Item de moda, esmalte puxa franquia e indústria

Jornal DCI – Bruna Kfouri e Flavia Milhassi – 05/03
 
O avanço das esmalterias pelo Brasil e a mudança do status dos esmaltes, alçado a item da moda, vêm impulsionando o mercado nacional, colocando-o no topo do ranking mundial da categoria. A expansão do franchising no setor vem ajudando a ampliar os pequenos negócios, que já se multiplicam pelo Brasil afora.
 
A Esmaltaria Nacional, por exemplo, já conta com 95 unidades e a perspectiva é de abrir mais 100 só no primeiro semestre. “Já temos 250 contratos assinados. A meta é terminar 2014 com 400 unidades”, explicou a gestora de marketing da bandeira, Giovanna Flaiban. Com investimentos que variam de R$ 15 mil a R$ 40 mil, a rede atraiu franqueados.
 
A Associação Brasileira de Franchising (ABF) tem credenciadas outras três marcas: I Love Unhas (BA); Cia das Unhas (RJ) e Disk Unhas (CE). Em 2011, São Paulo ganhou a primeira unidade com o conceito de embelezar as unhas e se divertir, com a inauguração do Cosmopolish, dentro do conceito “nailbar” europeu.
 
E se depender da indústria, as mãos e os pés das brasileiras nunca mais serão os mesmos. A ideia é investir em produtos mais sofisticados tornando-o um item de moda que, como qualquer “figurino”, não deve ser repetido. Por isso, o setor comemora um crescimento de 3,8% na receita só no ano passado, movimentando R$ 597,7milhões.

Indústria de esmalte investe em linhas Premium
 
Assim como na moda, repetir “figurino” já é considerado um erro, e as mulheres apostam, cada vez mais, em produtos ousados e sofisticados. 

Se depender da indústria de esmaltes, as mãos e os pés das brasileiras nunca mais serão os mesmos. A ideia é simples: assim como na moda, a repetição de “figurinos” deve ser evitada. Com isso, as linhas mais sofisticadas devem ganhar espaço. Com um crescimento de 3,8% na receita do ano passado, o setor tem em suas mãos um mercado de R$ 597,7 milhões e, desde 2011, lidera o ranking de Desenvolvimento de Novos Produtos (NPD) na divisão de maquiagem. Nos dez primeiros meses de 2013, ele foi responsável por 58% dos lançamentos, de acordo com dados da consultoria Mintel.

“As brasileiras estão consumindo mais e variando as cores. Hoje, o Brasil representa 16% da receita do mercado mundial de US$ 5,9 bilhões. Para os próximos cinco anos espera-se um crescimento médio de 6% ao ano”, diz a gerente da Categoria de Maquiagem de O Boticário, Mirele Marti nez. Hoje, os esmaltes comercializados pela empresa fazem parte da Make B., linha premium de maquiagem. “A marca lança duas coleções por ano, e os esmaltes que vendemos estão dentro destes conjuntos de lançamentos. Eles chegam às lojas sempre em edição limitada”, acrescenta a executiva da marca.

Para o começo deste ano, a companhia prevê o lançamento de quatro cores. Os produtos são desenvolvidos pela equipe de O Boticário e fabricados na França.

Outra gigante do mercado de cosméticos que começa a apostar em esmaltes premium é a Avon. Neste ano fará sua estreia na categoria com a Nailwear Pro+. A linha chega ao mercado este mês com preço em torno de R$ 6. Já os esmaltes da Color Trend, outra marca da Avon, contam com um tíquete de R$ 3. “Existe uma tendência de o consumidor buscar esmalte de maior valor agregado. A entrada de importados no País mostrou isso. Nossa fórmula veio dos EUA e está sendo produzida aqui”, explica a gerente sênior de Maquiagem da Avon Brasil, Juliana Barros. Em 2014, a marca irá lançar 10 itens. Atualmente, a produção de esmaltes da Avon ocorre na fábrica de Interlagos (SP). De acordo com a executiva, a linha de produção funciona em três turnos e no ano inteiro.

“A ascensão da classe C fez com que um grupo maior de mulheres tivesse acesso a esse produto. E, cada vez mais, elas frequentam a manicure”, ressalta Juliana. Outro fator que impulsiona as vendas da empresa é o amplo grupo de revendedoras que também atuam como manicure. “Nossas revendedoras têm a vantagem de comprar com desconto adicional e percebemos que algumas delas compram quantidades muito significativas, pois elas também trabalham como manicure”, diz.
 
E é justamente neste mercado que a gigante mundial LOréal quer aumentar suas vendas anuais de esmaltes. Dona da marca Colorama, a empresa decidiu trazer ao Brasil neste ano a Essie. Sob o guarda-chuva da Divisão de Produtos Profissionais (DPP) ela será vendida apenas nos salões de cabeleireiros.

“O Brasil é o maior mercado de esmalte no mundo em unidades, e essa categoria nunca foi tratada de forma profissional pelas marcas que existem no mercado. Nós queremos desenvolver o negócio do salão”, diz a diretora da marca, Cristina Conforto. Os novos itens serão comercializados para as consumidoras finais por R$ 33, cada frasco de cor, e R$ 38, cada base ou finalizador. Até 2015, a LOréal almeja distribuir a marca em mais de 4 mil pontos de vendas. De acordo com a empresa, as manicures vão às compras cerca de três vezes por mês e compram, em média, 10 unidades a cada vista a esses pontos de vendas.

Volume
 
Porém, nem tudo são flores no mercado nacional de esmaltes. Apesar da alta de 3,8% na receita do setor em 2013, o volume de vendas caiu 4,6% no ano, de acordo com levantamento da Nielsen, somando 210, 5 milhões de unidades ante 220,5 milhões vendidas em 2012. Para o gerente geral da Hair Brasil, feira de beleza profissional da América Latina, Antônio de Carvalho Júnior, dois fatores podem explicar a queda.

“Em 2013, observamos uma retração geral da eco no mia brasileira, o que pode ter afetado o setor de esmaltes também. Além disso, no último ano, muitas marcas de esmaltes importados entraram no Brasil. Uma delas em especial, a ORI ,vem crescendo muito”, explica o executivo.

Franquia populariza esmalteria no País

Nascido na Europa, mas concretizado nos Estados Unidos há pouco mais de 5 anos, o conceito de esmalterias (“nail bar operações voltadas exclusivamente para unhas, mas com um bar agregado) começam a se multiplicar no Brasil. Num primeiro momento as esmalterias eram criadas para atender a demanda de público premium, mas com a expansão por conta do franchising no País, esses salões para as mãos agora atendem a todos os públicos, sem distinção.

Uma das marcas que tem se consolidado no setor é a Esmalte ria Nacional, fundada em 2012. A rede pertence à gestora Andare Participações, que detém tam bém as marcas Capim Limão, Esmalteria Nacional Express, Escovar (escova express), Serafina Estética Especializada, Sobrancelha Express e Projeto Biquíni.

Hoje com 95 unidades em operação, a Esmalteria Nacional tem a perspectiva de abrir mais 100 neste primeiro semestre, conforme afirmou a gestora de marketing, rádio e televisão da bandeira, Giovanna Flaiban. “Já temos 250 contratos de franquias assinados, sendo que 100 serão abertas neste primeiro semestre. A meta é terminar 2014 com 400 unidades”, explicou Giovanna.

Com investimento a partir de R$ 15 mil, (no caso da taxa de franquia da operação express) ou de R$ 40 mil (para espaços a partir de 30 metros quadrados), a rede acredita se destacar por conta do baixo custo de investimento inicial, como explicaram as franqueadas da marca, Carla e Camila Bove. “O que chamou nossa atenção foi o baixo custo do investimento (R$40mil) e a oportunidade de trabalhar em um segmento em ascensão”, disse Carla.
 
Já Camila afirmou que no total foram investidos R$ 80 mil (taxa de franquia, reforma, mobiliário e estoque de produtos), e a expectativa é agregar outros serviços em sua operação. “Vamos incluir em nosso espaço serviços como massagens e também depilação. São tratamentos que também são oferecidos pela franqueadora”, argumentou Camila. Ao que completou: “Outra forma de aumentar o rendimento são as bebidas que ao serem comercializadas aumentam o gasto médio.”
 
Ainda segundo as empresárias, a possibilidade de promover festas, ação que inclui a cobrança de bebidas e comidas nesse ambiente, como despedidas de solteira, aniversários, chá de cozinhas e afins, também ajudará a sua unidade, que será aberta na sexta-feira (7). “Podemos fazer confraternizações e encontro entre amigos em nossa loja localizada na Chácara Santo Antônio, em São Paulo”, disse Carla.
 
Cenário
 
A Associação Brasileira de Franchising (ABF) tem credenciadas outras três marcas: I Love Unhas, da Bahia; Cia das Unhas, do Rio de Janeiro e Disk Unhas, do Ceará. E não são apenas essas empresas que cooperam para o desenvolvimento desse segmento. Em 2011, o bairro de Pinheiros, em São Paulo, ganhou a primeira unidade com o conceito de embelezar as unhas e se divertir, com a inauguração do Cosmopolish.
 
A empresária Agnes Cruz garante ter trazido ao País o verdadeiro conceito “nail bar” europeu. O espaço se difere dos demais salões, uma vez que as unhas são consideradas acessórios da moda, “logo merecem toda a atenção”. O empreendimento de Agnes deu certo e, em 2013, a empresária aderiu ao franchising. Neste começo de ano, a marca começou a atuar em Cuiabá (MT), além de Guarulhos (SP). Em breve será aberta outra unidade em São Luis (MA). “Fomos o primeiro puro “nail bar” de São Paulo. Agora queremos levar esse conceito para mercados potenciais, mas não tão óbvios”, afirmou ela. A expectativa da Cosmopolish é ter 30 unidades em operação até o final desse ano.
 
No Rio de Janeiro, o empresário Michael Gomes criou a marca Clube Esmalteria e tem planos expressivos. A bandeira surgiu em janeiro de 2012 e hoje conta com 10 operações abertas ao público. Há, ainda, outras quatro Iojas em fase de implantação.
 
Segundo Gomes, antes de começar a ofertar a marca a outros investidores, ele ficou à frente do negócio para entender como realmente funcionava. “Fiquei à frente da primeira loja da rede, na recepção. Durante todo o ano de 2012 quis conhecer a fundo o negócio, antes de vender a minha primeira franquia”, disse. Só no final de fevereiro duas unidades da marca foram abertas: em Fortaleza (CE) e em Niterói (RJ). “O baixo custo do investimento também é o atrativo da rede carioca: R$ 150 mil”.