Franquias masculinas de reparo em casa e mecânica viram negócio de mulheres

Portal UOL Empreendedorismo – Afonso Ferreira – 19/12
 
Oficina mecânica, lavagem de automóveis e manutenção residencial. Negócios vistos como tipicamente masculinos começam a ser administrados por mulheres. O caminho mais comum tem sido a abertura de franquias, segundo especialistas. Em alguns casos, o baixo investimento é um atrativo. O custo para ter uma unidade da Auto Spa Express (lavagem de automóveis) é a partir de R$ 9.900. Mas há negócios que exigem mais capital, como uma loja da Oficina Brasil (mecânica de veículos), por exemplo, que custa de R$ 330 mil a R$ 445 mil.
 
O faturamento costuma ser proporcional ao investimento. Enquanto a arrecadação mensal de uma unidade Auto Spa Express fica entre R$ 3.000 e R$ 6.000, um franqueado da Oficina Brasil pode faturar até R$ 100 mil por mês. As informações são das franqueadoras.

Valéria Aquino, 42, possui três lojas da Oficina Brasil (mecânica de veículos) em São Paulo (SP). Segundo ela, o aumento da frota de automóveis na cidade motivou a abertura do negócio.
 
“Larguei carreira administrativa em uma empresa de eletrônicos para ter um negócio próprio. Precisei aprender sobre peças e serviços para lidar com os clientes”, afirma.

A empresária diz, ainda, que gosta do que faz. “Diferentemente do que se costuma ver nas oficinas tradicionais, comandadas por homens, nas minhas unidades não se fala alto nem se usa linguagem chula. É tudo bem organizado.”
 
Empresárias abrem franquia de reparos domésticos
 
Em Tatuí, (SP), Tathiana Oliveira, 34, é franqueada da rede de manutenção residencial Praquemarido. Ela investiu no negócio quando a irmã e sócia, Vanessa Teles, mudou-se para a cidade e não encontrou profissionais para fazer a reforma da nova casa.
 
“Mesmo sem experiência em construção civil, enxergamos aí uma oportunidade de negócio. Buscamos informações sobre o setor e sobre a franquia antes de investirmos”, diz.
 
A loja foi inaugurada em agosto e conta com dez funcionários, incluindo as sócias. Segundo a franqueadora, o investimento inicial é a partir de R$ 114 mil e o faturamento médio mensal é de R$ 60 mil. Nos último dois anos, o número de franqueadas subiu de 11 para 21.
 
Já a franqueada da rede de manutenção residencial Doutor Resolve Fernanda Campos, 49, abriu sua unidade na capital paulista há três meses.
 
Ela diz que nunca trabalhou no setor, mas conhecia um pouco do assunto por sempre participar das obras realizadas em seu apartamento.
 
“Quando vou a um cliente pela primeira vez é normal ele que estranhe um pouco por eu ser mulher. Mas, quando mostro que sei o que precisa ser feito, ele fica mais confiante”, afirma.

Segundo a matriz da empresa, o investimento inicial vai de R$ 55 mil a R$ 125 mil. O faturamento médio mensal do negócio é de R$ 48 mil.
 
Mulheres são mais dispostas a aprender do que os homens
 
Uma pesquisa da consultoria Rizzo Franchise mostra que as unidades franqueadas comandadas por mulheres faturam 32% mais do que as gerenciadas por homens.

Além disso, em 2013, o número de empreendedoras interessadas em uma franquia cresceu 29% em relação ao ano anterior.
 
Para o diretor da consultoria, Marcus Rizzo, o desempenho superior das mulheres está ligado à dedicação ao negócio. Ele diz que, geralmente, as empreendedoras entram em um negócio com mais disposição para aprender, enquanto alguns homens começam com a ideia de que sabem tudo.
 
“As mulheres também são mais presentes no dia a dia do negócio. Já os homens, começam a se distanciar com o tempo e a buscar novas opções de investimento. Isso faz com que elas também formem equipes mais produtivas”, declara.
 
O consultor diz, ainda, que o sucesso de uma franquia não depende do sexo do proprietário, mas sim da dedicação e da determinação dele à frente do negócio.
 
“Existem ideias geniais que dão errado nas mãos de quem não é esforçado, enquanto outras nem tão boas dão certo quando tocadas por pessoas dedicadas.”
 
Comando feminino em franquias é tendência
 
Para a presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Cristina Franco, o crescimento das mulheres no comando de franquias segue o mesmo movimento do mercado de trabalho e até da política.
 
“Essa é uma tendência que se intensificou nos últimos quatro anos. As mulheres estão vencendo preconceitos e chegando a lugares antes ocupados apenas por homens”, diz.
 
Segundo Franco, ter mulheres à frente de franquias do universo masculino é benéfico para o mercado. “É importante termos empreendedores com visões e habilidades diferentes para identificar e atender às necessidades do público de maneira mais satisfatória”, declara