mais fácil, pois nós temos 180 contratos assinados com esse tipo de operação dos quais 140 em funcionamento. Delas 70% tem crescido de forma acentuada mês a mês e outros 20% começam a dar resultados positivos”, explicou Morais.
 
Além do que foi já foi mencionado, para que o conceito store in store dê certo, a Hope procura levar esse projeto para cidades com população inferior a 300 mil habitantes.