Intercâmbio de produtos tem ganhado destaque nas redes

Jornal DCI – Sara Abdo – 07/03
 
O potencial de sucesso no intercâmbio de sabores e produtos brasileiros e norte-americanos ganha destaque nos negócios de redes interessadas em exportar suas marcas. O acesso a uma iguaria típica dos EUA foi percebido por empresas como a Brou’ne, franquia nacional que tem como produto carro-chefe brownies oriundos de receitas caseiras, repassadas há quatro gerações de uma família natural de Chicago (EUA).

Outro exemplo envolve a Sofá Café, uma cafeteria estilizada à moda de bistrô com café tipicamente brasileiro, que tomou impulso de seu espaço-conceito e apesar de ter só duas lojas na capital paulista já tem inauguração prevista na região norte-americana de Boston.

Ao DCI, Taciana Kalili, fundadora e proprietária da rede brasileira Brigaderia, disse que para a internacionalizar a marca ainda falta entender questões operacionais de outros países. A grife de brigadeiros, que em três anos inaugurou 11 lojas próprias, pretende dar início às operações internacionais em 2015, por meio de uma loja nos EUA.Taciana afirma que um fabricante de alimento precisa estar atento à vigilância sanitária, órgãos regulamentadores e aspectos empresariais, que ao menos nos EUA são mais burocráticos. ‘Aprendemos um pouco de tudo, como novas questões tributárias e de locação de imóveis”. Questionada sobre a matéria-prima, o leite condensado, Taciana afirma que não há problemas. “Nosso fornecedor, a Nestlé, é fábrica suíça e tem condições de entregar nos EUA, mesmo que o leite condensado seja tipicamente brasileiro. Chocolate, importamos da Bélgica e da França, também sem problemas no que se considera fornecimento para uma fábrica nos EUA”.
 
Diferente da Brigaderia, que pretende levar o produto brasileiro ao mercado norte-americano, a Brou’ne, fundada e dirigida por Nasser Lahaliyed, trouxe ao Brasil um produto da América do Norte. O intercâmbio não é o primeiro feito pelo empresariado nacional, mas é inédito no conceito de comfort food. “O produto traz conforto, aconchego e faz sucesso com um público íntimo, que busca profissionalização de um produto caseiro”. O diretor garantiu que o alimento é fresco e assado diariamente, além de expandir no ambiente o cheiro da produção e um serviço intimista. O representante da marca diz atender a um público A/B, e que  a matéria-prima tem itens da linha premium, o que inclui farinha, chocolate e nozes do tipo exportação e castanhas importadas. Rogério Feijó, diretor de inteligência de mercado da ABF (Associação Brasileira de Franchising), aconselha que os movimentos precisam ser feitos depois de estudos aprofundados quanto à cultura, costume e comportamento dos consumidores da nova região de investimento. “Sabemos que o chocolate é mundialmente conhecido, mas há lugares que gostam dele mais amargo ou mais doce. É possível conhecer essas informações por meio de pesquisa, desenvolvidas por equipes que conhecemos com têm parâmetros de observação. Quanto à matéria-prima, é necessário ter certeza da viabilidade da entrega e qual a oferta do material no p ais onde se instalará o empreendimento”. A água de coco e o açaí são outros destaques de ofertas de empresas brasileiras que começam a fincar bandeiras no mercado internacional. A Cohibra, empresa de tecnologia para aprimoramento genético do coco, fornece produtos à Ducoco, que além do mercado interno fornece produtos à VitaCoco de empresários norte-americanos, que motivados por histórias brasileiras viram personalidades como Madona e Rihanna investirem nas plantações de coco fornecedoras do players dos EUA.
 
Brasil internacionalizado
 
Ranking disponibilizado pela Fundação Dom Cabral (FDC) apontou que em 2013, as empresas com maior índice de internacionalização foram Showcolate, IinkWell e Localiza Rent a Car. O estudo da FDC mostrou também que para 42,6% das empresas que planejam entrar em novos mercados, os destinos mais citados são regiões em países da América Latina, Sudeste Asiático, China, Rússia e Canadá. Segundo pesquisa “Estratégia de Internacionalização de Empresas Brasileiras do Setor Calçadista”, desenvolvida pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, “o processo de internacionalização envolve sequencias de operação que se inicia geralmente através da exportação direta e se aprofunda através dos conhecimentos adquiridos, até que o nível de envolvimento faz com que a empresa estabeleça subsidiárias no país estrangeiro. A empresa então seleciona mercados estrangeiros a serem servidos, o que permite que a firma ganhe experiência e possa entrar em mercados não tão iguais ao seu país de origem”. Essa teoria é válida para empresas que atuam em todos os setores.