Mineiros querem ser franqueadores

Diário do Comércio – MG – Thaíne Belissa – 12/11

Empresários, confiantes no potencial dos seus negócios, buscam crescer com ajuda de parceiros

No meio dos 600 participantes da 14ª Convenção ABF do Franshising, realizada em outubro na Bahia, um grupo de empresários de Minas Gerais circulou pelos debates e mesas-redondas em busca de capacitação. Apesar de atuarem em ramos distintos e terem histórias bem diferentes de carreira profissional, eles mostraram algo em comum: a convicção no potencial de seus negócios e o desejo de abrir a primeira franquia no início de 2015.

Circulando no evento com o crachá com cordão amarelo, que indica a primeira vez de participação na convenção da Associação Brasileira de Franshising (ABF), eles vieram de uma caminhada de busca por informações sobre o setor de franquia. Todos começaram o negócio sem saber muito sobre o modelo de expansão, mas perceberam que os sucessos de seus negócios poderiam ser replicados. Os empresários participaram do projeto Minas Franquia, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG) e hoje já estão com tudo pronto para embarcar no setor de franchising.

É o caso de Marcos Antônio Zambalde Junior, proprietário da A Massa Pizzaria, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O empresário comprou o estabelecimento há quatro anos e transformou seu conceito com uma arquitetura diferenciada para a loja e uma marca bastante atrativa. “A pizzaria funcionava em um espaço de 60 metros quadrados e os clientes reclamavam da estrutura. Então nos mudamos para uma loja de 200 metros quadrados e investimos na decoração, pois entendemos que mais do que pizza, nós vendemos bem-estar”, afirma.O principal diferencial da pizzaria está na variedade dos sabores, que incluem opções como polenguinho, abobrinha, alho porro e queijo brie. Cerca de 80% do atendimento da A Massa Pizzaria são direcionados ao público local, sendo o restante entrega por telefone. A empresa também vai passar a oferecer delivery via internet no fim deste ano. Segundo o empresário, o principal público da marca são famílias, casais e grupos de amigos, principalmente das classes A e B. O local também é muito procurado para eventos e comemorações.

Junior explica que a escolha por franquia foi motivada pela característica de rápida expansão sem a necessidade de muito investimento próprio. O proprietário acredita que a pizzaria tem potencial para se replicar, tanto por causa do seu conceito diferenciado baseado na decoração aconchegante e nos sabores diferentes, quanto devido ao sucesso já alcançado em Betim. A expectativa do empresário é que a primeira franquia seja aberta no início de 2015 e pelo menos mais três sejam inauguradas durante o resto do ano. O interesse da marca é em cidades que estejam até 120 quilômetros da Capital, como Contagem e Lagoa Santa, na Região Metropolitana de BH.

O investimento aproximado para se abrir uma unidade da A Massa Pizzaria é de R$ 385 mil, sendo que o retorno é conseguido em 22 meses. Segundo o empresário, o faturamento médio mensal da franquia vai girar em torno de R$ 60 mil. Junior avalia bem o mercado e se diz otimista para o próximo ano. “A alimentação fora do lar aumenta sempre e é mais blindada à crise econômica. Além disso, pizza é universal: um produto aceitado por todas as classes e gêneros”, destaca

Restaurante de Uberlândia mira interior de SP

Dono do Seo Chico Choperia e Restaurante em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Luiz Fernando de Almeida é outro exemplo de empresário de Minas Gerais que pretende lançar sua marca no franchising. Com um conceito de comida caseira all incluse, ele pretende começar por cidades do interior de São Paulo, como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, que ficam próximas à loja piloto. Além disso, o empresário também tem interesse no Centro-Oeste, como Goiânia e Brasília. O investimento na franquia é R$ 800 mil, sendo que o retorno estimado é em 24 meses. A média mensal de faturamento por unidade é R$ 200 mil.

O empresário acredita que o negócio tem a vocação para franquia porque inova no segmento de alimentação, focando o público de renda mais baixa. “Tenho convicção do nosso diferencial, pois atingimos a classe C, que é um público emergente e pouco explorado por restaurantes com serviço diferenciado”, diz.

Almeida explica que a ideia do all incluse foi lançada primeiro no almoço, o que lhe rendeu bons resultados. Além de ter sido muito bem aceita pelos clientes, a estratégia aumentou o tíquete médio da casa e facilitou a logística da cozinha, já que os funcionários não precisavam mais atuar sob demandas específicas. Como a experiência foi muito positiva, o empresário adotou o modelo para o jantar também. Os preços do almoço e jantar no restaurante variam de R$ 20,90 a R$ 25,90.

Outro diferencial do restaurante é a aposta na comida caseira. De acordo com Almeida, o carro-chefe do negócio é o churrasco acompanhado por guarnições, como arroz, feijão tropeiro e mandioca. “Apostei na simplicidade porque a rejeição desse tipo de comida é muita baixa. Além disso, muitas pessoas que comem fora estão preferindo um prato mais parecido com o que elas têm em casa”, diz.